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Congresso

PT quer PL fora do bloco que apoia reeleição de Motta

Bloco reúne 361 dos 513 deputados eleitos; divergência sobre a participação do PL afeta a divisão da Mesa e das comissões em 2027.

Davi Alcolumbre, Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Motta dão as mãos e sorriem no Palácio da Alvorada.
Davi Alcolumbre, Lula e Hugo Motta reunidos no Palácio da Alvorada, em Brasília, em 26 de outubro de 2026.Foto: Ricardo Stuckert / PR / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), defendeu neste sábado (7) que o PL fique fora do bloco que apoia a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB). A declaração foi publicada pelo Poder360. A entrada da maior bancada da próxima legislatura continua indefinida.

A divergência ultrapassa a escolha do presidente da Câmara. A composição do bloco influencia a distribuição de cargos na Mesa Diretora e de presidências de comissões. O PL elegeu 121 deputados, contra 70 do PT. Em uma negociação apenas proporcional, a sigla teria mais peso que os petistas.

Bloco tem 70,4% das cadeiras

Os 15 partidos que apoiam Motta elegeram 361 dos 513 deputados. O total equivale a 70,4% da Câmara que tomará posse em 2027, segundo levantamento do Congresso em Foco. A federação formada por PT, PCdoB e PV responde por 88 dessas cadeiras.

Se o PL ingressasse no grupo, a base somaria 482 deputados eleitos, ou 94% das cadeiras. Esse cálculo mostra a força numérica possível, mas também explica a disputa interna. Um bloco maior precisa dividir os espaços de comando com mais participantes.

Entrada do PL ampliaria o bloco, mas mudaria a divisão de poder Deputados eleitos por força política na legislatura de 2027

Força Deputados eleitos Participação na Câmara
Bloco atual pró-Motta 361 70,4%
PL 121 23,6%
Soma hipotética 482 94,0%

Fonte: Congresso em Foco e Poder360. Percentuais calculados sobre 513 cadeiras. Elaboração: redação.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) está entre os espaços mais disputados. O colegiado analisa a constitucionalidade e a adequação das propostas às regras da Câmara. Pode encerrar a tramitação de um texto ao considerá-lo inconstitucional.

Apoio partidário não garante voto

A eleição da Mesa está marcada para 1º de fevereiro de 2027. Com todos os 513 deputados votando validamente, serão necessários 257 votos para vencer no primeiro turno. O voto é secreto. Por isso, 361 cadeiras representadas pelos partidos não significam 361 votos assegurados.

O PL discutirá sua posição na quarta-feira (11), segundo o líder Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Há alas favoráveis a um acordo e a uma candidatura própria. Nikolas Ferreira (PL-MG) defende nome próprio e afirma que existem questões maiores que a divisão de comissões.

A ala negociadora teme perder posições na Mesa e prioridade na escolha dos colegiados. Simulações citadas pelo Congresso em Foco indicam que, fora do bloco majoritário, o PL poderia ficar entre a 14ª e a 16ª posições nessa ordem. O resultado dependerá dos blocos registrados.

O que diz o PT: Pedro Uczai defende a exclusão do PL do bloco pró-Motta, segundo entrevista publicada pelo Poder360 neste sábado. Na adesão da federação, a líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), disse que o objetivo era impedir que o PL comandasse Câmara e Senado.

Integrantes do Centrão avaliam que o PL contribuiu para o próprio isolamento. Eles citam o anúncio de que a sigla não apoiaria Motta nem Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) após o primeiro turno presidencial. Essa é a interpretação política relatada pelo Poder360, não uma regra da Câmara.

O impasse deixa duas negociações abertas. A primeira é o nome que comandará o plenário. A segunda é quem controlará os espaços capazes de acelerar ou barrar projetos. Para o quarto mandato de Lula, a definição moldará a governabilidade antes mesmo da posse da nova legislatura.

Como fizemos: conferimos a declaração publicada pelo Poder360 e o levantamento do Congresso em Foco, acessados em 7/11/2026. Calculamos os percentuais sobre as 513 cadeiras e somamos o PL ao bloco apenas como cenário hipotético. Não tratamos apoio partidário como voto garantido.

Fontes