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Violência política: denúncias sobem 350% em outubro

Disque 100 passou de 20 para 90 registros; dias dos dois turnos concentraram 30% das chamadas, e o total eleitoral chegou a 189.

Janine Mello participa por telão de audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado.
Janine Mello participa por videoconferência de audiência sobre direitos humanos no Senado, em 30 de junho de 2025.Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O Disque 100 recebeu 90 denúncias de violência política entre 1º e 25 de outubro. Foram 20 em todo o mês de setembro. O volume mensal subiu 350%, mas a comparação entre os mesmos 25 dias mostra aumento ainda maior: 592,3%, de 13 para 90 registros.

Os dados foram divulgados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). O serviço telefônico recebe comunicações sobre violações de direitos. Uma denúncia não significa que o fato já tenha sido confirmado ou que alguém tenha sido condenado.

Duas comparações, dois resultados

A variação de 350% compara todo setembro com os primeiros 25 dias de outubro. Já o aumento de 592,3% usa o mesmo intervalo nos dois meses. Esse recorte elimina a diferença de duração e evita atribuir ao crescimento os cinco dias restantes de setembro.

Os dias de votação concentraram parte relevante das chamadas. Foram 19 denúncias em 4 de outubro, no primeiro turno, e oito em 25 de outubro, no segundo. Juntas, as duas datas somaram 27 registros, ou 30% do total recebido naquele período de outubro.

Mesmos dias revelam aumento maior que a comparação mensal Denúncias de violência política ao Disque 100 em setembro e outubro de 2026

Recorte Setembro Outubro Variação
Mês cheio de setembro contra 1º–25 de outubro 20 90 350%
De 1º a 25 nos dois meses 13 90 592,3%
Dias dos dois turnos de outubro — 27 30% das chamadas

Fonte: MDHC, divulgado pela Agência Brasil e pelo Brasil de Fato. Elaboração: redação.

O balanço eleitoral completo reúne 189 denúncias em setembro e outubro. São 110 comunicações ao Disque 100 nos dois meses, 38 recebidas por canais parceiros e 41 entregues por parlamentares e representantes partidários à ministra Janine Mello.

O Disque 100 responde por 58,2% do total. Canais parceiros representam 20,1%, e entregas diretas à ministra somam 21,7%. A distribuição mostra que o telefone concentra a maioria dos registros, mas quase dois em cada cinco chegaram por outros caminhos. Isso amplia a leitura sobre como a população procurou ajuda.

Para onde os casos foram encaminhados

Todos os registros foram encaminhados formalmente a órgãos de apuração e proteção. A lista inclui Ministério da Justiça, Polícia Federal, Defensoria Pública da União e Ministério Público. Também foram acionados o Ministério Público do Trabalho e a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão.

O encaminhamento não equivale a uma única investigação nem a um processo judicial. Cada órgão atua conforme sua atribuição e os fatos relatados. A Polícia Federal investiga crimes de competência federal, enquanto a Defensoria oferece assistência jurídica a quem não pode pagar.

Segundo o MDHC, os relatos abrangem violência política de gênero, violência política étnico-racial e violações ao direito de votar e ser votado. O ministério afirmou que a livre expressão política é direito constitucional fundamental para cidadania e democracia.

O que diz o MDHC: a pasta avaliou que os dados evidenciam elevação significativa dos registros e reforçam a importância de canais como o Disque 100. Todos os casos foram repassados aos órgãos competentes, conforme o balanço divulgado à imprensa.

O que o leitor pode fazer

O Disque 100 funciona como canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos. A pessoa pode relatar situações sofridas ou presenciadas. O serviço também recebe demandas pelo portal de serviços do governo federal, na página de denúncia de violações.

O aumento registra disposição de procurar o canal, mas não mede sozinho toda a violência política do país. O levantamento não informa quantos casos foram confirmados, nem apresenta distribuição estadual ou desfecho judicial no balanço divulgado.

A próxima informação relevante será o resultado dos encaminhamentos. Órgãos responsáveis precisam distinguir relatos comprovados, identificar responsáveis e adotar as providências cabíveis. Até essa apuração, os números devem ser chamados de denúncias, não de condenações ou crimes provados.

Como fizemos: conferimos os dados do MDHC publicados pela Agência Brasil e pelo Brasil de Fato, com acesso em 5/11/2026. Recalculamos (90 − 20) ÷ 20 = 350%, 27 ÷ 90 = 30% e 20 + 90 + 38 + 41 = 189. A taxa de 592,3% usa a base de 13 denúncias entre 1º e 25 de setembro.

Fontes