Agora
  1. Flávio ataca Nunes Marques e repete suspeita sem prova
  2. Lula estuda 40 ministérios e superaria recorde de Dilma
  3. Damares apoia Tereza e amplia disputa pela Presidência do Senado
  4. Sidônio nega pedido para deixar Secom após reportagem

Congresso

Câmara e Senado escolhem presidentes em fevereiro por voto secreto

Eleição em 1º de fevereiro de 2027, por voto secreto. Motta tem apoio de partidos para seguir na Câmara; Alcolumbre tenta a reeleição no Senado.

Plenário do Senado Federal visto da Mesa, com um senador de terno e óculos conduzindo a sessão e o brasão da República ao fundo.
Plenário do Senado durante sessão deliberativa, em 10 de março de 2026, com um senador na Mesa.Foto: Waldemir Barreto / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 1º de fevereiro de 2027, deputados e senadores eleitos em outubro vão escolher quem comanda cada Casa por dois anos. A Constituição manda que a eleição ocorra “a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura” (art. 57, §4º). A legislatura é o período de quatro anos do mandato parlamentar.

Em 2025, a eleição aconteceu no próprio dia 1º de fevereiro. Na Câmara, Hugo Motta foi eleito com 444 votos, no primeiro turno, segundo a Agência Câmara. No Senado, Davi Alcolumbre venceu com 73 votos, segundo a Agência Senado.

Como se vota

A Mesa é o grupo que dirige os trabalhos da Casa: presidente, vices e secretários. A Constituição veda a “recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente”. Ou seja, o mesmo posto não pode ser retomado logo em seguida.

A votação é secreta. Em 2019, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o regimento da Câmara previu “a eleição sob voto fechado” (Migalhas). No Senado, a eleição também é secreta, em cédulas de papel (Agência Senado).

Ganha quem obtém maioria absoluta, ou seja, metade mais um dos votos dos presentes. Em 2025, a Agência Câmara informou que Motta alcançou essa maioria no primeiro turno.

Em dezembro de 2020, o STF decidiu, por placar apertado, que Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre não podiam se reeleger “na mesma legislatura” (Exame). A eleição de 2027 abre uma nova legislatura. Por essa leitura, Motta e Alcolumbre não estão barrados, em tese. O texto fala em “eleição imediatamente subsequente”, então a questão pode voltar ao tribunal.

O que o presidente controla

Na Câmara, a pauta da semana sai de uma reunião de líderes com o presidente da Casa, toda quinta-feira (Agência Câmara). Pauta é a lista de projetos que vão a votação.

O presidente também recebe pedidos de impeachment. A Lei 1.079, de 1950, permite a “qualquer cidadão denunciar o Presidente da República” perante a Câmara (art. 14). Em 2015, Eduardo Cunha, então presidente da Casa, decidiu aceitar um pedido contra Dilma Rousseff (Agência Pública).

Uma CPI, comissão parlamentar de inquérito, não depende da presidência. Basta um terço dos membros para pedi-la (art. 58, §3º). Se presidente e vice ficarem impedidos ou o cargo vagar, a Constituição chama primeiro o presidente da Câmara, depois o do Senado e o do STF (art. 80).

Por que as bancadas pesam

O PL terá 121 deputados a partir de 2027, a maior bancada entre as 513 cadeiras (Congresso em Foco). A federação PT, PCdoB e PV terá 88. Para chegar aos 257 votos da maioria absoluta, o PL precisaria de mais 136 votos de outros partidos. Essa conta é nossa.

No Senado, o PL terá 28 das 81 cadeiras, e o PT, 9. São projeções do Poder360 de 5 de outubro, feitas antes do segundo turno.

O que ainda está em aberto

Motta já tem apoio anunciado. Em 14 de outubro, um bloco de partidos do centrão afirmou: “decidimos pela manutenção do bloco partidário na próxima legislatura” (Congresso em Foco). Em 21 de outubro, PSB e PDT declararam apoio à recondução dele. O PT sinalizou apoio, mas ainda não oficializou (Folhapress).

O PL busca “um nome alinhado ao bolsonarismo”, segundo a Folhapress, mas não tem candidatura definida. No Senado, a CNN Brasil cita Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN) como nomes cogitados. Um analista citado pela CNN diz que Alcolumbre quer a reeleição. Não encontramos anúncio formal de candidatura dele.

O que diz a Constituição (art. 57, §4º): cada Casa elege a sua Mesa “para mandato de 2 (dois) anos”, e a recondução é vedada “na eleição imediatamente subsequente”. A regra vale igual para a Câmara e para o Senado.

O que isso significa

Com votação secreta, o apoio anunciado pelos partidos não garante cada voto. O resultado só será conhecido na sessão de fevereiro, quando a nova legislatura toma posse. Até lá, a disputa segue aberta, e quem for eleito decidirá a pauta de cada Casa.

Como fizemos: Usamos a Constituição e a Lei 1.079/1950 (Planalto), reportagens da Agência Câmara (1/2/2025 e 5/2/2025), da Agência Senado (1/2/2025), do Congresso em Foco (5, 14 e 21/10/2026), do Poder360 (5/10/2026), da Folhapress (14/10/2026), da CNN Brasil, da Exame e da Agência Pública, acessados em 26/10/2026. Os números de bancadas vêm dessas reportagens; os 257 votos e os 136 votos que faltam ao PL são nossas contas (257 − 121). Não consultamos o acórdão do STF nem o texto atual dos regimentos internos, e as composições do Senado podem mudar com o segundo turno e a posse de suplentes.

Fontes