Lula e Flávio aceitam abrir sigilos, mas dados dependem de Mendonça
As campanhas acordaram abrir sigilos bancários e telefônicos até 23h59 de quinta (22). A divulgação depende de decisão do ministro André Mendonça, do TSE.

Na quinta-feira (22), as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro fecharam acordo para abrir, ao mesmo tempo, seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. O sigilo bancário protege as movimentações em bancos. O fiscal protege dados da Receita Federal. O telefônico protege os registros de ligações. O prazo para entregar as autorizações terminou às 23h59 daquele dia.
Até as reportagens desta sexta-feira (23), nenhum dado tinha sido divulgado. Quem decide sobre a publicação é o ministro André Mendonça, relator do caso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O impasse começou no debate da TV Band, quando Lula desafiou Flávio a abrir os próprios sigilos. Em 20 de outubro, Lula protocolou no TSE um pedido para liberar os seus sigilos e os de familiares. A condição era que o adversário fizesse o mesmo. Flávio aceitou, mas com exigências.
Termos do acordo: o que cada campanha se compromete a abrir Pelo que relataram CNN Brasil e Brasil de Fato, em 22 e 23 de outubro de 2026
| Item | Lula | Flávio |
|---|---|---|
| Sigilos | Bancário, fiscal e telefônico | Bancário, fiscal e telefônico |
| Tempo coberto | 8 anos | 8 ou 20 anos, conforme a fonte |
| Familiares e empresas | Família e a L.I.L.S. Palestras | Família e empresas em que é sócio ou administrador |
Fontes: CNN Brasil e Brasil de Fato. Elaboração: redação.
As exigências de Flávio também entraram no acordo, e Lula as aceitou, segundo o Brasil de Fato. Flávio pediu os dados de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, segundo o Misto Brasil. Pediu também os gastos do cartão corporativo da Presidência e a agenda da primeira-dama, Janja. Por sua vez, Flávio concordou em abrir as mensagens que trocou com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A primeira versão do acordo deixou de fora a Alcazar Holding, empresa de Madeira ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Lula pediu a inclusão, e o texto final cobre contas no Brasil e no exterior, inclusive a da empresa no Santander. Tomaz é investigado no STF por suspeita de lavagem de dinheiro, segundo o Misto Brasil. Flávio nega ter mantido contas com ele ou com suas empresas, segundo o Brasil de Fato.
Os relatos divergem sobre o período coberto. A CNN Brasil fala em 20 anos para Flávio e oito para Lula. O Brasil de Fato cita oito anos para os dois.
A campanha de Flávio diz que Lula não cumpriu a promessa. Segundo a CNN Brasil, ela afirmou: “Basta cumprir a promessa e abrir o cartão corporativo e as visitas do gabinete”. Deltan Dallagnol, indicado pela campanha de Flávio para revisar os documentos, prometeu que “vai ser cumprido tudo até meia-noite”, segundo o Brasil de Fato. A campanha de Lula diz ter entregue todos os dados a que tem acesso. Os registros do cartão corporativo, porém, não foram publicados, segundo a CNN Brasil.
O acordo só produz efeito para a divulgação depois que Mendonça decidir liberar os dados, segundo o Brasil de Fato. A petição pede que ele solicite os registros, no mesmo dia, ao Banco Central, aos bancos, à Receita Federal e às operadoras de telefonia. Não há data prevista para a decisão. As reportagens não descrevem Mendonça como mediador do acordo. Ele é o relator do pedido.
O que diz a campanha de Lula: Na petição ao TSE, a campanha afirmou: “Não se pede que o Tribunal defina o que cada candidato divulga, pois isso as partes já acordaram.” Segundo a CNN Brasil, é essa a posição do lado de Lula.
O que isso significa
O acordo fixa as regras, mas ainda não entrega nenhum dado. Os eleitores só terão os registros quando o TSE autorizar a divulgação. Ficam em aberto a decisão de Mendonça, o prazo de publicação e a explicação sobre a Alcazar Holding. O segundo turno acontece no domingo (25).
Como fizemos: Reunimos reportagens da CNN Brasil (publicadas em 22 e 23 de outubro de 2026), do Brasil de Fato e do Misto Brasil (22 de outubro), acessadas em 23 de outubro de 2026. Não lemos a petição no sistema do TSE e não falamos com as campanhas nem com o tribunal. Onde as reportagens divergem, dizemos. Não fizemos cálculos próprios.
Fontes
- Flávio e Lula formalizam aval para quebra de sigilos sem divulgar dados — CNN Brasil
- Flávio e Lula apresentarão aval para quebras de sigilo ao TSE — CNN Brasil
- Acordo assinado por Lula e Flávio Bolsonaro prevê divulgação simultânea de sigilos pelo TSE; Mendonça decide sobre liberação — Brasil de Fato
- Conheça os termos entre Lula e Flávio para quebra de sigilos — Misto Brasil
- Eleições Municipais 2020 (50662684186), fachada do TSE — Wikimedia Commons (CC BY 2.0)



