Agora
  1. Flávio ataca Nunes Marques e repete suspeita sem prova
  2. Lula estuda 40 ministérios e superaria recorde de Dilma
  3. Damares apoia Tereza e amplia disputa pela Presidência do Senado
  4. Sidônio nega pedido para deixar Secom após reportagem

Orçamento

Nas grandes quedas, a Bolsa voltou ao topo em meses ou em décadas

Dados de Brasil, Estados Unidos e Japão mostram recuperações, mas em prazos muito diferentes. Não é recomendação de investimento.

Fachada de pedra do edifício-sede da B3, em São Paulo, com arcos de entrada e uma placa que diz Bovespa.
Entrada do edifício-sede da B3, na Rua XV de Novembro, em São Paulo, com as placas da antiga Bovespa.Foto: Wilfredor / Wikimedia Commons (CC0)

Em 23 de janeiro de 2020, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em 119.527 pontos, segundo a Suno Notícias. Em 23 de março, com a pandemia de covid-19 já espalhada, o índice caiu para 63.569,62 pontos, segundo a Money Times. A queda do pico ao fundo foi de cerca de 47%, cálculo da redação com esses dois fechamentos.

A recuperação foi rápida. No fim de dezembro de 2020, o índice voltou a fechar acima do recorde de janeiro, segundo a Safra. Foram cerca de 11 meses. Mas essa é só uma parte da história.

Quem pensa em comprar em uma queda quer saber o que aconteceu depois de outras quedas. Este texto reúne episódios com números de fontes públicas. Não é recomendação de compra, venda ou manutenção de nenhum ativo.

Japão e Estados Unidos têm prazos mais longos

O caso mais longo é o do Japão. O Nikkei 225, principal índice da Bolsa de Tóquio, fechou em 38.915,87 pontos em 29 de dezembro de 1989. Em março de 2009, fechou em 7.054,98 pontos, segundo a Nippon.com. Só em 22 de fevereiro de 2024 superou aquele recorde, cerca de 34 anos depois, segundo o Gulf News.

Nos Estados Unidos, a gestora Hartford, com dados da Ned Davis Research, registra 27 quedas de mercado de baixa (bear markets) no S&P 500 desde 1928. O S&P 500 é o índice das 500 maiores empresas listadas no país. Em média, essas quedas duraram 289 dias. Na lista de quedas de 20% ou mais desde 1929, a perda média foi de 35,24%.

Um estudo da Capital Group, publicado em 29 de agosto de 2025, analisou as 18 maiores quedas desde a Grande Depressão, iniciada em 1929. Em cada caso, o S&P 500 estava mais alto cinco anos depois, segundo o artigo. A Capital Group é uma gestora de fundos, e isso pesa na leitura do estudo.

Os limites: a queda pode continuar

O Brasil de 2008 mostra o outro lado. O Ibovespa chegou a 73.516 pontos em 20 de maio de 2008, seu recorde à época, segundo o InfoMoney. Em setembro, a crise financeira atingiu seu auge. O índice ainda caiu até outubro, quando chegou a 29.435 pontos, uma perda de cerca de 60%, segundo a mesma fonte.

Quem comprou antes de outubro de 2008 viu o índice cair mais. O Ibovespa só superou o recorde nominal de maio de 2008 em 11 de setembro de 2017, com fechamento de 74.319 pontos, segundo o Jornal do Brasil. Analistas ouvidos pelo jornal disseram que, descontadas a inflação e a variação do câmbio, o índice ainda estava abaixo do nível de 2008.

A queda de 2002 também mostra limites. Segundo a Exame, o Ibovespa estava perto de 14 mil pontos em 20 de março de 2002. Caiu sem interrupção até 8.997 pontos no início de outubro, uma perda de 36,14%. O mercado temia a vitória de Lula, segundo a mesma reportagem.

A eleição de 2022 foi diferente. No primeiro pregão após o segundo turno, em 31 de outubro de 2022, o Ibovespa subiu 1,31%, para 114.632 pontos, segundo a Exame. Nem toda eleição termina em pânico. A reação depende do contexto e do que o mercado espera.

Três episódios, três prazos de volta

Quedas do pico ao menor nível citado, com tempo até o novo recorde de fechamento. Níveis de fechamento citados por reportagens.

Episódio Período da queda Queda Tempo do pico ao novo recorde
Ibovespa, 2008 mai./2008 a out./2008 cerca de 60% cerca de 9 anos e 4 meses
Ibovespa, 2020 jan./2020 a mar./2020 cerca de 47% cerca de 11 meses
Nikkei 225, 1989 dez./1989 a mar./2009 cerca de 82% cerca de 34 anos

Fontes: InfoMoney, Suno Notícias, Money Times, Safra, Jornal do Brasil, Nippon.com. Quedas e prazos: cálculo da redação.

O que diz a Capital Group: em estudo publicado em 29 de agosto de 2025, a gestora afirma que, nas 18 maiores quedas desde a Grande Depressão, o S&P 500 estava mais alto cinco anos depois em todos os casos.

O que isso significa

Nos casos estudados, as grandes quedas acabaram em recuperação. Mas o tempo variou de menos de um ano a mais de três décadas. O exemplo de 2008 mostra que a queda pode continuar depois do primeiro tombo.

Os dados têm limites. São poucos episódios, a maioria americanos ou japoneses. Os índices estudados também são os que sobreviveram até hoje. Ninguém identifica o fundo com antecedência, e um pânico pode se aprofundar.

Ativos podem perder valor. Rentabilidade passada não garante resultado futuro. Este texto não é recomendação de investimento, nem de compra, venda ou permanência em qualquer ativo.

Como fizemos: Usamos níveis de fechamento do Ibovespa e do Nikkei 225 citados por InfoMoney, Money Times, Suno Notícias, Safra, Exame, Jornal do Brasil, Gulf News e Nippon.com, acessados em 26/10/2026. Quedas e prazos são cálculos da redação a partir desses níveis; quando a fonte cita mínima intradiária, a queda real pode ser diferente. Os dados de quedas nos EUA vêm da Hartford e não foram recalculados. Os números do pregão de 26/10/2026 não entraram, porque não foram confirmados nas fontes consultadas.

Fontes