Na noite de domingo, só a Justiça Eleitoral proclama o vencedor
Pesquisas recentes mostram disputa empatada. Campanhas, imprensa e redes devem esperar a totalização do TSE antes de anunciar qualquer resultado.
Este texto integra a Tribuna, nosso espaço de análise assinada. As ideias são do autor e não representam necessariamente a posição do Jornal da Pátria.

No domingo, 25 de outubro, Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno da Presidência. A votação termina às 17h, no horário de Brasília. A partir daí começa a contagem, e os primeiros números não dizem quem venceu.
Este texto defende uma regra para a noite: ninguém proclama vitória ou derrota antes da Justiça Eleitoral. Nem campanha, nem jornal, nem perfil com milhões de seguidores.
Um placar parcial não é o resultado
As pesquisas mais recentes registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram uma disputa muito apertada. O Datafolha, divulgado em 15 de outubro, deu a Flávio 51% e a Lula 49% dos votos válidos. Votos válidos são os dados a candidatos, sem brancos e nulos. A margem de erro é de dois pontos percentuais. Em nova rodada, com coleta de 20 a 22 de outubro, o instituto registrou 50% para cada um, segundo o Poder360.
A Quaest, de 14 de outubro, registrou 46% para Flávio e 44% para Lula entre os votos totais. A AtlasIntel, de 19 de outubro, mostrou a vantagem de Flávio caindo de 5,4 para 2,2 pontos em dez dias. Com uma diferença desse tamanho, a parcial pode virar várias vezes.
Em 2022, a contagem também virou. Lula ultrapassou Jair Bolsonaro às 18h44, ainda durante a apuração, segundo o Tribuna de Jundiaí. Ao fim, a diferença foi de cerca de 2,1 milhões de votos. Quem olhou só o primeiro placar da noite viu uma eleição diferente da final.
Um placar parcial mostra só as urnas já apuradas, que chegam por região e por ordem de chegada. Ele não mostra o país inteiro.
A eleição tem etapas, e cada uma tem um nome. A apuração soma as urnas à medida que chegam. A totalização reúne todas as seções do país. A proclamação é o anúncio oficial do TSE. A diplomação, que vem depois, entrega o diploma ao eleito.
Em 2022, o TSE confirmou a vitória de Lula às 19h57, com 98% das urnas apuradas, segundo o Tribuna de Jundiaí. A totalização final terminou pouco depois da meia-noite de 31 de outubro, segundo o Jornal do Brasil. O anúncio veio antes da conta completa. A ordem importa: a conta oficial vem da Justiça, e só ela fecha o placar.
Cada ator tem uma tarefa na noite
Campanhas devem esperar o TSE. Quem lidera a parcial não comemora como vencedor, e quem fica atrás não declara derrota. Advogados e fiscais levam dúvidas à Justiça Eleitoral, não ao palanque.
A imprensa deve dizer, em cada atualização, quanto da apuração já foi feito. A palavra “parcial” precisa estar no título, e não só no rodapé. Projeção sem essa informação confunde o leitor.
As redes sociais são o ponto mais frágil. A Lei 9.504, de 1997, proíbe a propaganda de boca de urna no dia da votação (art. 39, § 5º). Em julho, o TSE fechou acordos contra desinformação com plataformas como Facebook, Google, TikTok e X. Um acordo ajuda, mas não substitui a cautela de quem compartilha.
Os dois candidatos já se comprometeram, em público, a respeitar o resultado, com frases diferentes. Lula afirmou à revista alemã Der Spiegel, em 16 de abril: “Quando o povo toma uma decisão, seja de direita, de esquerda ou de centro, temos que aceitar esse resultado.” Flávio disse à TV Globo, em 28 de agosto: “Vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições.” Ele não respondeu se aceitaria uma derrota.
O que dizem Lula e Flávio Bolsonaro: Lula disse à Der Spiegel que o resultado das urnas deve ser aceito, qualquer que seja o vencedor. Flávio disse à TV Globo que vai respeitar o resultado, sem responder se aceitaria a derrota.
O perdedor tem um dever claro. Se contestar, faz isso pela Justiça, com provas e dentro dos prazos. Não transforma a derrota em convocação para as ruas. Ruas não contam votos, e a apuração não muda com aplausos.
Na noite de domingo, a tarefa é simples. Votar, acompanhar a contagem e esperar a palavra da Justiça Eleitoral. O placar pode mudar várias vezes, e o resultado será o que a totalização mostrar. Quem tiver dúvidas tem caminho legal para levá-las.
Como fizemos: Usamos as pesquisas Datafolha (BR-00466/2026, divulgada em 15/10/2026), Quaest (BR-08729/2026, divulgada em 14/10/2026) e AtlasIntel (BR-02418/2026, divulgada em 19/10/2026), todas com registro no TSE, além das falas públicas de Lula e Flávio Bolsonaro. Os números de 2022 vêm de reportagens sobre a apuração, acessadas em 24/10/2026. Não fizemos projeção própria: pesquisa é retrato de um momento, não previsão. Não incluímos pesquisas que não conseguimos confirmar no registro ou na publicação.
Fontes
- Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 51% e Lula, 49%, no 2º turno — SBT News
- Saiba como estão Lula e Flávio nas pesquisas a 2 dias da eleição — Poder360
- Quaest: Flávio tem 46% e Lula 44% no segundo turno; disputa segue em empate técnico — Correio da Manhã
- AtlasIntel: vantagem de Flávio cai de 5,4 para 2,2 pontos em 10 dias — Congresso em Foco
- Eleições 2026: que horas começa e termina a votação? — SBT News
- 100% das urnas apuradas: confira detalhes da contagem dos votos (2022) — Tribuna de Jundiaí
- TSE conclui totalização de votos pouco depois da meia-noite (2022) — Jornal do Brasil
- Flávio diz que respeitará resultado das eleições — Poder360
- Lula: “temos que aceitar esse resultado” — Viva (Broadcast)
- TSE firma parcerias com plataformas digitais para as eleições de 2026 — DGABC
- Lei nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 — Planalto



