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Eleições

Lula cresce em todos os estados e vira apenas em Minas

Petista somou 10,38 milhões de votos entre os turnos, mais que o dobro da vantagem final; Flávio perdeu votos em seis estados.

Fachada de vidro e concreto da sede do Tribunal Superior Eleitoral sob um céu com nuvens.
Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, fotografada em 15 de novembro de 2020.Foto: Roque de Sá / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Lula ganhou 10.379.615 votos entre o primeiro e o segundo turno, segundo os totais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O crescimento ocorreu nos 26 estados e no Distrito Federal e foi 2,34 vezes maior que sua vantagem final de 4.430.191 votos.

Flávio Bolsonaro também avançou no total nacional, mas em escala menor. Foram 3.721.773 votos adicionais. O senador perdeu votos em Maranhão, Acre, Amapá, Roraima, Amazonas e Tocantins, conforme a análise da Agência Brasil sobre os dados eleitorais.

O crescimento nacional superou a margem de vitória

No primeiro turno, Lula recebeu 53.876.617 votos. No domingo (25), chegou a 64.256.232. Flávio passou de 56.104.268 para 59.826.041 no mesmo período.

A comparação usa os votos nominais computados pelo TSE, sem estimativas ou projeções. Por isso, permite medir exatamente o avanço entre as duas votações.

A diferença entre os dois crescimentos foi de 6.657.842 votos. Esse número explica a mudança na posição nacional. Lula havia ficado 2.227.651 votos atrás no primeiro turno e terminou o segundo 4.430.191 votos à frente.

Lula avançou 6,66 milhões de votos mais que Flávio Comparação dos totais nacionais nos dois turnos, em milhões de votos

Candidato 1º turno 2º turno Crescimento
Lula 53,88 64,26 10,38
Flávio 56,10 59,83 3,72
Diferença entre avanços — — 6,66

Fonte: TSE. Valores arredondados; cálculos da redação com os totais exatos.

Esses números mostram que a virada resultou do avanço desigual entre os candidatos. Não indicam, por si sós, quantos eleitores mudaram de voto. O crescimento também pode incluir quem votou em outro candidato, estava ausente ou havia anulado o voto no primeiro turno.

Minas foi a única inversão estadual

Minas Gerais foi o único estado em que o líder mudou. Flávio terminou o primeiro turno com cerca de 5,7 milhões de votos, contra 5,1 milhões de Lula. No segundo, o petista alcançou aproximadamente 6,3 milhões, ante 6,2 milhões do adversário.

São Paulo registrou o maior aumento absoluto para Lula: cerca de 2,6 milhões de votos. Minas aparece em seguida, com mais de 1,1 milhão. No Rio de Janeiro, Lula somou mais de 872 mil, enquanto Flávio avançou pouco mais de 202 mil.

São Paulo lidera o crescimento absoluto de Lula Acréscimo de votos entre os turnos em três estados, em milhares

Estado Crescimento de Lula Crescimento de Flávio
São Paulo cerca de 2.600 não informado na análise
Minas Gerais mais de 1.100 não informado na análise
Rio de Janeiro mais de 872 pouco mais de 202

Fonte: Agência Brasil, com dados do TSE. A ausência de valores não representa crescimento zero.

Na outra ponta, Lula teve os menores avanços absolutos em Roraima, Acre e Amapá. Foram pouco mais de 9 mil, 9,7 mil e 10,4 mil votos, respectivamente. Comparar números absolutos mostra onde houve mais votos adicionais, não onde o crescimento proporcional foi maior.

O que diz o TSE: no balanço oficial, o tribunal confirmou 64.256.232 votos para Lula e 59.826.041 para Flávio no segundo turno. O presidente Kassio Nunes Marques afirmou que a Justiça Eleitoral tem competência exclusiva para gerir o processo eleitoral.

O mapa ajuda a ler o novo mandato

O avanço em todas as unidades da Federação dá amplitude territorial à vitória. Ao mesmo tempo, a mudança de liderança em apenas um estado mostra que o resultado não redesenhou todos os mapas locais.

Para o novo governo, os dados oferecem duas informações distintas. Lula ampliou sua base em todo o país, mas a disputa permaneceu competitiva em grandes colégios eleitorais. A leitura por região depende das taxas de crescimento e do comparecimento, não apenas dos votos absolutos.

Como fizemos: usamos os resultados nacionais do TSE nos dois turnos e a radiografia estadual publicada pela Agência Brasil. Subtraímos os totais do primeiro turno dos totais do segundo e calculamos as diferenças entre avanços. A divisão de 10.379.615 por 4.430.191 resulta em 2,34. Não inferimos migração individual de votos nem comparamos taxas estaduais sem os totais de eleitores.

Fontes