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Congresso

Partidos do centrão, PSB e PDT declaram apoio à reeleição de Motta

Doze partidos declaram apoio à reeleição de Hugo Motta na Câmara, mas a votação é secreta e só ocorre em fevereiro de 2027, com o PL resistindo.

Hugo Motta sentado à mesa do plenário da Câmara, com deputados em pé atrás dele e um cronômetro marcando 00:00.
Hugo Motta na mesa do plenário da Câmara, cercado de deputados, em 6 de agosto de 2025.Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados / Wikimedia Commons (CC BY 1.0)

Na quarta-feira (14), líderes de dez partidos assinaram uma nota de apoio à recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados. Na quarta-feira (21), PSB e PDT anunciaram o mesmo apoio. Mas apoio declarado não é voto: a eleição será secreta e só ocorre em fevereiro de 2027.

A presidência da Câmara define quem comanda a Casa por dois anos. A Mesa Diretora, que dirige as sessões, é escolhida pelos deputados no início de cada legislatura, o período de quatro anos entre duas eleições gerais.

A regra da recondução

A Constituição veda a recondução “para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente” (art. 57, § 4º). A eleição de 2027 abre uma nova legislatura. Nessa situação, a volta ao cargo já aconteceu: Arthur Lira foi reeleito em 1º de fevereiro de 2023, com 464 votos. Motta foi eleito em fevereiro de 2025 com 444 votos. Esta reportagem não encontrou decisão recente do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o tema.

Quem já assinou

A nota de 14 de outubro foi assinada por líderes de União Brasil, Progressistas (PP), Partido Social Democrático (PSD), Republicanos, Movimento Democrático Brasileiro (MDB), PSDB-Cidadania, Podemos e Solidariedade-PRD. O texto diz: “decidimos pela manutenção do bloco partidário na próxima legislatura”. A imprensa chama esse grupo de centrão, nome dado a partidos que costumam negociar apoio em troca de posições no Congresso.

Na nota de 21 de outubro, PSB e PDT citaram avanços da agenda legislativa sob Motta. Disseram também que é preciso formar maioria para garantir governabilidade. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) tem 15 deputados, e o Partido Democrático Trabalhista (PDT), seis, segundo O Tempo.

Até 14 de outubro, o Partido dos Trabalhadores (PT) não tinha anunciado posição sobre a recondução, segundo a Poder360. Motta declarou apoio à reeleição de Lula em 10 de agosto. Em 8 de outubro, após encontro no Palácio da Alvorada, Lula disse que Motta “vai me ajudar a ganhar”. Segundo a Poder360, Lula já sinalizou apoio à recondução de Motta e à de Davi Alcolumbre no Senado. Esta apuração não encontrou compromisso público e formal.

O PL e a resistência

O Partido Liberal (PL) elegeu 121 deputados em 4 de outubro. É a segunda maior bancada, ou seja, o maior grupo de deputados de um partido, desde a redemocratização, segundo o Congresso em Foco. A Poder360 registra resistência do PL à recondução de Motta, algo que o Republicanos reconhece.

O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse que o foco do partido é eleger Flávio Bolsonaro e que a disputa pelas presidências das Casas fica para depois. Segundo o SBT News, ele afirmou que Motta perderia força se Flávio vencer.

Os números ainda não fecham

Para ser eleito no primeiro turno, Motta precisa de 257 votos, segundo O Tempo. Esse número é a maioria absoluta dos 513 deputados. O Tempo soma 252 deputados ao bloco dos dez partidos e 21 do PSB e do PDT, chegando a 273. Pela soma, a margem seria de 16 votos, cálculo desta redação.

A conta, porém, depende de a votação seguir o apoio dos partidos. A votação é secreta, e a nota de um partido não obriga cada deputado. Outras reportagens consultadas apresentam totais diferentes para o mesmo bloco.

O que isso significa

A eleição de fevereiro de 2027 define quem dirige a Câmara até 2029. Quem preside a Casa tem influência direta sobre a pauta do plenário, onde os projetos são votados.

O desfecho depende, antes, da eleição presidencial de 25 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno. Até lá, o apoio é soma de bancadas, não votação. Em fevereiro, cada deputado votará em segredo.

O que dizem os líderes do bloco: Na nota de 14 de outubro, os partidos afirmam: “decidimos pela manutenção do bloco partidário na próxima legislatura”. Esta reportagem não encontrou declaração pública de Hugo Motta sobre a própria reeleição até a publicação.

Como fizemos: Usamos notas e reportagens de 14 e 21 de outubro de 2026, a eleição do PL de 4 de outubro e a reeleição de Lira em 2023, acessadas em 22/10/2026. A soma de 273 usa os números publicados pela O Tempo (252 do bloco, 15 do PSB e 6 do PDT). Esses números não foram conferidos contra a lista oficial de deputados eleitos. Como a votação é secreta, a soma mostra só o apoio declarado.

Fontes