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Planalto

Lula promete país desenvolvido em quatro anos

Declaração foi divulgada neste sábado; Banco Mundial coloca Brasil na renda média alta, com RNB per capita de US$ 10.550 em 2025.

Lula fala em um palco, com ministros sentados e um painel sobre a política nacional de transição energética.
Lula participa de reunião do Conselho Nacional de Política Energética, em Brasília, em 26 de agosto de 2024.Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que quer tirar o Brasil do estágio de país em desenvolvimento nos próximos quatro anos. A declaração foi dada na sexta-feira (6), durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), e divulgada neste sábado (7) pela Agência Brasil.

Lula associou a ambição às energias renováveis, aos minerais críticos e à atração de investimentos produtivos. O discurso, porém, não apresentou um indicador de chegada nem metas anuais para medir o cumprimento da promessa.

Uma referência possível para acompanhar a meta

O Banco Mundial classifica os países em quatro grupos de renda. O critério usa a renda nacional bruta (RNB) per capita, que soma a renda dos residentes, inclusive a recebida do exterior, e a divide pela população.

O Brasil está no grupo de renda média alta. Em 2025, a RNB per capita brasileira foi de US$ 10.550. A faixa de alta renda começa acima de US$ 14.375, uma diferença de US$ 3.825 em relação ao valor brasileiro.

A renda brasileira cresceu, mas segue abaixo da faixa de alta renda RNB per capita em dólares correntes, pelo método do Banco Mundial

Ano ou referência Valor por habitante
2021 US$ 8.060
2022 US$ 8.440
2023 US$ 9.310
2024 US$ 9.930
2025 US$ 10.550
Referência de alta renda em 2026 Acima de US$ 14.375

Fonte: Banco Mundial. A classificação vigente usa dados de 2025 e valores sujeitos a revisão. Elaboração: redação.

Entre 2021 e 2025, o valor nominal subiu 30,9%. Essa variação não representa diretamente ganho real de salários. O indicador é calculado em dólares correntes e usa uma média de taxas de câmbio para reduzir oscilações de curto prazo.

A linha de alta renda também muda todos os anos. Por isso, não é válido projetar que o Brasil só precisa repetir o crescimento recente para cruzar a faixa em determinada data. Câmbio, inflação internacional, população e revisões estatísticas influenciam o resultado.

A classificação ainda não resume tudo o que se entende por desenvolvimento. Uma média por habitante não mostra como a renda é distribuída. O próprio Banco Mundial reconhece que nenhuma medida isolada captura toda a complexidade do desenvolvimento.

O discurso combina investimento e proteção social

Na reunião, Lula voltou a exigir que novos centros de dados produzam a energia que consumirem. O argumento é preservar a oferta destinada à população enquanto o país atrai investimentos. Também defendeu agregar valor aos recursos naturais brasileiros.

Na área fiscal, o presidente afirmou que o ajuste não será feito à custa da população mais pobre. “A única coisa que ele [o mercado] tem que saber é que o pobre não pagará a conta. Não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício”, disse.

Ele também defendeu financiamento para ativos como ferrovias, estradas, pontes e aeroportos, desde que a dívida possa ser paga. O raciocínio distingue gasto corrente de investimento capaz de formar patrimônio público.

Lula atribuiu resultados do governo à negociação com um Congresso que classificou como adverso. Para o novo mandato, essa capacidade será necessária para transformar intenções em leis, créditos e políticas permanentes.

O que diz Lula: o presidente afirma querer unir responsabilidade fiscal e social, com investimento produtivo e proteção dos mais pobres. As declarações estão na cobertura da Agência Brasil e no relato do G1 sobre a reunião do CNPE.

A promessa de não transferir o ajuste aos pobres será testada em decisões concretas. Será preciso examinar salários, benefícios, serviços públicos e a distribuição de tributos no Orçamento. O resultado não aparece apenas na RNB per capita.

A nova ambição estabelece um horizonte político, mas ainda não um plano mensurável. Os próximos documentos do governo precisarão mostrar metas, prazos e custos. Sem isso, “país desenvolvido” permanece uma intenção ampla, aberta a interpretações diferentes.

Como fizemos: conferimos as declarações de Lula e consultamos a API do Banco Mundial e sua classificação de renda, acessadas em 7/11/2026. Calculamos a diferença de US$ 3.825 e a alta nominal de 30,9% entre 2021 e 2025. Não projetamos a travessia da faixa, cujo limite é revisto anualmente.

Fontes