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Eleições

Flávio não reconhece vitória de Lula e anuncia pedido de anulação

Flávio Bolsonaro disse que não reconhece o resultado do segundo turno e citou a decisão de Zanin sobre a votação. Nenhum pedido foi confirmado até agora.

Senador Flávio Bolsonaro, de terno cinza e gravata amarela, com um broche no paletó, fala em um corredor com o fundo desfocado.
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concede entrevista, em foto de arquivo.Foto: Edilson Rodrigues / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na noite de domingo (25), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que não reconhece o resultado do segundo turno. Ele anunciou que vai pedir a anulação da eleição. Lula (PT) foi reeleito presidente.

Com 100% das seções apuradas, Lula teve 64.256.232 votos válidos, ou 51,79%. Flávio teve 59.826.041, ou 48,21%, segundo a Gazeta do Povo. Votos válidos são os votos dados aos candidatos, sem brancos e nulos. Pela conta desses totais, a diferença é de 4.430.191 votos.

O que Flávio disse

Flávio falou por volta das 22h40. Segundo a Gazeta do Povo, ele afirmou: “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram.” Depois, completou: “Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições.”

O alvo principal foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). Às 17h01, ele estendeu a votação até as 19h, a pedido da coligação de Lula. Uma reportagem da TNH1 diz que a decisão foi conjunta com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O InfoMoney atribui a decisão apenas a Zanin.

Flávio disse que a mudança quebrou a igualdade entre eleitores de cidades diferentes. Lembrou que Zanin já foi advogado de Lula. Também afirmou que “os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre”, onde ficam guardados os dados da votação. A Gazeta do Povo registra a afirmação como dele, sem verificação independente.

Os outros pedidos de prorrogação

A campanha de Flávio também pediu mais tempo de votação. Segundo o Metrópoles, o pedido valia para municípios de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por causa de chuvas. A campanha de Lula pediu duas horas a mais em cidades da Bahia, por problemas no transporte público, segundo O Povo.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, negou que a decisão tenha alterado o resultado. Ele disse: “não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial”. Segundo o Poder360, o tribunal afirmou que a extensão valeu só para seções que ainda estavam abertas às 17h. Não encontrei resposta específica do TSE sobre a alegação dos fiscais.

Anunciar não é protocolar

Até a última atualização das reportagens consultadas, nenhuma confirmava que um pedido foi apresentado à Justiça Eleitoral. A Rádio Senado informa apenas que Flávio anunciou a medida. Não encontrei registro de petição no TSE.

Pelo Código Eleitoral, é nula a votação realizada em dia, hora ou local diferentes do designado, segundo a Gazeta do Povo. Mas a irregularidade só é relevante se o candidato provar prejuízo. A advogada e professora de direito eleitoral Marilda Silveira considera a anulação “quase impossível”. Para o advogado Arthur Rollo, reverter o resultado é “dificílimo”, porque o TSE não tem precedente de cassação do mandato de um presidente eleito.

Não encontrei declaração pública da campanha de Lula sobre o pedido de anulação. O deputado André Janones (Rede-MG), aliado de Lula, escreveu que vai “tomar as ruas para denunciar a tentativa de golpe”, segundo O Povo.

O que diz Flávio Bolsonaro: Ele afirmou que “é impossível reconhecer o resultado” e que a campanha vai pedir a anulação, por causa da decisão de Zanin e dos fiscais do PL retirados da sala-cofre (Gazeta do Povo, 25/10/2026). O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), chamou a decisão de “vergonhosa e intempestiva”, segundo O Povo.

O que fica em aberto

Por ora, o que existe é um anúncio de contestação. Falta um pedido formal e a prova do prejuízo alegado. Os números também pesam: a diferença de mais de 4,4 milhões de votos é um obstáculo que a Gazeta do Povo e os especialistas ouvidos citam. Se o pedido for apresentado, a Justiça decidirá sobre ele.

Como fizemos: Usamos reportagens de 25 e 26/10/2026 da Rádio Senado, Gazeta do Povo, Poder360, InfoMoney, Metrópoles, O Povo e TNH1, acessadas em 26/10/2026. O painel de resultados do TSE não abriu no momento da consulta, então os totais vêm das reportagens. A diferença de votos é cálculo nosso a partir desses totais. A pesquisa encontrou apenas anúncio de pedido, não protocolo.

Fontes