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Ministérios

CNPE dá 120 dias para plano de recarga e baterias elétricas

Grupo coordenado pelo MME proporá diretrizes para recarga, baterias e planejamento elétrico, com prazo prorrogável por igual período.

Toyota Prius e Honda Insight estacionados diante do primeiro eletroposto brasileiro, coberto por painéis solares.
Veículos híbridos diante do primeiro eletroposto do Brasil, em registro de 17 de junho de 2009.Foto: Andricos / Wikimedia Commons (domínio público)

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) criou na sexta-feira (6) um grupo de trabalho para preparar a Estratégia Nacional de Eletromobilidade. O colegiado terá 120 dias, prorrogáveis por igual período, para entregar diagnóstico, diretrizes e propostas regulatórias.

A decisão ocorre quando quatro de cada cinco veículos eletrificados vendidos em 2026 já dependem de recarga externa. Esse recorte é mais relevante para o planejamento elétrico que o total de eletrificados, porque inclui híbridos que não usam tomada.

Vendas mudam a conta da rede

O Brasil emplacou 381.609 veículos leves elétricos ou híbridos entre janeiro e setembro. O volume é quase 70% maior que o registrado durante todo o ano de 2025, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Desse total, 303.457 unidades são elétricas a bateria ou híbridas plug-in. Esses modelos dependem de recarga externa e somam 79,5% dos eletrificados. Os outros 78.152 veículos, ou 20,5%, são híbridos sem conexão à tomada.

Quatro de cada cinco eletrificados vendidos precisam de tomada Emplacamentos de veículos leves, janeiro a setembro de 2026

Tipo de veículo Unidades Participação
Elétricos e híbridos plug-in 303.457 79,5%
Híbridos sem recarga externa 78.152 20,5%
Total de eletrificados 381.609 100%

Fonte: ABVE e Ministério de Minas e Energia. Participações e diferença calculadas pela redação.

Em setembro, os eletrificados responderam por 19,8% das vendas de veículos leves. Isso equivale a quase um em cada cinco automóveis vendidos no mês. O crescimento pressiona a expansão de eletropostos e a modernização das redes de distribuição.

Grupo terá cinco frentes

Coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), o grupo examinará recarga, redes inteligentes e planejamento elétrico. Outra frente estudará minerais críticos e a cadeia de baterias. Haverá análises de ciclo de vida, veículos pesados, mobilidade urbana e políticas públicas já existentes.

A pauta industrial terá análises de custo-benefício para fortalecer a produção nacional. A ambiental avaliará a sustentabilidade dos minerais usados nas baterias. No campo elétrico, o objetivo é incorporar a nova demanda dos transportes ao planejamento de longo prazo.

A estratégia não estará restrita a automóveis de passeio. Veículos pesados e mobilidade urbana terão subgrupo próprio. O desenho permite discutir necessidades diferentes de ônibus, caminhões e frotas, sem aplicar a mesma solução a todos.

O que diz o MME: o ministro Alexandre Silveira afirmou que o objetivo é planejar a recarga, fortalecer a cadeia de minerais e antecipar a demanda elétrica. Segundo ele, a política deve dialogar com a indústria nacional, preservar o meio ambiente e melhorar a mobilidade urbana.

O grupo reúne órgãos federais, agências reguladoras e entidades técnicas. Participam a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), entre outros.

A criação do colegiado ainda não estabelece metas de vendas, subsídios ou quantidade de carregadores. Essas definições dependerão do relatório final e de decisões posteriores. O prazo começa com uma pergunta objetiva: como fazer frota, indústria e rede elétrica avançarem juntas.

A composição das vendas mostra por que essa coordenação importa. A maioria dos novos eletrificados já usa a rede, e a participação mensal se aproxima de um quinto do mercado. O planejamento precisará alcançar também cidades fora dos principais centros de vendas.

Como fizemos: conferimos a decisão no MME e os números da ABVE reproduzidos na nota oficial, acessados em 7/11/2026. Calculamos as participações dos veículos com e sem recarga externa. Não estimamos consumo elétrico, investimentos ou número de eletropostos necessários.

Fontes