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Planalto

Líderes latino-americanos e Comissão Europeia parabenizam Lula

Pelo menos oito presidentes da região felicitaram Lula. Trump e Milei não tinham se manifestado até o fechamento desta apuração.

Lula, de terno azul, ao centro, sorri ao lado de Claudia Sheinbaum, à direita, e de uma mulher de óculos, diante de um painel de relevo azul.
Lula (centro) e Claudia Sheinbaum (à direita), na Cidade do México, em 30 de setembro de 2024, quando ela era presidenta eleita do México.Foto: Ricardo Stuckert / PR / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Na madrugada desta segunda-feira (26), pelo menos oito presidentes de países da América Latina já tinham parabenizado Lula pela reeleição. A vitória veio no domingo (25), no segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Também se manifestou a Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), citado pela Bloomberg Línea, Lula teve 51,8% dos votos válidos. Flávio teve 48,2%. Votos válidos são os votos dados a candidatos, sem contar brancos e nulos. Esta reportagem reúne as reações confirmadas e mostra quem ainda não se manifestou.

Presidentes da região cumprimentam Lula

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, publicou: “Viva a democracia, ganhou o povo do Brasil.” O presidente do Paraguai, Santiago Peña, escreveu: “Parabéns, Lula, pela sua eleição como presidente do Brasil.”

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, disse que os dois países são “vizinhos e irmãos”. O uruguaio Yamandú Orsi afirmou ter parabenizado Lula “pela vitória e pela festa democrática”. Em Cuba, Miguel Díaz-Canel chamou a vitória de “histórica”.

Também cumprimentaram Lula o chileno José Antonio Kast, o panamenho José Raúl Mulino e o presidente da Guiana, Irfaan Ali. Segundo o Diário de Pernambuco, os presidentes do Paraguai, da Bolívia e do Panamá são de direita. Ou seja, as felicitações vieram de governos de linhas políticas diferentes.

Europa e os silêncios

Pela Europa, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, escreveu na rede X: “Parabéns ao meu amigo Lula por sua vitória eleitoral.” Na tradução do Brasil 247, ela acrescentou: “A democracia e o multilateralismo venceram no Brasil.” Multilateralismo é a prática de decidir junto com vários países.

Até o fechamento desta apuração, Donald Trump e Javier Milei não tinham comentado a eleição, segundo a InfoMoney. Nas buscas feitas para esta reportagem, também não encontramos manifestação pública da China nem do Brics, bloco de economias emergentes.

A tensão com Milei vem de antes. No primeiro turno, em 4 de outubro, ele parabenizou Flávio Bolsonaro “por esta eleição histórica frente ao comunista Lula”, segundo a RTP. Em 20 de outubro, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) afirmou que as ofensas de Milei constituíam “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa”. Ingerência é a interferência de um país nos assuntos de outro.

Trump também comentou o primeiro turno. Em 5 de outubro, ele chamou de “grande vitória” a liderança de Flávio, segundo o JB.

O recado de Lula sobre soberania

Na Avenida Paulista, em São Paulo, Lula ligou a vitória à soberania. Ele disse: “para eles saberem que nós não cabemos no quintal de ninguém”, segundo o Poder360.

Algumas reportagens resumiram a fala como “não aceita ser quintal de ninguém”. A transcrição do Poder360 traz outra redação, e é a que citamos. A mesma ideia apareceu no discurso na ONU, em setembro, com a frase “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, segundo o Diário de Pernambuco.

Para a política externa, o recado tem dois lados. A região e a Comissão Europeia responderam com cumprimentos, o que facilita o diálogo. Washington e Buenos Aires, porém, ainda não deram sinal público.

O que diz Lula: No discurso na Avenida Paulista, ele afirmou que “nós não cabemos no quintal de ninguém”, segundo o Poder360. Até o fechamento desta apuração, não localizamos nota pública do Itamaraty ou do Palácio do Planalto sobre as felicitações.

O que isso significa

O resultado já recebeu felicitações de governos da região e da Comissão Europeia. Faltam sinais dos Estados Unidos, da Argentina, da China e do Brics. A Bloomberg Línea descreve a eleição como contestada por Flávio Bolsonaro, o que dá peso a cada manifestação externa.

A posse está marcada para 1º de janeiro de 2027, como manda a Constituição. Até lá, três perguntas seguem abertas: se Washington e Buenos Aires vão reconhecer o resultado, se o Itamaraty publicará nota oficial e se a China se manifestará.

Como fizemos: Usamos reportagens publicadas em 25 e 26 de outubro de 2026, acessadas em 26/10/2026, que transcrevem as publicações dos governos nas redes sociais. Não consultamos diretamente os perfis oficiais, e as falas seguem a transcrição da imprensa. Os percentuais de votos são do TSE, citados pela Bloomberg Línea, arredondados para uma casa decimal. Não fizemos cálculos próprios. A busca não localizou manifestações da China, do Brics, dos Estados Unidos ou da Argentina após a votação.

Fontes