Lula promete país desenvolvido em quatro anos
Declaração foi divulgada neste sábado; Banco Mundial coloca Brasil na renda média alta, com RNB per capita de US$ 10.550 em 2025.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que quer tirar o Brasil do estágio de país em desenvolvimento nos próximos quatro anos. A declaração foi dada na sexta-feira (6), durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), e divulgada neste sábado (7) pela Agência Brasil.
Lula associou a ambição às energias renováveis, aos minerais críticos e à atração de investimentos produtivos. O discurso, porém, não apresentou um indicador de chegada nem metas anuais para medir o cumprimento da promessa.
Uma referência possível para acompanhar a meta
O Banco Mundial classifica os países em quatro grupos de renda. O critério usa a renda nacional bruta (RNB) per capita, que soma a renda dos residentes, inclusive a recebida do exterior, e a divide pela população.
O Brasil está no grupo de renda média alta. Em 2025, a RNB per capita brasileira foi de US$ 10.550. A faixa de alta renda começa acima de US$ 14.375, uma diferença de US$ 3.825 em relação ao valor brasileiro.
A renda brasileira cresceu, mas segue abaixo da faixa de alta renda RNB per capita em dólares correntes, pelo método do Banco Mundial
| Ano ou referência | Valor por habitante |
|---|---|
| 2021 | US$ 8.060 |
| 2022 | US$ 8.440 |
| 2023 | US$ 9.310 |
| 2024 | US$ 9.930 |
| 2025 | US$ 10.550 |
| Referência de alta renda em 2026 | Acima de US$ 14.375 |
Fonte: Banco Mundial. A classificação vigente usa dados de 2025 e valores sujeitos a revisão. Elaboração: redação.
Entre 2021 e 2025, o valor nominal subiu 30,9%. Essa variação não representa diretamente ganho real de salários. O indicador é calculado em dólares correntes e usa uma média de taxas de câmbio para reduzir oscilações de curto prazo.
A linha de alta renda também muda todos os anos. Por isso, não é válido projetar que o Brasil só precisa repetir o crescimento recente para cruzar a faixa em determinada data. Câmbio, inflação internacional, população e revisões estatísticas influenciam o resultado.
A classificação ainda não resume tudo o que se entende por desenvolvimento. Uma média por habitante não mostra como a renda é distribuída. O próprio Banco Mundial reconhece que nenhuma medida isolada captura toda a complexidade do desenvolvimento.
O discurso combina investimento e proteção social
Na reunião, Lula voltou a exigir que novos centros de dados produzam a energia que consumirem. O argumento é preservar a oferta destinada à população enquanto o país atrai investimentos. Também defendeu agregar valor aos recursos naturais brasileiros.
Na área fiscal, o presidente afirmou que o ajuste não será feito à custa da população mais pobre. “A única coisa que ele [o mercado] tem que saber é que o pobre não pagará a conta. Não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício”, disse.
Ele também defendeu financiamento para ativos como ferrovias, estradas, pontes e aeroportos, desde que a dívida possa ser paga. O raciocínio distingue gasto corrente de investimento capaz de formar patrimônio público.
Lula atribuiu resultados do governo à negociação com um Congresso que classificou como adverso. Para o novo mandato, essa capacidade será necessária para transformar intenções em leis, créditos e políticas permanentes.
O que diz Lula: o presidente afirma querer unir responsabilidade fiscal e social, com investimento produtivo e proteção dos mais pobres. As declarações estão na cobertura da Agência Brasil e no relato do G1 sobre a reunião do CNPE.
A promessa de não transferir o ajuste aos pobres será testada em decisões concretas. Será preciso examinar salários, benefícios, serviços públicos e a distribuição de tributos no Orçamento. O resultado não aparece apenas na RNB per capita.
A nova ambição estabelece um horizonte político, mas ainda não um plano mensurável. Os próximos documentos do governo precisarão mostrar metas, prazos e custos. Sem isso, “país desenvolvido” permanece uma intenção ampla, aberta a interpretações diferentes.
Como fizemos: conferimos as declarações de Lula e consultamos a API do Banco Mundial e sua classificação de renda, acessadas em 7/11/2026. Calculamos a diferença de US$ 3.825 e a alta nominal de 30,9% entre 2021 e 2025. Não projetamos a travessia da faixa, cujo limite é revisto anualmente.
Fontes
- Lula quer levar Brasil à condição de país desenvolvido em quatro anos — Agência Brasil (acesso em 07/11/2026)
- Lula diz que pobre não pagará conta de ajuste — G1 (acesso em 07/11/2026)
- RNB per capita do Brasil, método Atlas — Banco Mundial (acesso em 07/11/2026)
- Classificação de países por renda — Banco Mundial (acesso em 07/11/2026)
- Lula em reunião do CNPE — Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0) (acesso em 07/11/2026)



