Drogas são 51,5% das apreensões da Operação Fronteira
Receita contabiliza R$ 29,5 milhões até as 19h de quarta, com R$ 15,2 milhões em entorpecentes e R$ 14,3 milhões em mercadorias.

A Operação Fronteira Receita Federal somava R$ 29,5 milhões em apreensões até as 19h de quarta-feira (4). Desse total, R$ 15,2 milhões correspondiam a entorpecentes e R$ 14,3 milhões a mercadorias ilegais. A ação começou na terça-feira (3) e passou por mais de 40 cidades.
Os entorpecentes representam 51,5% do valor informado. As mercadorias respondem pelos outros 48,5%. A divisão quase igual mostra que a operação combina fiscalização aduaneira e combate ao tráfico, sem que um componente domine amplamente o balanço.
O que compõe o balanço
A Receita mobilizou mais de 500 servidores, além de integrantes de órgãos parceiros. A operação registrou 15 prisões até o horário de corte dos dados. Prisão é uma medida cautelar ou decorrente de flagrante, não uma condenação judicial.
A fiscalização ocorre em fronteiras terrestres, portos, aeroportos, rodovias e transportadoras. O foco inclui contrabando, descaminho, tráfico de drogas, armas, fauna e flora. Descaminho é a entrada ou saída irregular de mercadorias sem o devido controle aduaneiro.
Entorpecentes e mercadorias dividem o valor quase igualmente Apreensões da operação até as 19h de 4 de novembro de 2026
| Categoria | Valor apreendido | Participação no total |
|---|---|---|
| Entorpecentes | R$ 15,2 milhões | 51,5% |
| Mercadorias ilegais | R$ 14,3 milhões | 48,5% |
| Total | R$ 29,5 milhões | 100% |
Fonte: Receita Federal. Percentuais calculados pela redação.
Em Campo Grande, servidores encontraram 76 quilos de cocaína escondidos em peças de maquinário agrícola. A droga foi avaliada em R$ 3 milhões. Em Guaíra, uma ação integrada apreendeu 534 quilos de maconha armazenados para distribuição.
Somente a apreensão de Campo Grande equivale a 10,2% do valor total do balanço. O caso mostra como uma única ocorrência pode influenciar os números iniciais. Por isso, a participação de cada categoria poderá mudar conforme a operação avançar e novas apreensões forem registradas.
Cooperação dentro e fora do país
No aeroporto de Viracopos, a Receita impediu a entrada de partes de armas. Os dados serão enviados à aduana dos Estados Unidos pelo Programa Desarma, acordo de troca de informações. Outra fiscalização no local encontrou 25 peças de armas em remessas internacionais.
A operação reúne Forças Armadas, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, polícias estaduais e guardas municipais. Também participam órgãos como Ibama, Ministério da Agricultura, Anac, Anatel e Anvisa. A coordenação permite combinar informações e competências diferentes.
No caso das aeronaves, a Receita intensificou a troca de dados com a Organização Mundial das Aduanas e forças armadas da Colômbia e do Peru. Uma aeronave de R$ 500 mil foi apreendida no Rio de Janeiro depois da constatação de adulteração do prefixo original.
O que diz a Receita: o secretário Robinson Barreirinhas afirmou que os pontos de fronteira são fundamentais para o comércio internacional e exigem vigilância. Ele destacou inteligência e cooperação no combate ao crime organizado e à entrada de produtos ilegais.
Comparação exige períodos iguais
Na edição de 2025, a operação apreendeu cerca de R$ 160 milhões em mercadorias e 3,5 toneladas de drogas. Foram 18 prisões em flagrante e 160 veículos apreendidos. Os números mostram o alcance da edição anterior, mas não permitem dizer que o resultado deste ano é menor.
O balanço atual cobre apenas os dois primeiros dias e ainda será atualizado. A Receita não apresenta na notícia uma previsão de encerramento nem metas comparáveis. Comparar R$ 29,5 milhões em dois dias com R$ 160 milhões de toda a edição anterior misturaria períodos diferentes.
Os próximos balanços deverão detalhar os totais finais e a distribuição por modal. Para avaliar efetividade, também será necessário acompanhar os desdobramentos judiciais, que não constam do levantamento atual. A comparação responsável dependerá desses dados consolidados e de períodos equivalentes de fiscalização.
Como fizemos: conferimos o balanço da Receita, acessado em 6/11/2026, com corte às 19h de 4/11. Somamos R$ 15,2 milhões e R$ 14,3 milhões e dividimos cada parcela por R$ 29,5 milhões. Calculamos também R$ 3 milhões ÷ R$ 29,5 milhões = 10,2%. Não comparamos diretamente os dois dias atuais com todo o período de 2025.



