Agora
  1. Flávio ataca Nunes Marques e repete suspeita sem prova
  2. Lula estuda 40 ministérios e superaria recorde de Dilma
  3. Damares apoia Tereza e amplia disputa pela Presidência do Senado
  4. Sidônio nega pedido para deixar Secom após reportagem

Orçamento

Congresso mantém R$ 6,6 bi para subsídios de combustíveis

Ato prorroga por 60 dias a MP 1.389, que reserva R$ 5,607 bilhões ao diesel rodoviário e R$ 998 milhões a outros derivados.

Posto de combustíveis da BR no Rio de Janeiro, com bombas e veículos.
Posto de combustíveis no Rio de Janeiro; a medida provisória prorrogada financia subsídios a derivados de petróleo.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC0 1.0)

O presidente da Mesa do Congresso, Davi Alcolumbre, prorrogou por 60 dias a Medida Provisória (MP) 1.389/2026. O ato foi assinado em 5 de novembro e publicado no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (6).

A MP abriu crédito extraordinário de R$ 6,605 bilhões para o Ministério de Minas e Energia. O dinheiro fica destinado a subvenções para a produção e a importação de combustíveis derivados de petróleo, com execução pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Quase 85% do crédito está ligado ao diesel

A maior parte do valor, R$ 5,607 bilhões, foi reservada ao óleo diesel de uso rodoviário. O restante, R$ 998 milhões, pode financiar subvenções a outros combustíveis derivados de petróleo.

Destinação do crédito Valor Participação
Diesel rodoviário R$ 5,607 bi 84,9%
Outros derivados de petróleo R$ 998 mi 15,1%
Total da MP 1.389 R$ 6,605 bi 100%

Fonte: Medida Provisória nº 1.389/2026. Percentuais calculados pela redação.

A divisão mostra o foco principal da autorização: o transporte rodoviário. O diesel é usado em caminhões, ônibus e máquinas que movimentam alimentos, encomendas e serviços. O crédito, portanto, afeta uma cadeia maior que a bomba do posto.

A prorrogação não libera um novo crédito. Ela mantém a MP em vigor por mais 60 dias, enquanto o Congresso conclui a análise. A Comissão Mista de Orçamento recebeu relatório favorável do senador Eduardo Braga, segundo o sistema legislativo, mas a votação final ainda depende das duas Casas.

O que fica aberto no Congresso

Medidas provisórias têm força de lei desde a publicação, mas precisam ser aprovadas no prazo constitucional. Sem deliberação, perdem eficácia. A extensão evita que a autorização expire antes do fim da tramitação.

A MP 1.389 é diferente da MP 1.391, que criou regras para subvenção econômica ao diesel. A primeira abre o crédito extraordinário; a segunda define o mecanismo de apoio a produtores e importadores. A separação é necessária para não contar duas vezes o mesmo recurso.

O desenho também exige acompanhamento da ANP. A agência deve verificar os valores devidos e a aplicação da subvenção, conforme os documentos da medida provisória. O preço final ao consumidor depende da operação e das condições do mercado, não apenas do crédito autorizado.

O que diz o Congresso: o Ato nº 110/2026 apenas prorroga a vigência da MP 1.389 por 60 dias. A medida mantém a autorização de R$ 6,605 bilhões até que a deliberação legislativa seja concluída, conforme o registro oficial da matéria.

A decisão preserva uma reserva bilionária em um ano de transição energética e pressão sobre o custo do transporte. O próximo passo é a votação da MP. Até lá, a autorização segue válida, mas o gasto depende da execução e da fiscalização previstas no texto.

Como fizemos: conferimos a ficha da MP 1.389/2026 no Congresso Nacional, o Ato nº 110/2026 publicado em 6/11/2026 e o quadro de destinação do crédito. Calculamos R$ 5,607 bilhões ÷ R$ 6,605 bilhões = 84,9%. A análise não estima quanto foi efetivamente pago.

Fontes