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STF

Veto da dosimetria caiu com 49 senadores; afastar Moraes, alvo de Flávio, exige 54

Desde a pena de 27 anos e 3 meses imposta ao pai, Flávio pede anistia e promete indulto; afastar Moraes exige cinco votos a mais do que os 49 que derrubaram o veto da dosimetria.

Jair Bolsonaro sorri diante de vários microfones de emissoras, cercado por apoiadores e jornalistas; à direita, o senador Flávio Bolsonaro também sorri.
Jair Bolsonaro dá entrevista no Senado, ao lado do filho Flávio, logo depois de virar réu por tentativa de golpe no STF, em Brasília, em 26 de março de 2025.Foto: Roque de Sá / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 11 de setembro de 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, por 4 votos a 1. No mesmo dia, o filho Flávio Bolsonaro (PL) chamou o julgamento de “farsa” e o relator, Alexandre de Moraes, de “um psicopata”, relatou o Correio Braziliense.

Pouco mais de um ano depois, o senador disputa o segundo turno de 25 de outubro com três respostas à sentença: anistia, indulto e pressão sobre o tribunal. A contagem de votos no Senado mostra até onde cada frente chegou. A redução de penas passou. O impeachment de Moraes ficaria cinco votos abaixo do mínimo.

Jair foi condenado por cinco crimes, entre eles golpe de Estado e organização criminosa armada, segundo a CNN Brasil. Em 8 de janeiro de 2023, dia dos ataques aos Três Poderes, Flávio escreveu a senadores. “Vamos cobrar de quem tem culpa, e DEFINITIVAMENTE não é do Bolsonaro!”, disse, segundo o Poder360.

Da cobrança de culpados à anistia

A defesa da punição durou pouco. Em novembro de 2024, Flávio já defendia no Senado uma anistia ampla, segundo o jornal O Hoje. Em novembro de 2025, disse que o “objetivo único” do PL era aprovar a anistia na Câmara, relatou o Congresso em Foco. A tabela abaixo resume a trajetória.

Em menos de quatro anos, Flávio foi da cobrança de culpados à anistia e ao indulto Declarações e votos do senador sobre o 8 de janeiro e a condenação do pai, de janeiro de 2023 a outubro de 2026

Data O que Flávio fez Fonte
8 jan. 2023 Diz a senadores que a culpa “DEFINITIVAMENTE não é do Bolsonaro” Poder360
26 nov. 2024 Defende no Senado uma anistia ampla O Hoje
11 set. 2025 Chama o julgamento de “farsa” e Moraes de “um psicopata” Correio Braziliense
24 nov. 2025 Diz que a anistia é o “objetivo único” do PL Congresso em Foco
17 dez. 2025 Vota a favor da dosimetria (aprovada por 48 a 25) InfoMoney
30 abr. 2026 Vota pela derrubada do veto de Lula (49 a 24) Gazeta do Povo
28 ago. 2026 Promete anistia na transição ou indulto ao pai Euronews
16 out. 2026 Questiona se houve “tentativa de golpe em prédios vazios” Aos Fatos

Fonte: veículos indicados na tabela. Elaboração: redação.

Em 9 de julho de 2025, Flávio agradeceu no X a Donald Trump pela tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, segundo o SBT News. A carta de Trump ligava a tarifa ao processo contra Jair. Depois, Flávio disse à CNN Brasil que se arrependeu e apagou a postagem.

No fim daquele mês, os Estados Unidos aplicaram sanções financeiras a Moraes. Em junho de 2026, o STF condenou Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato, a 4 anos e 2 meses por coação. Para o tribunal, ele buscou sanções americanas para interferir no julgamento do pai.

No Senado, a conta dos 49 votos

Em 17 de dezembro de 2025, o Senado aprovou por 48 a 25 o projeto da dosimetria, que recalcula e reduz penas dos condenados pelo 8 de janeiro. Flávio votou a favor, segundo o InfoMoney. Lula vetou o texto inteiro.

Em 30 de abril de 2026, o Congresso derrubou o veto. No Senado, foram 49 votos a 24, entre eles o de Flávio, segundo a Gazeta do Povo. Bastavam 41, a maioria absoluta dos 81 senadores, informa a Agência Câmara.

O impeachment de ministro do STF, processo em que o Senado pode afastá-lo, exige 54 senadores, segundo a CNN Brasil. Fontes da campanha disseram à Revista Oeste, publicação de direita, que afastar Moraes é “inegociável”. O jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, contou 49 votos a favor, informa o Correio 24 Horas. É o tamanho do bloco do veto, cinco abaixo do mínimo, como mostra o gráfico.

Gráfico de barras mostra que a derrubada do veto da dosimetria teve 49 votos no Senado, oito acima dos 41 exigidos, e que o impeachment de Moraes tem 49 votos estimados, cinco abaixo dos 54 exigidos Fonte: Gazeta do Povo, Agência Câmara, CNN Brasil e Correio 24 Horas (estimativa de Caio Junqueira, da CNN Brasil). Elaboração: redação.

Na TV, uma versão que a checagem rejeitou

Em 28 de agosto de 2026, na TV Globo, Flávio prometeu tentar a anistia “ainda na transição” e, se ela não ocorrer, dar indulto ao pai, segundo a Euronews. Indulto é o perdão de pena concedido pelo presidente, por decreto.

Na sexta-feira (16), em sabatina da TV Globo, ele perguntou se houve “tentativa de golpe em prédios vazios”. O Aos Fatos classificou a fala como falsa: segundo a checagem, o plano começou em 2022 para impedir a posse de Lula. Flávio manteve que o processo foi “totalmente armado para tentar tirar Bolsonaro da vida pública”, segundo o Diário do Grande ABC.

A ofensiva também mira o tribunal. O plano de governo propõe tirar do STF ações criminais de certas autoridades e limitar decisões individuais de ministros, segundo o portal A Crítica. Em 1º de outubro, o presidente do STF, Edson Fachin, negou pedido de Flávio para afastar o ministro Flávio Dino de ações sobre ele, segundo a Agência Brasil.

O que diz Flávio Bolsonaro: O senador chamou o julgamento do pai de “farsa” e acusou ministros do STF de parcialidade e perseguição política (Correio Braziliense, 11 de setembro de 2025). Na sabatina de 16 de outubro, disse que o processo “foi totalmente armado para tentar tirar Bolsonaro da vida pública” (Diário do Grande ABC). Defende a anistia como forma de restaurar o equilíbrio entre os Poderes, segundo O Hoje.

O que está em jogo no dia 25

Discordar de uma decisão judicial é direito de qualquer cidadão, e recorrer dela, de qualquer réu. As três frentes de Flávio, porém, dependem de instâncias diferentes: a anistia precisa de lei do Congresso, o indulto só do presidente e o impeachment de 54 senadores. O voto de 25 de outubro decide quem poderá assinar o indulto. A conta do impeachment depende do Senado que assume em 2027, alvo da ofensiva do PL.

Como fizemos: Reunimos declarações e votos de Flávio Bolsonaro sobre o 8 de janeiro e a condenação do pai, de janeiro de 2023 a outubro de 2026, a partir das reportagens listadas em Fontes, todas verificadas e acessadas em outubro de 2026. Comparamos os votos da derrubada do veto da dosimetria (49) com o mínimo exigido (41), e a estimativa de votos para o impeachment de Moraes (49) com os 54 exigidos; as diferenças (8 e 5) são cálculo da redação. A estimativa de 49 votos é de terceiros, não uma votação, e pode mudar com a nova composição do Senado; o caráter “inegociável” do impeachment foi corroborado por reportagem do g1 citada pelo Correio 24 Horas. Não localizamos a entrevista em que Flávio teria dito à CNN Brasil que se arrependeu da postagem sobre a tarifa, nem lemos a íntegra do plano de governo.

Correção: uma versão anterior deste texto dizia que Flávio falou “no Jornal Nacional” em 16 de outubro. A entrevista foi uma sabatina da TV Globo conduzida por Renata Lo Prete e exibida logo após o telejornal.

Fontes