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Orçamento

Em 2008 e 2020, a bolsa caiu mais após os primeiros choques

Em 2008 e 2020, o Ibovespa caiu cerca de 60% e 47% do pico ao fundo, e quedas seguiram após o primeiro choque; ativos podem perder valor.

Ilustração abstrata em cores da marca, sem pessoas nem logotipos, usada como imagem provisória.
Imagem provisória. A foto definitiva da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) será incluída.Ilustração: Imagem provisória

Em 26 de outubro de 2026, o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. O Ibovespa é o principal índice da B3, a bolsa de São Paulo, e reúne as ações mais negociadas do país. O pregão foi o primeiro depois da reeleição de Lula, com 51,79% dos votos válidos.

Uma queda forte não mostra se o pior já passou. Em 9 de outubro, o índice tinha fechado em recorde, aos 209.066,90 pontos. Até o fechamento de 26 de outubro, a perda foi de 15,5%, cálculo da redação. A bolsa brasileira já teve quedas que continuaram depois do primeiro choque.

Pico e fundo em três crises, e o momento atual Pontos de fechamento, com a queda do pico ao fundo; 2026 até 26/10

Episódio Pico Fundo Queda
2008, crise global 73.516 (20/05/2008) 29.435 (out/2008) cerca de 60%
2015, crise fiscal 58.051 (05/05/2015) 43.199 (21/12/2015) 25,6%
2020, pandemia 119.527 (23/01/2020) 63.570 (23/03/2020) 46,8%
2026, eleição 209.067 (09/10/2026) 176.608 (26/10/2026, até aqui) 15,5% até agora

Fonte: Agrolink, Banco Central, Istoé Dinheiro, Money Times, InfoMoney, Suno. Quedas calculadas pela redação. Elaboração: redação.

Quedas que continuaram

O Ibovespa chegou a 73.516 pontos em 20 de maio de 2008, segundo o Agrolink. Depois, a queda veio em ondas. A B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe o pregão após quedas fortes, em 6, 10, 15 e 22 de outubro, segundo o portal DOL. Em 15 de outubro, o índice caiu 11,39%. Em 22, caiu 10,18%.

Em outubro, o índice chegou a 29.435 pontos, perda de cerca de 60% desde maio. A coluna do Agrolink não informa o dia desse menor nível.

Quem comprou em 5 de novembro, já depois desse fundo, viu nova queda. Naquele dia, o índice fechou em 37.785 pontos, após queda de 6,13%, segundo o Diario Financiero, do Chile. Em 18 de novembro, chegou a 34.094 pontos, cerca de 10% abaixo. Ao fim de 2008, a B3 registrou 37.550 pontos, ainda abaixo do nível de 5 de novembro, sem contar dividendos (pagamentos aos acionistas).

Em 2020, a sequência foi mais curta. Em 9 de março, a bolsa parou na abertura e fechou em queda de 12,17%, a pior do século, segundo o DOL. Em 11 de março, o circuit breaker voltou a ser acionado, com o índice 10,11% abaixo no meio do pregão, segundo A Gazeta. Em 12 e 16 de março, as quedas de fechamento foram de 14,78% e 13,92%, segundo o Investing.com.

Em 23 de março, o índice fechou em 63.569,62 pontos, segundo a Money Times. O nível ficava 46,8% abaixo do recorde de 23 de janeiro, de 119.527 pontos, segundo o Istoé Dinheiro. Março fechou com queda de 29,91%, o pior mês desde agosto de 1998, segundo a InfoMoney. Em 31 de março, o índice estava em 73.019 pontos, cerca de 15% acima daquele nível, cálculo da redação.

Em 2015, a queda foi mais lenta. Segundo o Banco Central, o Ibovespa chegou a 58.051 pontos em 5 de maio e caiu a 43.199 em 21 de dezembro. O ano fechou em 43.349 pontos, queda de 13,31%, enquanto o dólar subiu 48,5%, segundo a InfoMoney.

O que dizem os analistas hoje

Segundo a InfoMoney, o JP Morgan projeta queda de cerca de 20% nos próximos dias. O banco diz, segundo a BP Money, que o ajuste não aconteceria de uma vez. O Morgan Stanley fala em correção, ou seja, queda de preços, de 20% a 30%. O BTG Pactual cita cerca de 170 mil pontos. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, afirma: “Considero elevado o risco de uma correção mais profunda.”

Há visões opostas. Rohan Daswani, da Gavekal Research, trata a correção como “oportunidade de compra”. Guilherme Abbud, da Persevera Asset Management, avalia que o pânico pode ampliar as quedas além do que justificam os números das empresas e da economia.

O que a história mostra não é uma regra. Em 2008 e 2020, nenhum primeiro choque anunciou o fundo que viria depois. Em 2026, a projeção de nova queda é uma hipótese de analistas, e as próximas sessões vão testá-la.

Ativos podem perder valor, e você pode perder o dinheiro investido. Uma alta não é garantida, e diversificar não elimina perdas. Esta reportagem não é recomendação de investimento.

O que dizem os analistas citados: Os bancos JP Morgan e Morgan Stanley projetam novas quedas, segundo reportagem da InfoMoney de 26/10/2026. Esta reportagem não consultou diretamente a B3 nem os bancos; as posições vêm de veículos publicados.

Como fizemos: Usamos cotações de fechamento do Ibovespa publicadas por InfoMoney, Money Times, Suno, Investing.com (Reuters), DOL e Agrolink, acessadas em 26/10/2026. Os níveis de 2015 são máxima e mínima do ano citadas pelo Banco Central, que não informa se são de fechamento. Quedas e altas percentuais são cálculos da redação sobre os pontos citados. Há divergências: o dia do fundo de 2008 não foi confirmado, e a Money Times traz 63.340,31 pontos em uma legenda, contra 63.569,62 no texto; usamos o segundo. Os dados de 26/10/2026 podem ser revisados. Não houve contato direto com B3, bancos ou analistas.

Fontes