Agora
  1. Flávio ataca Nunes Marques e repete suspeita sem prova
  2. Lula estuda 40 ministérios e superaria recorde de Dilma
  3. Damares apoia Tereza e amplia disputa pela Presidência do Senado
  4. Sidônio nega pedido para deixar Secom após reportagem

Ministérios

Itamaraty acusa Milei de tentar interferir na eleição brasileira

Nota reage a ataques do presidente argentino às urnas e ao Judiciário; crise diplomática ocorre a quatro dias do segundo turno.

Palácio Itamaraty, em Brasília, visto sob chuva, com o espelho d’água e os jardins em primeiro plano.
Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, que divulgou nota contra declarações de Javier Milei.Foto: Boaventuravinicius / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na terça-feira (20), o Ministério das Relações Exteriores classificou como “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa” os ataques de Javier Milei ao sistema eleitoral brasileiro. O presidente argentino insinuou fraude no segundo turno, marcado para domingo (25), e chamou Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão” em uma publicação na rede X.

A nota do Itamaraty foi divulgada na semana da votação. O episódio mistura uma disputa eleitoral interna com a relação entre dois países que dividem fronteira, comércio e o Mercosul.

O que a nota diz

Segundo a chancelaria, as ofensas foram dirigidas ao Poder Judiciário e ao voto eletrônico. O ministério afirmou que a decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente aos brasileiros, sem interferência externa.

A manifestação não convocou o embaixador argentino nem anunciou sanção. Em diplomacia, uma nota de repúdio é uma forma pública de registrar a posição do governo e pode ser seguida por uma convocação, uma reunião bilateral ou silêncio, conforme a avaliação do Itamaraty.

A crise em quatro movimentos Declarações e respostas registradas em 2026

Momento Ato Autor
20/10 Publicação que insinua fraude e ataca Lula Javier Milei
20/10 Nota de repúdio e acusação de ingerência Itamaraty
25/10 Segundo turno presidencial brasileiro Eleitorado brasileiro
Após a eleição Possíveis gestões diplomáticas Governos dos dois países

Fonte: Itamaraty, Agência Brasil e CNN Brasil. Elaboração: redação.

A Argentina é um dos principais parceiros comerciais do Brasil e os dois países participam do Mercado Comum do Sul (Mercosul). Por isso, crises políticas não ficam restritas às redes sociais. Uma deterioração prolongada pode atingir negociações, reuniões de ministros e coordenação em fronteiras.

O contexto também é eleitoral. Milei é aliado declarado da família Bolsonaro e participou da convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato. A nota brasileira, porém, não citou a campanha do PL nem atribuiu ao argentino uma operação organizada para alterar votos.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou, no primeiro turno, que não identificou alerta concreto de interferência estrangeira. A acusação do Itamaraty agora se refere ao discurso público de um chefe de Estado, não a uma prova de manipulação das urnas.

O que diz o Itamaraty: O ministério afirmou que as declarações de Milei são incompatíveis com a postura esperada de um chefe de Estado de país amigo e constituem tentativa de ingerência externa, segundo a nota reproduzida pela Agência Brasil.

O próximo passo depende da reação argentina e da condução do governo que sair das urnas. A diplomacia brasileira terá de defender a legitimidade do resultado sem transformar uma troca de ofensas em ruptura de uma relação estratégica.

Como fizemos: Conferimos a nota do Itamaraty e as reportagens da Agência Brasil e da CNN Brasil publicadas em 20 e 21 de outubro. A tabela organiza atos públicos e não presume consequências diplomáticas que ainda não foram anunciadas. Não tratamos a acusação de ingerência como prova de fraude ou de alteração do resultado eleitoral.

Fontes