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Congresso

Renegociação rural chega a 14% da previsão e pressiona MP

Contratos somam R$ 14,3 bilhões diante de expectativa de R$ 100 bilhões; bancada ruralista pede mudanças antes de 11 de novembro.

Pedro Lupion, de terno cinza e gravata vermelha, sentado em uma sala parlamentar.
Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, em imagem de 2017.Foto: Assembleia Legislativa do Paraná / Wikimedia Commons (domínio público)

As renegociações de dívidas rurais sob a Medida Provisória (MP) 1.376/2026 somavam R$ 14,3 bilhões até segunda-feira (26). O valor equivale a 14,3% da expectativa de R$ 100 bilhões citada pelo Ministério da Fazenda quando a medida foi editada.

Os números foram apresentados nesta terça-feira (27) durante reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), com dados do Banco Central. A bancada cobrou mudanças no relatório do deputado Paulo Pimenta (PT-RS) e quer acelerar a votação na comissão mista.

A diferença entre contratos e expectativa

A distância entre o valor contratado e a previsão inicial é de R$ 85,7 bilhões. A comparação não mede quantos produtores aderiram nem comprova que toda a expectativa será alcançada. Ela mostra quanto do potencial estimado ainda não virou operação.

A MP autoriza linhas para liquidar ou renegociar dívidas de crédito rural e Cédulas de Produto Rural (CPR). CPR é um título emitido pelo produtor em troca de financiamento, com pagamento associado à produção.

Contratação alcança 14,3% da expectativa do governo Valores em R$ bilhões, sem correção porque se referem ao mesmo período

Referência Valor Relação com a previsão
Expectativa do Ministério da Fazenda 100,0 100,0%
Contratado até 26 de outubro 14,3 14,3%
Diferença ainda não contratada 85,7 85,7%

Fonte: Banco Central e Ministério da Fazenda, conforme FPA e Agência Senado. Cálculos: redação.

As condições variam por categoria e dívida. Segundo a Agência Senado, os juros vão de 5% a 12% ao ano nos casos previstos. Agricultores familiares têm condições diferenciadas, e a quitação pode levar até oito anos.

Garantias viram o principal impasse

A FPA afirma que bancos têm exigido entrada de 15% da dívida e novas garantias em algumas operações. O presidente da frente, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), defende aproveitar as garantias dos contratos anteriores.

Esse relato vem da bancada e não significa que todas as instituições adotaram a mesma exigência. A MP também prevê um fundo privado garantidor. Esse mecanismo deve cobrir inadimplência e reduzir o risco dos bancos, com participação de produtores e instituições financeiras.

O relatório de Pimenta já foi apresentado em primeira versão. Lupion afirmou que as mudanças propostas não atendem ao setor. A FPA estuda alterar o texto na comissão ou apresentar voto em separado, posição divergente que pode ser levada à votação.

O que diz a FPA: Lupion declarou que a bancada trabalha para “aprovar um texto condizente com a necessidade do setor”. Segundo ele, as garantias oferecidas nas operações anteriores poderiam ser reutilizadas, desde que o banco pudesse executá-las se o novo acordo não fosse cumprido.

Dois prazos correm ao mesmo tempo

A medida tem validade até 11 de novembro, segundo a FPA. Para virar lei definitiva, precisa passar pela comissão mista, pela Câmara e pelo Senado. Se perder a validade, as regras deixam de produzir efeitos, ressalvadas as situações já consolidadas na forma da Constituição.

A Agência Senado informou que os interessados têm até 12 de novembro para contratar as operações. Isso torna o calendário especialmente apertado. Uma mudança no texto também pode alterar condições e exigir novas orientações aos bancos.

A discussão vai além do volume. O desenho final definirá quem consegue acessar o crédito, quais garantias serão exigidas e quanto risco ficará com o fundo. A comissão precisa votar o relatório antes que os plenários possam decidir.

Como fizemos: comparamos os R$ 14,3 bilhões informados pela FPA, com dados do Banco Central, à expectativa de R$ 100 bilhões registrada pela Agência Senado. Dividimos o primeiro valor pelo segundo e calculamos a diferença. Consultamos a tramitação da MP 1.376/2026 no Congresso. Os dados agregados não permitem medir adesão por produtor ou por instituição financeira.

Fontes