Centrão marca reunião para discutir distrital misto após a eleição
Partidos voltam a debater a eleição de deputados em 28 de outubro; modelo pode reduzir puxadores de voto e apertar espaço de legendas pequenas.

Partidos do Centrão marcaram para 28 de outubro, três dias depois do segundo turno, uma reunião sobre reforma política. A pauta principal é mudar a forma de eleger deputados federais e conter o crescimento de bancadas formadas por “puxadores de voto”.
A proposta que ganhou força é o distrital misto, modelo que combina votos em candidatos de distritos com vagas distribuídas pela lista dos partidos. O sistema proporcional atual, usado para a Câmara, considera a votação de cada legenda e de seus candidatos em todo o estado.
Três modelos na mesa
No distrital misto, metade das cadeiras seria preenchida pelos mais votados em distritos e a outra metade por nomes escolhidos nas listas partidárias. O eleitor teria dois votos, um para o representante local e outro para a legenda ou lista.
O distritão, defendido por parte dos parlamentares, elegeria apenas os candidatos mais votados. Partidos pequenos perderiam espaço porque a legenda deixaria de somar votos para alcançar o quociente eleitoral, cálculo que transforma votos em cadeiras.
Como os modelos distribuem as cadeiras Resumo da reunião divulgada pela CNN Brasil
| Modelo | Como preenche vagas | Efeito apontado na articulação |
|---|---|---|
| Proporcional atual | Votos da legenda e dos candidatos no estado | Mantém quociente e coligações proporcionais |
| Distrital misto | Metade distritos, metade listas partidárias | Reduz efeito dos puxadores de voto |
| Distritão | Mais votados individualmente | Pode reduzir espaço de partidos pequenos |
Fonte: CNN Brasil, reportagem de 19 de outubro. Elaboração: redação.
A reunião foi marcada depois de o Partido Liberal eleger a maior bancada da Câmara para 2027. A reportagem da CNN relaciona o movimento à tentativa de conter a perda de espaço do Centrão e ao fim do mecanismo que ajudou a ampliar a bancada do PL.
Ainda não há texto aprovado nem acordo entre os partidos. Um projeto apresentado em 2019 tramita na Câmara e recebeu apoio de parlamentares do Republicanos e do PSD. A mudança poderia ser feita por projeto de lei, sem emenda constitucional, segundo a apuração da CNN.
Isso não significa mudança imediata nas próximas eleições. O Congresso teria de votar o projeto, o presidente sancionar e a Justiça Eleitoral regulamentar a aplicação. A regra também precisaria respeitar a antecedência mínima exigida para alterações no processo eleitoral.
O que dizem os partidos: Líderes do Centrão defendem retomar a discussão depois do segundo turno, mas há resistências ao distrital misto. Parte dos parlamentares prefere o distritão, enquanto partidos menores temem perder representação, segundo a CNN Brasil.
O debate interessa a quem olha para a composição da Câmara em 2027. Alterar o sistema muda a forma de transformar votos em cadeiras, mas não resolve sozinho a fragmentação partidária nem define quem terá maioria para aprovar projetos.
Como fizemos: Conferimos a apuração da CNN Brasil publicada em 19 de outubro e consultamos as definições constitucionais do sistema proporcional. A tabela compara modelos descritos na reportagem, sem estimar quantas cadeiras cada partido ganharia. O projeto de 2019 ainda está em tramitação.



