Agora
  1. Flávio ataca Nunes Marques e repete suspeita sem prova
  2. Lula estuda 40 ministérios e superaria recorde de Dilma
  3. Damares apoia Tereza e amplia disputa pela Presidência do Senado
  4. Sidônio nega pedido para deixar Secom após reportagem

Planalto

Plano contra desmatamento reúne quatro frentes até 2030

Mapa aprovado pelo governo combina fiscalização, conservação e restauração; quedas variam de 15,3% a 71,2% entre os biomas.

Vista aérea de clareiras e áreas queimadas ao redor de casas e trechos de floresta no Pará.
Áreas de desmatamento entre Gurupá e Melgaço, no Pará, durante sobrevoo realizado em novembro de 2013.Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

O governo federal aprovou nesta sexta-feira (6) o Mapa do Caminho para interromper e reverter o desmatamento e a degradação florestal até 2030. A decisão ocorreu na sexta reunião ordinária do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), em Brasília.

O documento reúne quatro frentes: conservação e uso sustentável, restauração florestal, combate ao desmatamento ilegal e aos incêndios e redução da supressão legal de vegetação. A última frente prevê instrumentos econômicos, ainda sem valores detalhados na notícia oficial.

Quedas têm períodos e ritmos diferentes

Segundo o governo, a taxa anual de desmatamento caiu 71,2% na Amazônia Legal e 48,4% no Cerrado entre 2022 e 2026. Os dados são do Programa de Monitoramento do Desmatamento por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Para os outros biomas, a comparação oficial cobre agosto de 2024 a julho de 2025 e os 12 meses anteriores. O Pantanal teve redução de 65,4%, enquanto a Mata Atlântica registrou 15,3%. Os períodos distintos impedem tratar os seis percentuais como um ranking anual uniforme.

Redução do desmatamento varia entre biomas e períodos Variação informada pelo governo federal em 6 de novembro de 2026

Bioma Redução Comparação
Amazônia Legal 71,2% 2022 a 2026
Pantanal 65,4% 12 meses até julho de 2025
Cerrado 48,4% 2022 a 2026
Pampa 41,7% 12 meses até julho de 2025
Caatinga 34,3% 12 meses até julho de 2025
Mata Atlântica 15,3% 12 meses até julho de 2025

Fonte: Casa Civil e Prodes/Inpe. Elaboração: redação.

O mapa parte de planos que já existem, como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e o programa equivalente no Cerrado. A novidade é a coordenação nacional de metas, financiamento, assistência técnica e tecnologia.

A proposta atende ao compromisso coletivo firmado no primeiro Balanço Global do Acordo de Paris. Esse balanço avalia o avanço dos países nas metas climáticas. O Brasil apresentará sua rota nacional na COP31, mas a implementação continuará dependendo de órgãos e governos dentro do país.

A conservação e a restauração aparecem ao lado da repressão ao desmatamento ilegal. Isso significa que o plano não se limita a autuações: também prevê apoio ao uso sustentável e recuperação de áreas degradadas. A nota oficial, porém, não estabelece quantos hectares deverão ser restaurados.

Execução poderá ser acompanhada

O CIM também aprovou o primeiro Relatório de Monitoramento do Plano Clima 2024–2035. As informações serão reunidas no IndicaClima, sistema do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para consulta pública da execução das políticas setoriais.

Esse acompanhamento será importante porque o anúncio não informa orçamento individual para cada frente nem metas intermediárias por bioma. Sem esses elementos, o percentual de 2030 ainda não permite medir quanto falta em área ou em recursos.

Na mesma reunião, o comitê definiu orientações para o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), mercado regulado de carbono. Também estabeleceu limites para transferências internacionais de resultados de mitigação: 50 milhões de toneladas de CO₂ equivalente entre 2026 e 2030 e 100 milhões entre 2031 e 2035.

O governo informou uma redução de cerca de 560 milhões de toneladas nas emissões líquidas entre 2022 e 2024. A queda é atribuída principalmente ao menor desmatamento. O dado integra relatórios que serão enviados à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.

O que diz o governo federal: a Casa Civil afirma que o mapa acelera políticas existentes e coordena prioridades até 2030. As frentes, os resultados por bioma e as regras de carbono constam da nota oficial de 6 de novembro.

Os resultados serão apresentados na 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP31). No país, o teste será transformar a coordenação anunciada em fiscalização, restauração e assistência permanente. O IndicaClima deverá mostrar se a execução acompanha a meta.

Como fizemos: conferimos a nota da Casa Civil e a agenda do Planalto, acessadas em 7/11/2026. Ordenamos os percentuais por bioma e separamos os períodos para evitar comparações indevidas. Não calculamos metas físicas nem custos, ausentes na fonte.

Fontes