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Ministérios

CNPE define roteiro para reduzir dependência de combustíveis fósseis

Resolução cria grupo interministerial e dá 270 dias para apresentar o Mapa do Caminho, com consulta pública e atenção a empregos e receitas.

Lula discursa ao lado de ministros diante de painel sobre a Política Nacional de Transição Energética.
Lula participa de reunião do Conselho Nacional de Política Energética em Brasília, em 26 de agosto de 2024.Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta sexta-feira (6) as diretrizes para reduzir gradualmente a dependência brasileira de combustíveis fósseis. Um grupo interministerial terá 270 dias para elaborar o Mapa do Caminho Nacional, prazo que poderá chegar a 360 dias com a prorrogação prevista.

A decisão não estabelece uma data para encerrar o uso de petróleo, gás ou carvão. Também não cria metas setoriais imediatas. O documento orienta o planejamento que deverá apresentar alternativas, custos e mecanismos de financiamento.

O que o governo decidiu

A resolução reúne 18 diretrizes. Elas incluem segurança energética, participação social, capacitação de trabalhadores e impactos sobre preços, emprego e receitas públicas. O grupo também examinará a adaptação de infraestruturas e o alinhamento de subsídios e incentivos.

Roteiro terá até 360 dias, incluída a prorrogação Principais pontos aprovados pelo CNPE nesta sexta-feira

Item Decisão
Diretrizes para o Mapa do Caminho 18
Prazo inicial de elaboração 270 dias
Prorrogação possível 90 dias
Horizonte do Plano Nacional de Transição Energética 4 anos

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Elaboração: redação.

O Ministério de Minas e Energia coordenará os trabalhos. Casa Civil, Fazenda e Meio Ambiente participarão do grupo. A construção do mapa terá consulta pública e poderá ouvir empresas, especialistas e organizações da sociedade civil.

Na mesma reunião, o CNPE aprovou o Plano Nacional de Transição Energética (Plante). O plano reúne ações para os próximos quatro anos e deverá respeitar a construção do Mapa do Caminho. Um é o programa de trabalho mais próximo; o outro indicará a rota de longo prazo.

A conta começa pelos transportes

O Brasil parte de uma matriz elétrica majoritariamente renovável, mas a dependência fóssil não desaparece com hidrelétricas, usinas eólicas e painéis solares. A matriz energética também inclui combustíveis usados em veículos, indústrias e residências.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, fontes renováveis representaram 49,5% da matriz energética brasileira em 2025. Na eletricidade, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mediu participação de 86,8%. Os recortes diferentes explicam por que a geração limpa não resolve sozinha o problema.

Os transportes respondem pela maior parte das emissões associadas à energia. Foram 220,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente em 2025, de um total de 440,2 milhões. Isso representa 50,2%, segundo cálculo da redação com dados da EPE.

Por isso, o Mapa do Caminho precisará tratar de combustíveis líquidos e de alternativas para a circulação de pessoas e cargas. A resolução não apresenta ainda a participação prevista para eletrificação, biocombustíveis ou outras tecnologias. Essas escolhas ficam para os estudos e a consulta pública.

O que diz o governo: o Ministério do Meio Ambiente afirma que a transição deve ser justa e planejada, sem comprometer abastecimento, atividade produtiva e bem-estar. A pasta informa que o grupo avaliará inclusive a criação de um Fundo para a Transição Energética.

O que fica aberto

O prazo começará a contar somente após a designação dos integrantes do grupo. Portanto, os 270 dias ainda não têm uma data final no calendário. A eventual prorrogação de 90 dias também dependerá de decisão posterior.

Os próximos documentos precisarão mostrar quem arcará com investimentos e como trabalhadores serão preparados. Também terão de detalhar os efeitos sobre estados e municípios que dependem de receitas ligadas ao petróleo. Sem esses números, a resolução define uma direção, mas não permite medir o custo da transição.

A soberania energética aparece como critério explícito da decisão. Na prática, isso exigirá conciliar abastecimento nacional, industrialização e redução de desigualdades. O resultado dependerá das metas e dos recursos apresentados.

Como fizemos: conferimos o comunicado do Ministério do Meio Ambiente e o Balanço Energético Nacional 2026, acessados em 6/11/2026. Somamos 270 e 90 dias e dividimos as emissões dos transportes pelo total associado à energia, obtendo 50,2%. Não atribuímos ao CNPE metas de eliminação de combustíveis que ainda não foram definidas.

Fontes