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Vacinação contra sarampo mobiliza quatro municípios do Amazonas

Ação conjunta na fronteira ocorre neste sábado; estado reúne 21 dos 65 casos importados do Brasil, e Peru receberá 500 mil doses.

Barcos e passarelas de madeira no porto de Tabatinga, no Amazonas.
Porto de Tabatinga, um dos quatro municípios amazonenses com mobilização neste sábado, em registro de 22 de fevereiro de 2024.Foto: Ridiculopathy / Wikimedia Commons (CC0 1.0)

Brasil, Peru e Colômbia realizam neste sábado (7) uma mobilização conjunta de vacinação contra o sarampo na tríplice fronteira. No lado brasileiro, a ação alcança Tabatinga, Benjamin Constant, São Paulo de Olivença e Atalaia do Norte, no Amazonas.

Os quatro municípios concentram 21 dos 65 casos importados confirmados no Brasil em 2026. Isso equivale a 32,3% do total nacional. O Ministério da Saúde informa que o país segue sem circulação endêmica, ou seja, sem transmissão sustentada do vírus em território nacional.

Casos se concentram na faixa de fronteira

Tabatinga tem nove registros, e Benjamin Constant tem seis. São Paulo de Olivença soma quatro, enquanto Atalaia do Norte registra dois. A distribuição explica a escolha dos municípios para o bloqueio vacinal, estratégia que intensifica a imunização ao redor de casos identificados.

Quatro municípios reúnem 32,3% dos casos importados do país Casos confirmados de sarampo em 2026, segundo o Ministério da Saúde

| Município amazonense | Casos confirmados | |—|—:|—:| | Tabatinga | 9 | | Benjamin Constant | 6 | | São Paulo de Olivença | 4 | | Atalaia do Norte | 2 | | Total | 21 |

Fonte: Ministério da Saúde e Agência Brasil. Elaboração: redação.

O Brasil recuperou em 2024 a condição de país livre da circulação endêmica. O reconhecimento havia sido perdido em 2019, quando o país superou 20 mil casos. Os 65 registros deste ano são classificados como importados, sem mudança dessa condição.

Vacinação chega a portos e comunidades

As equipes atendem em unidades de saúde, portos, feiras, escolas e estabelecimentos comerciais. Também fazem visitas domiciliares. A ação inclui comunidades indígenas, ribeirinhas e de difícil acesso, com apoio de distritos sanitários indígenas e Casas de Saúde Indígena.

Nos quatro municípios, todas as pessoas a partir de 6 meses podem receber a vacina, independentemente do histórico vacinal. Crianças de 6 a 11 meses e 29 dias recebem a dose zero. Essa dose não substitui as previstas no calendário de rotina.

A cobertura de 2025 mostra por que a mobilização reforça a segunda dose. No Amazonas, os índices foram 89,7% na primeira e 76% na segunda. No país, foram 93,15% e 78,61%, respectivamente. O estado ficou 2,61 pontos percentuais abaixo da média nacional na segunda dose.

A cooperação também ultrapassa a fronteira. O Ministério da Saúde disponibilizou 500 mil doses da vacina tríplice viral ao Peru, com envio previsto para os próximos dias. O país vizinho registra mais de 2 mil casos em 2026. A Colômbia confirmou 17.

A tríplice viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Segundo a pasta, a resposta regional combina vacinação, busca ativa e vigilância epidemiológica. Esse último trabalho monitora casos e contatos para conter a propagação.

O que diz o Ministério da Saúde: Eder Gatti, diretor do Departamento do Programa Nacional de Imunizações, afirmou que a mobilização cria “uma importante barreira de proteção”. Segundo ele, a ação busca proteger o Alto Solimões e todo o país, em nota publicada neste sábado.

O próximo marco será o envio das doses ao Peru. No Brasil, o resultado imediato dependerá do alcance das equipes nos pontos de circulação e nas visitas domiciliares. A nota oficial não informa uma meta de pessoas a vacinar neste sábado.

Manter a ausência de transmissão sustentada exige que a proteção alcance também quem vive longe das unidades fixas. A concentração dos casos e a cobertura menor na segunda dose tornam a fronteira uma prioridade concreta da vigilância nacional.

Como fizemos: conferimos a nota do Ministério da Saúde e a reportagem da Agência Brasil, acessadas em 7/11/2026. Somamos os casos dos quatro municípios e dividimos 21 por 65, obtendo 32,3%. Calculamos a diferença de 2,61 pontos percentuais na cobertura da segunda dose. Não estimamos vacinados nem tratamos casos importados como circulação endêmica.

Fontes