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Eleições

Flávio ataca Nunes Marques e repete suspeita sem prova

Em entrevista publicada neste sábado, senador diz que presidente do TSE não sabe o que fala e volta a contestar o resultado sem apresentar evidências.

Flávio Bolsonaro discursa em um microfone no plenário da Câmara, cercado por outros parlamentares.
Flávio Bolsonaro discursa durante sessão conjunta do Congresso Nacional, em Brasília, em 21 de maio de 2026.Foto: Andressa Anholete / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a questionar a eleição sem apresentar provas em entrevista publicada neste sábado (7). Ao jornal The Washington Post, ele disse que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, “não sabe do que está falando” ao validar o pleito.

A conversa ocorreu na quinta-feira (5), em Aventura, na Flórida. O senador também afirmou que as instituições brasileiras “não funcionam mais”. A reportagem do jornal norte-americano registra que as autoridades brasileiras não encontraram irregularidades no resultado.

A dúvida genérica não altera a contagem

Flávio sustentou que ninguém poderia garantir com total certeza a ausência de fraude. “Nem eu, nem você, nem ninguém que está assistindo, e nem o presidente do TSE pode dizer com 100% de certeza de que não houve fraude”, declarou.

A afirmação não veio acompanhada de documento, indício de alteração de votos ou apontamento sobre uma seção eleitoral específica. O Estadão, ao reproduzir a entrevista, também informou que o senador fez as acusações sem apresentar provas.

O resultado oficial aponta uma diferença de 4.430.191 votos entre os dois candidatos. Esse é o cálculo entre os totais publicados pelo TSE depois da totalização de todas as seções.

Lula venceu o segundo turno por mais de 4,4 milhões de votos Resultado oficial da eleição presidencial de 25 de outubro de 2026

Candidato Votos Votos válidos
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 64.256.232 51,79%
Flávio Bolsonaro (PL) 59.826.041 48,21%
Diferença a favor de Lula 4.430.191 3,58 pontos percentuais

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral. Diferença calculada pela redação.

Nunes Marques anunciou o resultado em 25 de outubro. Três dias depois, afirmou que as eleições ocorreram dentro da “mais absoluta normalidade” e com respeito às regras legais e constitucionais.

O TSE também informa que observadores nacionais e internacionais tiveram acesso aos procedimentos de votação, auditoria e fiscalização. Esse acompanhamento não elimina o direito de contestar, mas reforça a necessidade de apresentar elementos concretos para sustentar uma acusação.

O novo ataque parte de quem perdeu a eleição

O presidente do TSE não é um adversário político indicado pelo governo reeleito. Kassio Nunes Marques chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) por indicação de Jair Bolsonaro, pai de Flávio. Essa origem torna o ataque especialmente relevante para a disputa política na direita.

O senador também disse ao Washington Post que Donald Trump estaria convencido de que o Brasil deixou de ser uma democracia plena. A declaração é atribuída por Flávio ao presidente norte-americano. Não representa uma constatação do jornal nem uma decisão de instituição internacional.

A entrevista amplia a ofensiva contra o sistema eleitoral iniciada depois da derrota. Até esta nova declaração, porém, o senador não apresentou evidência capaz de mudar os números oficiais ou justificar uma revisão judicial do pleito.

O que diz o TSE: Nunes Marques declarou em 28 de outubro que as eleições transcorreram com normalidade e respeito à Constituição. O tribunal afirma que a vontade da maioria foi legitimamente expressa nas urnas e mantém os totais oficiais divulgados.

O contraste central não está entre duas versões equivalentes. De um lado, há totais públicos e um resultado proclamado pela Justiça Eleitoral. Do outro, uma suspeita genérica repetida pelo candidato derrotado, sem novo documento na entrevista.

A soberania do voto depende exatamente dessa distinção. Contestações podem ser apresentadas e examinadas, mas precisam indicar fatos verificáveis. Sem esse suporte, a fala não altera a reeleição de Lula nem o trabalho de totalização reconhecido pelo TSE.

Como fizemos: conferimos a entrevista reproduzida pelo Estadão, a manifestação de Nunes Marques e os resultados oficiais do TSE, acessados em 7/11/2026. Subtraímos 59.826.041 de 64.256.232 e calculamos a diferença entre os percentuais. Não tratamos declarações de Flávio como evidência de fraude.

Fontes