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COP31 em Antalya: Brasil já prometeu cortar 59% a 67% até 2035

A COP31 vai de 9 a 20 de novembro, em Antalya, na Turquia. Veja o que já está definido, a meta climática do Brasil e o que ainda falta confirmar.

Vista aérea do parque da Expo 2016 em Antalya, com lago, jardins, cúpula azul e anfiteatro de cobertura branca, sob céu azul.
Vista aérea do sítio da Expo 2016, em Antalya, na Turquia, em foto de 2016.Foto: Hendric Stattmann / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

De 9 a 20 de novembro de 2026, a Turquia sedia a COP31, a conferência do clima da ONU, em Antalya. A data e o local constam do texto da própria ONU, publicado no site da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).

A sigla COP vem de “Conferência das Partes”, a reunião anual dos países que assinaram a Convenção do Clima da ONU. É lá que os governos negociam regras para conter o aquecimento global. Este texto separa o que já está definido do que ainda não foi confirmado.

Quem faz o quê

A Turquia recebe fisicamente a conferência e a cúpula de líderes em Antalya. Segundo comunicado do primeiro-ministro australiano, o país deve ser indicado para presidir a COP.

A Austrália fica com a presidência das negociações, em inglês “President of Negotiations”. Pelo mesmo comunicado, o país terá autoridade exclusiva sobre as negociações, do fim da COP30 até o fim da COP31. Na prática, a Turquia cuida da estrutura, e a Austrália conduz o debate sobre o texto.

O que o Brasil já prometeu

Em 13 de novembro de 2024, na COP29, em Baku, no Azerbaijão, o vice-presidente Geraldo Alckmin entregou ao secretário-executivo da ONU para o clima, Simon Stiell, a nova meta climática brasileira. Essa meta é a NDC, sigla de Contribuição Nacionalmente Determinada: o compromisso que cada país informa à ONU.

Segundo a Agência Gov, da EBC, a NDC prevê reduzir as emissões líquidas de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035, em comparação com 2005. Em toneladas, isso equivale a 850 milhões a 1,05 bilhão de toneladas de CO2 equivalente (CO2e). Essa unidade soma todos os gases que aquecem o planeta, e não só o gás carbônico.

Nem todos aplaudem a meta. Segundo a CNN Brasil, o Observatório do Clima, rede de entidades ambientalistas, considerou os números do Brasil pouco ambiciosos.

O que diz o governo brasileiro: Na NDC entregue na COP29, o país se compromete com a faixa de 59% a 67% até 2035. Segundo a Agência Gov, a meta se alinha ao objetivo de neutralidade climática até 2050.

O fundo das florestas

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês) foi criado na COP30, em Belém. A ideia é remunerar países com florestas tropicais para mantê-las de pé. Brasil e Indonésia prometeram US$ 1 bilhão cada, segundo a Climate Change News.

A meta inicial é captar US$ 10 bilhões de governos, como capital inicial, até o fim de 2026. Segundo o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, o fundo já tem US$ 7,3 bilhões de governos. A reportagem fala em falta de US$ 2,7 bilhões para a meta.

O que ainda não está confirmado

Relatos divergem sobre a presença do presidente Lula na COP31. Em 24 de agosto de 2026, ele aceitou o convite do presidente turco, Recep Erdoğan, segundo a Rádio Itatiaia. A mesma reportagem diz que a participação ainda precisa entrar na agenda oficial de novembro.

O título de outra reportagem, do Congresso em Foco, também fala em aceite do convite para participar. Até a data deste texto, não encontramos agenda oficial da viagem nem lista da delegação brasileira.

O que isso significa

Três pontos estão definidos: as datas, a sede e o papel da Austrália nas negociações. A meta brasileira de 2035 também já foi entregue. Ficam em aberto a presença de Lula, a composição da delegação e se o TFFF chega a US$ 10 bilhões até o fim de 2026.

Como fizemos: Usamos o texto da ONU sobre a COP31, os comunicados do governo australiano, a reportagem da Agência Gov sobre a NDC (13/11/2024), a reportagem da CNN Brasil (9/11/2024), a reportagem da Climate Change News sobre o TFFF (29/09/2026) e a da Rádio Itatiaia (24/08/2026), acessadas em 27/10/2026. Os US$ 7,3 bilhões e a falta de US$ 2,7 bilhões vêm do ministro e da reportagem, sem auditoria independente. A subtração de US$ 10 bilhões menos US$ 7,3 bilhões é nossa conta. Não localizamos a NDC publicada no gov.br nem a lista oficial da delegação brasileira.

Fontes