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Eleições

Lula e Flávio aceitam abrir sigilos, mas dados dependem de Mendonça

As campanhas acordaram abrir sigilos bancários e telefônicos até 23h59 de quinta (22). A divulgação depende de decisão do ministro André Mendonça, do TSE.

Fachada de vidro escuro do prédio do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília, com duas cúpulas brancas na frente, ao entardecer.
Fachada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, em foto de 29 de novembro de 2020.Foto: Roque de Sá / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na quinta-feira (22), as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro fecharam acordo para abrir, ao mesmo tempo, seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O sigilo bancário protege as movimentações em bancos. O fiscal protege dados da Receita Federal. O telefônico protege os registros de ligações. O prazo para entregar as autorizações terminou às 23h59 daquele dia.

Até as reportagens desta sexta-feira (23), nenhum dado tinha sido divulgado. Quem decide sobre a publicação é o ministro André Mendonça, relator do caso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O impasse começou no debate da TV Band, quando Lula desafiou Flávio a abrir os próprios sigilos. Em 20 de outubro, Lula protocolou no TSE um pedido para liberar os seus sigilos e os de familiares. A condição era que o adversário fizesse o mesmo. Flávio aceitou, mas com exigências.

Termos do acordo: o que cada campanha se compromete a abrir Pelo que relataram CNN Brasil e Brasil de Fato, em 22 e 23 de outubro de 2026

Item Lula Flávio
Sigilos Bancário, fiscal e telefônico Bancário, fiscal e telefônico
Tempo coberto 8 anos 8 ou 20 anos, conforme a fonte
Familiares e empresas Família e a L.I.L.S. Palestras Família e empresas em que é sócio ou administrador

Fontes: CNN Brasil e Brasil de Fato. Elaboração: redação.

As exigências de Flávio também entraram no acordo, e Lula as aceitou, segundo o Brasil de Fato. Flávio pediu os dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, segundo o Misto Brasil. Pediu também os gastos do cartão corporativo da Presidência e a agenda da primeira-dama, Janja. Por sua vez, Flávio concordou em abrir as mensagens que trocou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A primeira versão do acordo deixou de fora a Alcazar Holding, empresa de Madeira ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Lula pediu a inclusão, e o texto final cobre contas no Brasil e no exterior, inclusive a da empresa no Santander. Tomaz é investigado no STF por suspeita de lavagem de dinheiro, segundo o Misto Brasil. Flávio nega ter mantido contas com ele ou com suas empresas, segundo o Brasil de Fato.

Os relatos divergem sobre o período coberto. A CNN Brasil fala em 20 anos para Flávio e oito para Lula. O Brasil de Fato cita oito anos para os dois.

A campanha de Flávio diz que Lula não cumpriu a promessa. Segundo a CNN Brasil, ela afirmou: “Basta cumprir a promessa e abrir o cartão corporativo e as visitas do gabinete”. Deltan Dallagnol, indicado pela campanha de Flávio para revisar os documentos, prometeu que “vai ser cumprido tudo até meia-noite”, segundo o Brasil de Fato. A campanha de Lula diz ter entregue todos os dados a que tem acesso. Os registros do cartão corporativo, porém, não foram publicados, segundo a CNN Brasil.

O acordo só produz efeito para a divulgação depois que Mendonça decidir liberar os dados, segundo o Brasil de Fato. A petição pede que ele solicite os registros, no mesmo dia, ao Banco Central, aos bancos, à Receita Federal e às operadoras de telefonia. Não há data prevista para a decisão. As reportagens não descrevem Mendonça como mediador do acordo. Ele é o relator do pedido.

O que diz a campanha de Lula: Na petição ao TSE, a campanha afirmou: “Não se pede que o Tribunal defina o que cada candidato divulga, pois isso as partes já acordaram.” Segundo a CNN Brasil, é essa a posição do lado de Lula.

O que isso significa

O acordo fixa as regras, mas ainda não entrega nenhum dado. Os eleitores só terão os registros quando o TSE autorizar a divulgação. Ficam em aberto a decisão de Mendonça, o prazo de publicação e a explicação sobre a Alcazar Holding. O segundo turno acontece no domingo (25).

Como fizemos: Reunimos reportagens da CNN Brasil (publicadas em 22 e 23 de outubro de 2026), do Brasil de Fato e do Misto Brasil (22 de outubro), acessadas em 23 de outubro de 2026. Não lemos a petição no sistema do TSE e não falamos com as campanhas nem com o tribunal. Onde as reportagens divergem, dizemos. Não fizemos cálculos próprios.

Fontes