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Orçamento

Só 4,1 milhões de brasileiros têm ações, segundo a B3

Dados da B3 mostram 4,1 milhões de pessoas com ações no 3º trimestre de 2025, cerca de 2,5% dos brasileiros com 15 anos ou mais.

Fachada de pedra cinza de prédio do centro de São Paulo, com o letreiro Bolsa de Mercadorias & Futuros no alto, bandeiras e uma luminária de rua à direita.
Fachada do edifício da Bolsa de Mercadorias & Futuros, na Praça Antônio Prado, no centro de São Paulo, sede da B3.Foto: Fulviusbsas / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No terceiro trimestre de 2025, 4,1 milhões de pessoas físicas tinham ações na B3, a bolsa de valores do país. O dado é da própria companhia, em boletim divulgado em 10 de novembro daquele ano.

Quando a Bolsa cai, o noticiário fala em “investidores” como se fossem todo mundo. Quem são eles, de fato? Os boletins da B3 e o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) permitem uma primeira resposta.

A B3 conta CPFs, o número de cadastro de cada pessoa. Pessoa física é o cidadão, em oposição à empresa. Ações são pedaços de companhias negociados na Bolsa. Elas fazem parte da chamada renda variável, junto com fundos imobiliários e ETFs, fundos que seguem a carteira de um índice da Bolsa. O preço desses papéis sobe e desce todos os dias.

Uma fatia pequena da população

O Censo 2022 do IBGE registrou 162,95 milhões de pessoas com 15 anos ou mais. Esse total soma as faixas de 15 a 64 anos e de 65 anos ou mais. Dividimos os números da B3 por ele, e o resultado está na tabela.

Quem tem cada tipo de investimento na B3 Número de pessoas e fatia dos brasileiros com 15 anos ou mais, 3º trimestre de 2025

Produto Pessoas Fatia
Ações 4,1 milhões 2,5%
Renda variável (ações, fundos e ETFs) 5,4 milhões 3,3%
Tesouro Direto (títulos do governo) 3,2 milhões 2,0%

Fonte: B3, boletim de pessoas físicas, 3º trimestre de 2025; IBGE, Censo 2022. Cálculo da redação.

Na prática, uma em cada 40 pessoas com 15 anos ou mais tinha ações. Mais gente comprava títulos do governo pelo Tesouro Direto do que ações.

Quem são, e quanto têm

Em 2025, 1.436.232 mulheres investiam em renda variável, segundo a B3. Elas eram cerca de 26% dos 5,5 milhões de investidores, mas são 51,5% da população, pelo Censo 2022.

No fim de 2025, o saldo mediano das mulheres era de R$ 3.029, contra R$ 1.682 dos homens, também pela B3. A mediana é o valor do meio: metade tem menos e metade tem mais. Entre quem investe, elas têm um saldo do meio maior. O grupo, porém, segue minoritário.

A média engana. Dividindo os R$ 387,7 bilhões em ações por 4,1 milhões de pessoas, o resultado é cerca de R$ 95 mil por CPF, conta nossa com dados do 3º trimestre de 2025. A mediana em ações era de R$ 2,1 mil por investidor no 2º trimestre de 2024, segundo a B3. A diferença mostra que poucas carteiras grandes puxam a média para cima.

Sobre idade, o dado mais recente que encontramos é de 2020. Em março daquele ano, 49% dos investidores pessoas físicas tinham entre 25 e 39 anos, contra 28% em 2017, segundo a B3. Não localizamos recorte atualizado por idade ou região só para ações.

O que os números não mostram

Os números crescem. A B3 informa alta de 28,5% em renda variável desde 2021. Também diz que o número de investidoras mulheres subiu 41% no mesmo intervalo.

Parte dos brasileiros tem ações sem aparecer nessa conta. Fundos de investimento e de previdência compram ações em nome do fundo, e o cotista investe de forma indireta. No 3º trimestre de 2025, pessoas físicas tinham 35% do volume custodiado em ETFs, segundo a B3.

Reportagens sobre o 2º trimestre de 2026 citam entre 5,6 e 5,7 milhões de investidores em renda variável. Não localizamos o boletim original, por isso não usamos esses números nas contas.

O que diz a B3: Os números vêm de boletins trimestrais e comunicados publicados pela própria companhia, em 10/11/2025 e 26/01/2026. A B3 não foi procurada para este texto antes da publicação.

O que isso significa

O quadro mostra uma base de investidores em ações que cresce, mas segue pequena. A maioria dos brasileiros de 15 anos ou mais não tem ações de forma direta. Quando a Bolsa cai, o efeito direto recai sobre esse grupo e sobre fundos que investem em nome de outras pessoas.

Investir em ações envolve risco. Os preços podem cair, e pânicos de venda podem aprofundar as perdas. Esta reportagem não recomenda comprar nem vender nenhum ativo.

Como fizemos: Usamos boletins de pessoas físicas da B3 do 3º trimestre de 2025, publicado em 10/11/2025, e o comunicado de fim de 2025, de 26/01/2026, além de dados do 2º trimestre de 2024 e de 2020 para comparação. A população de 15 anos ou mais é a soma das faixas do Censo 2022 (IBGE), acessado em 26/10/2026. As fatias, a média por CPF e os percentuais são cálculos da redação: CPFs divididos pela população. Como o total é de 2022, a fatia para 2025 seria um pouco menor. Não encontramos o total de maiores de 18 anos nas tabelas consultadas; para esse grupo a fatia seria maior. A B3 conta CPFs com posição direta, então ações em fundos e previdência não entram como investimento de cada pessoa.

Fontes