Caso Master: PGR recomenda rejeitar pedido de Moraes contra Mendonça
Pedido de Moraes para investigar Mendonça segue no Plenário; a PGR recomendou rejeitá-lo, e o julgamento está suspenso por vista de Flávio Dino.

Em 17 de outubro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, um parecer contra o pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigar o ministro André Mendonça. O parecer é sigiloso, mas reportagens de segunda-feira (19) reproduziram trechos dele.
O caso investiga o Banco Master, na Operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF). Nas reportagens e documentos consultados, não há denúncia contra ministro do STF.
Como o caso chegou ao Supremo
Em fevereiro, a PF informou Fachin de que mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, citavam o ministro Dias Toffoli. Toffoli pediu para deixar a relatoria. Em 12 de fevereiro, um sorteio eletrônico escolheu André Mendonça, segundo a Agência Brasil.
Em 1º de setembro, Mendonça tirou o sigilo de relatórios da PF com mensagens entre Vorcaro e Moraes. Três dias depois, Moraes pediu a Fachin a investigação de Mendonça. Ele alegou indícios de improbidade, abuso de autoridade e crime de responsabilidade, segundo o Congresso em Foco.
Sessão de 15 de setembro
Em 15 de setembro, o Plenário discutiu se os dois pedidos devem ser julgados juntos. O placar parcial foi de 4 votos a 3 contra a proposta. O ministro Flávio Dino pediu vista, isto é, mais tempo para analisar, e o julgamento parou.
Nunes Marques se declarou impedido, e Toffoli, suspeito, segundo o STF. Gilmar Mendes disse que há “um inequívoco viés político-eleitoral” na condução do tema. Mendonça negou irregularidades e respondeu: “Não aponte o dedo para mim”, segundo a Agência Brasil.
No começo de setembro, a PGR já havia defendido a nulidade de uma investigação contra Moraes, ordenada sem pedido do Ministério Público nem iniciativa da polícia, segundo o Estadão Conteúdo. Ou seja, a PGR deu razão a Moraes em setembro e a Mendonça em outubro.
O que diz o parecer de outubro
Segundo a CNN Brasil, Gonet afirmou que a representação contra Mendonça “não apresenta condições de ter seguimento”, ressalvado entendimento em contrário do Plenário. Segundo o Migalhas, ele disse que os relatórios da PF “não podem ser considerados provas ilícitas, até porque provas não são”.
O texto também afirma que a conduta não se encaixa em crime da Lei de Abuso de Autoridade.
Sigilo, impedimento e confiança
Em 13 de outubro, Fachin se reuniu com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Segundo a Agência Brasil, Fachin determinou que a PF envie todas as menções a ministros encontradas no material, com contexto e de forma descritiva. Nenhuma investigação contra ministro começa sem autorização do Plenário, após parecer da PGR.
Reportagens divergem sobre quantos ministros aparecem nas mensagens. A Agência Brasil cita Nunes Marques, Toffoli, Fux e Mendonça, além de mensagens a um número atribuído a Moraes. Ser citado não prova participação em ilícito.
Impedimento é quando a lei proíbe o juiz de atuar por vínculo formal com o caso. Suspeição é quando há razão pessoal, como amizade íntima ou inimizade, que compromete a imparcialidade. Essas regras só protegem a confiança se forem aplicadas com critério e registradas.
O que diz André Mendonça: Ele negou irregularidades e afirmou que agiu dentro da supervisão judicial da investigação, em manifestação de 15 de setembro reportada pelo Estadão Conteúdo. Não localizamos manifestação pública de Moraes sobre o parecer da PGR.
O que fica em aberto
O Plenário ainda não decidiu o pedido de Moraes contra Mendonça. Nas reportagens consultadas, não há data marcada para retomar o julgamento suspenso. O parecer da PGR é recomendação, e o Plenário pode decidir de outro modo.
Com o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro, o tema pesa no debate político. Para o público, a confiança depende de regras claras, prazos conhecidos e decisões fundamentadas e publicadas.
Como fizemos: Reunimos reportagens da Agência Brasil, do Estadão Conteúdo, do Congresso em Foco, do Migalhas, da CNN Brasil e do Brasil de Fato, além da página de notícias do STF, acessadas em 22/10/2026. O parecer da PGR é sigiloso, e citamos apenas trechos divulgados pela imprensa, sem acesso aos autos. Perguntas a Moraes, Mendonça, Fachin e à PGR não foram enviadas nesta versão, e as posições citadas são as já publicadas.
Fontes
- André Mendonça é o novo relator do inquérito do Master — Agência Brasil
- Fachin assume pedido de Moraes para investigar Mendonça no caso Banco Master — Brasil de Fato
- Moraes aponta fortes indícios de crimes de Mendonça e pede apuração — Congresso em Foco
- PGR se manifesta pela nulidade de investigação de Moraes no caso Master — InfoMoney
- Gilmar acusa Mendonça de usar caso Master para interferir em eleição — Agência Brasil
- Flávio Dino pede vista de julgamento sobre Moraes e Mendonça — Agência Brasil
- Pedido de vista suspende discussão sobre julgamento conjunto de duas petições do caso Master — STF
- Mendonça nega irregularidades em relatório da PF que apontou Moraes em mensagens com Vorcaro — Tribuna do Sertão (Estadão Conteúdo)
- Master: Fachin se reúne com PF para tratar de citações a ministros — Agência Brasil
- PGR é contra pedido de Moraes para investigar Mendonça — CNN Brasil
- PGR é contra investigação de Mendonça por fatos apontados por Moraes — Migalhas



