Plano contra desmatamento reúne quatro frentes até 2030
Mapa aprovado pelo governo combina fiscalização, conservação e restauração; quedas variam de 15,3% a 71,2% entre os biomas.

O governo federal aprovou nesta sexta-feira (6) o Mapa do Caminho para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. A decisão ocorreu na sexta reunião ordinária do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), em Brasília.
O documento reúne quatro frentes: conservação e uso sustentável, restauração florestal, combate ao desmatamento ilegal e aos incêndios e redução da supressão legal de vegetação. A última frente prevê instrumentos econômicos, ainda sem valores detalhados na notícia oficial.
Quedas têm períodos e ritmos diferentes
Segundo o governo, a taxa anual de desmatamento caiu 71,2% na Amazônia Legal e 48,4% no Cerrado entre 2022 e 2026. Os dados são do Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Para os outros biomas, a comparação oficial cobre agosto de 2024 a julho de 2025 e os 12 meses anteriores. O Pantanal teve redução de 65,4%, enquanto a Mata Atlântica registrou 15,3%. Os períodos distintos impedem tratar os seis percentuais como um ranking anual uniforme.
Redução do desmatamento varia entre biomas e períodos Variação informada pelo governo federal em 6 de novembro de 2026
| Bioma | Redução | Comparação |
|---|---|---|
| Amazônia Legal | 71,2% | 2022 a 2026 |
| Pantanal | 65,4% | 12 meses até julho de 2025 |
| Cerrado | 48,4% | 2022 a 2026 |
| Pampa | 41,7% | 12 meses até julho de 2025 |
| Caatinga | 34,3% | 12 meses até julho de 2025 |
| Mata Atlântica | 15,3% | 12 meses até julho de 2025 |
Fonte: Casa Civil e Prodes/Inpe. Elaboração: redação.
O mapa parte de planos que já existem, como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e o programa equivalente no Cerrado. A novidade é a coordenação nacional de metas, financiamento, assistência técnica e tecnologia.
A proposta atende ao compromisso coletivo firmado no primeiro Balanço Global do Acordo de Paris. Esse balanço avalia o avanço dos países nas metas climáticas. O Brasil apresentará sua rota nacional na COP31, mas a implementação continuará dependendo de órgãos e governos dentro do país.
A conservação e a restauração aparecem ao lado da repressão ao desmatamento ilegal. Isso significa que o plano não se limita a autuações: também prevê apoio ao uso sustentável e recuperação de áreas degradadas. A nota oficial, porém, não estabelece quantos hectares deverão ser restaurados.
Execução poderá ser acompanhada
O CIM também aprovou o primeiro Relatório de Monitoramento do Plano Clima 2024–2035. As informações serão reunidas no IndicaClima, sistema do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para consulta pública da execução das políticas setoriais.
Esse acompanhamento será importante porque o anúncio não informa orçamento individual para cada frente nem metas intermediárias por bioma. Sem esses elementos, o percentual de 2030 ainda não permite medir quanto falta em área ou em recursos.
Na mesma reunião, o comitê definiu orientações para o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), mercado regulado de carbono. Também estabeleceu limites para transferências internacionais de resultados de mitigação: 50 milhões de toneladas de CO₂ equivalente entre 2026 e 2030 e 100 milhões entre 2031 e 2035.
O governo informou uma redução de cerca de 560 milhões de toneladas nas emissões líquidas entre 2022 e 2024. A queda é atribuída principalmente ao menor desmatamento. O dado integra relatórios que serão enviados à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
O que diz o governo federal: a Casa Civil afirma que o mapa acelera políticas existentes e coordena prioridades até 2030. As frentes, os resultados por bioma e as regras de carbono constam da nota oficial de 6 de novembro.
Os resultados serão apresentados na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31). No país, o teste será transformar a coordenação anunciada em fiscalização, restauração e assistência permanente. O IndicaClima deverá mostrar se a execução acompanha a meta.
Como fizemos: conferimos a nota da Casa Civil e a agenda do Planalto, acessadas em 7/11/2026. Ordenamos os percentuais por bioma e separamos os períodos para evitar comparações indevidas. Não calculamos metas físicas nem custos, ausentes na fonte.



