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Planalto

Se houver troca, transição terá 72 dias, o maior prazo desde 2002

Entre o segundo turno, em 25 de outubro, e a posse, em 5 de janeiro de 2027, são 72 dias, contra 62 a 66 nas transições de 2002 a 2022.

Fernando Henrique Cardoso, de faixa presidencial, segura o braço de Lula, que sorri ao seu lado, entre outros homens e fotógrafos, com guarda militar ao fundo.
O presidente Fernando Henrique Cardoso conduz o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e o vice José Alencar ao Parlatório para a transmissão da faixa presidencial, em Brasília, em 1º de janeiro de 2003, a primeira transição regida pela Lei 10.609 (imagem de arquivo).Foto: Wilson Dias/Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

Se um novo presidente for eleito no segundo turno, em 25 de outubro, a equipe de transição poderá começar a trabalhar na terça-feira (27). A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027.

Entre o segundo turno e a posse passam 72 dias. Nas transições regidas pela lei desde 2002, esse intervalo ficou entre 62 e 66 dias. Se houver troca de comando, 2027 terá o prazo mais longo da série.

A transição segue a Lei 10.609, de 20 de dezembro de 2002. Ela não se aplica no caso de reeleição, por isso a equipe formal só existe quando há troca de comando. Neste ano, Lula (PT), candidato à reeleição, disputa o segundo turno com Flávio Bolsonaro (PL).

Quem forma a equipe

A transição é o período em que o governo que sai repassa informações ao que entra. O presidente eleito escolhe a equipe, e a lei cria 50 Cargos Especiais de Transição Governamental (CETG), postos temporários e remunerados. Eles só podem ser preenchidos no último ano do mandato presidencial.

Quem assina as nomeações é o chefe da Casa Civil, o ministério que coordena o governo federal. Hoje o cargo é ocupado pela ministra Miriam Belchior. Os cargos devem ficar vagos em até dez dias depois da posse. Em 2027, isso significa até 15 de janeiro. Em 2022, o coordenador da equipe foi o vice eleito, Geraldo Alckmin.

Acesso aos dados e prazos

Pela lei, os titulares dos órgãos federais “ficam obrigados a fornecer as informações solicitadas pelo Coordenador da equipe de transição”. Os membros devem manter sigilo sobre dados sensíveis a que tiverem acesso. Esse acesso serve para o eleito receber os dados necessários ao programa de governo.

O Decreto 7.221, de 29 de junho de 2010, lista o que a equipe pode consultar, como contas públicas, estrutura dos órgãos e resultados de programas. Ele também cita temas que exigem decisão nos quatro primeiros meses do novo governo. Os pedidos são feitos por escrito ao secretário-executivo da Casa Civil, e as reuniões devem ser registradas em ata, um resumo com participantes e assuntos tratados.

O prazo em comparação

A contagem começa no segundo turno, e não na posse. Em 2002, a primeira transição regida pela lei levou Fernando Henrique Cardoso a passar o cargo a Lula. Naquele ciclo e nos de 2010, 2018 e 2022, a posse foi em 1º de janeiro. A Emenda Constitucional 111, de 2021, fixou 5 de janeiro como data da posse presidencial.

Nessas quatro transições, o intervalo médio foi de 64 dias. Em 2026, são 72 dias, 9 a mais que em 2022, quando o segundo turno foi em 30 de outubro. Contando a partir do segundo dia útil, a janela da equipe soma 70 dias corridos. O gráfico mostra a diferença. Em números absolutos, ela é pequena, mas o intervalo de 2027 é o maior da série.

Gráfico de barras mostra que o intervalo entre o segundo turno e a posse será de 72 dias em 2026, contra 62 a 66 dias nos ciclos de 2002 a 2022 Fonte: Wikipedia (datas dos segundos turnos de 2002 a 2022); CNN Brasil (2026); Lei 10.609/2002; Emenda Constitucional 111/2021. Dias corridos entre o segundo turno e a posse. 2026 é previsão. Elaboração: redação.

Equipe pode começar dois dias após o segundo turno Datas e prazos da transição de 2027, em dias corridos a partir de 25 de outubro de 2026

Data O que acontece Dias após o turno
25/10/2026 (domingo) Segundo turno 0
27/10/2026 (terça) Segundo dia útil: a equipe pode começar 2
18/12/2026 Prazo final para a diplomação, documento que habilita o eleito 54
05/01/2027 Posse do presidente eleito 72
15/01/2027 Prazo para os cargos da equipe ficarem vagos 82

Fonte: CNN Brasil; Lei 10.609/2002; Constituição Federal, art. 82. Contagem própria. Elaboração: redação.

O que diz a Casa Civil: A reportagem não localizou manifestação oficial da Casa Civil sobre a transição de 2026 nas fontes consultadas. Pela lei, cabe ao chefe da Casa Civil assinar as nomeações da equipe e oferecer local de trabalho ao eleito.

O que isso significa

Com 72 dias entre o segundo turno e a posse, a próxima equipe teria mais dias que as das transições de 2002 a 2022. Os dados não mostram quanto desse tempo foi usado de fato, nem quanta informação foi repassada.

O resultado do segundo turno decide se a lei entra em ação. Sem troca de presidente, não há equipe de transição, e o novo mandato começa na mesma data, em 5 de janeiro de 2027.

Como fizemos: Usamos as datas do segundo turno de 2002 a 2026 e as datas de posse, com contagem de dias corridos. As datas dos segundos turnos de 2002 a 2022 vêm de páginas da Wikipedia, e a de 2026 vem da CNN Brasil. A Lei 10.609/2002 e o Decreto 7.221/2010 foram conferidos em cópias da Câmara, do Senado e de sites jurídicos, acessadas em 20 de outubro de 2026, porque o site do Planalto não respondeu em todas as tentativas. Os prazos de 27 de outubro e 15 de janeiro, e as diferenças entre os ciclos, são cálculos próprios; os dados não mostram quanto tempo cada equipe usou de fato nem o que foi repassado.

Fontes