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Tribuna

Flávio oferece parceria mineral aos EUA sem publicar garantias

Candidato prometeu parceria de longo prazo e investimento protegido, mas não apresentou contrato; lei de Lula cria controles para minerais críticos.

Este texto integra a Tribuna, nosso espaço de análise assinada. As ideias são do autor e não representam necessariamente a posição do Jornal da Pátria.

Flávio Bolsonaro sentado no Salão Oval ao lado de Donald Trump e de outros integrantes da delegação brasileira.
Flávio Bolsonaro em encontro com Donald Trump na Casa Branca, em maio de 2026, quando defendeu parcerias minerais de longo prazo.Foto: Donald Trump / Truth Social / Wikimedia Commons (Domínio público)

Em maio, Flávio Bolsonaro prometeu aos Estados Unidos parcerias de longo prazo em minerais estratégicos, com investimento protegido. Em março, na CPAC do Texas, disse que o Brasil poderia ser a saída americana da dependência da China em terras raras e pediu que o “mundo livre” vigiasse a eleição brasileira.

Não há tratado publicado nem compromisso formal de entregar reservas. O que existe é uma oferta política de alinhamento mineral, um plano que facilita capital estrangeiro e um documento com a marca da campanha cuja autoria foi depois classificada como exercício pessoal.

O que foi oferecido

O programa de Flávio defende o Estado como regulador, mais capital estrangeiro, transferência de tecnologia e licenciamento mais rápido. A versão resumida por reportagens não lista empresas, volumes ou garantias de participação brasileira na cadeia de processamento.

Em setembro, vazou um deck de 22 páginas chamado “Prosperity Partnership”, com a marca “Flávio Bolsonaro, 2026 Campaign”. O texto propunha aliança mineral com os Estados Unidos, mudanças nas regras de mineração e investimentos de US$ 50 bilhões a US$ 100 bilhões. André Marinho, apontado como autor, disse que era um exercício pessoal e nunca foi enviado.

A diferença entre documento e programa é decisiva. O deck mostra uma ideia circulando no entorno da campanha, mas não prova que Flávio a adotou. O candidato também não publicou contrato ou cronograma que permita medir o que seriam “investimento protegido” e “parceria de longo prazo”.

O registro das terras raras mistura fatos e promessas Informações documentadas nas fontes consultadas até outubro de 2026

Fato Número ou posição Status
Reservas brasileiras Cerca de 21 milhões de toneladas Segunda maior reserva, segundo a Mining.com
Serra Verde, em Goiás Venda por US$ 2,8 bilhões Acordo da USA Rare Earth
Financiamento americano da mina US$ 565 milhões Crédito do governo dos EUA
Deck “Prosperity Partnership” US$ 50–100 bilhões Autor diz que foi exercício pessoal

Fonte: Reuters, Mining.com e Estado de Minas, consultados pela redação. Elaboração: redação.

Soberania e contrapesos

A única mina comercial de terras raras do Brasil, Serra Verde, foi vendida em abril para a americana USA Rare Earth. O acordo prevê financiamento público dos Estados Unidos e produção destinada a comprador apoiado por Washington. Esse fato não envolve Flávio, mas mostra por que uma promessa genérica de parceria precisa dizer quem controla a extração e a tecnologia.

Em setembro, Lula sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A lei prevê crédito tributário de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034, fundo de garantia de até R$ 5 bilhões e conselho capaz de analisar aquisições estrangeiras.

A diferença é de método. O governo Lula tenta criar instrumentos para negociar capital e controle; Flávio enfatiza velocidade, capital externo e alinhamento com Washington. Nenhuma das duas opções elimina o risco de dependência, mas só uma apresenta mecanismos públicos de fiscalização no registro consultado.

No debate da Band, Lula perguntou se Flávio entregaria terras raras aos Estados Unidos. Flávio chamou a acusação de fake news e disse que viajou para defender empresas brasileiras. As reportagens consultadas divergem sobre uma negativa direta; por isso, não é possível escrever que ele descartou o alinhamento mineral.

O que diz Flávio Bolsonaro: A campanha afirma que ele não trabalha para taxar o Brasil e que sua ida aos Estados Unidos defendeu empresas brasileiras. O candidato fala em parcerias estratégicas, mas não apresentou tratado ou lista de garantias.

Nós, que defendemos a soberania e o agro, não podemos confundir parceria com cheque em branco. Antes do segundo turno, o eleitor tem direito de saber se terras raras serão política industrial brasileira ou moeda de aproximação com a Casa Branca.

Como fizemos: Separamos declarações, documentos, acordos privados e leis públicas com base nas fontes consultadas. Mantivemos como hipótese o deck atribuído a André Marinho, porque o autor diz que era pessoal. Não afirmamos venda de reservas nem financiamento estrangeiro da campanha, porque essas hipóteses não foram verificadas.

Fontes