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Eleições

Lula protocola no TSE autorização de sigilos e cobra Flávio

Campanha de Lula protocolou no TSE autorização para abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico; Flávio ainda não entregou os próprios dados.

Edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília, com fachada de vidro escuro, cúpulas brancas em primeiro plano e céu com nuvens.
Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília, onde as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro levaram pedidos sobre sigilos.Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na quinta-feira (22), a campanha de Lula (PT) protocolou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um documento que autoriza a abertura dos seus sigilos. O pedido inclui o sigilo bancário, o fiscal e o telefônico. A autorização depende de um passo do adversário: Flávio Bolsonaro (PL) também precisa abrir os próprios dados.

O caso trata de um princípio simples. Quem cobra transparência do adversário também precisa apresentá-la. Até quinta-feira, nenhum dos dois lados tinha entregado os dados completos ao tribunal.

Como chegamos até aqui

No debate da Band, no domingo (18), Lula propôs abrir seus sigilos e os de familiares, desde que Flávio fizesse o mesmo, segundo a Agência Brasil. O sigilo bancário protege as movimentações de contas em banco. O sigilo fiscal cobre a declaração de impostos. O sigilo telefônico protege os registros de ligações.

O que cada campanha levou ao TSE

Na terça-feira (20), a defesa de Lula apresentou a autorização para liberar os dados bancários, fiscais e telefônicos dos últimos oito anos, com a condição de que Flávio fizesse o mesmo, segundo a CartaCapital.

Na quarta-feira (21), a campanha de Flávio levou ao tribunal 19 condições. Entre elas estão os sigilos do Instituto Lula, os registros de visitas ao Palácio do Planalto e os gastos com cartões corporativos desde janeiro de 2023, de acordo com a lista publicada pelo Poder360.

No mesmo dia, o coordenador da campanha de Lula, Camilo Santana (PT-CE), afirmou: “a resposta do presidente é que ele não se opõe a absolutamente nada do que ele está propondo”, segundo a Agência Brasil.

Na quinta-feira (22), a campanha de Lula chegou ao TSE por volta das 11h. Estavam presentes Camilo Santana, o ministro Guilherme Boulos e o presidente do PT, Edinho Silva, segundo a Bahia Notícias e o ND Mais. Lula escreveu nas redes: “Desafio aceito, Flávio Bolsonaro. Amanhã, às 11h. Esperamos você no TSE para abertura total do sigilo”.

Flávio sem documentos no TSE

A advogada de Flávio, Maria Cláudia Bucchianeri, falou a jornalistas no TSE. Segundo o Itatiaia, ela chegou ao tribunal sem os dados do senador. Disse: “Se eles trouxerem tudo, a gente traz”.

Nos relatos publicados na quinta-feira, o próprio Flávio não aparece com citação direta. Deltan Dallagnol (Novo-PR), escalado pela campanha para analisar os documentos de Lula, disse que primeiro vai verificar se estão completos, segundo o Itatiaia.

Os relatos divergem sobre o prazo. A CartaCapital afirma que a advogada previu protocolar o pedido até as 23h59 de quinta-feira. O Estado de Minas, porém, diz que não foi informada data para concluir a análise.

Transparência com regras iguais

O pedido de Lula cobre oito anos. A defesa de Flávio pediu que a análise comece em 2003, segundo o Notícias ao Minuto. Esse é um ponto concreto da disputa: o período pedido de cada lado não é o mesmo.

A advogada afirmou ao Estado de Minas: “A transparência não pode ser pela metade”. A frase cobra a mesma régua dos dois lados. Ela só funciona se os documentos forem entregues e analisados.

O que diz Flávio Bolsonaro: Por meio da advogada Maria Cláudia Bucchianeri, a campanha disse no TSE que entregará “tudo aquilo que foi pedido”, mas só depois de analisar os documentos de Lula. Os relatos publicados na quinta-feira não trazem citação direta do senador.

O que está em aberto

Faltam três dias para o segundo turno, marcado para domingo (25). Analisar oito anos de dados bancários, fiscais e telefônicos leva tempo. Não há garantia de que tudo seja divulgado antes da votação.

O que o eleitor pode acompanhar é o conteúdo dos documentos protocolados. Promessas e prazos ainda não bastam. A transparência só se confirma quando os dados chegam ao tribunal e podem ser conferidos.

Como fizemos: Reunimos relatos publicados entre 19 e 22 de outubro de 2026 por Agência Brasil, CartaCapital, Poder360, Itatiaia, Estado de Minas, ND Mais, Notícias ao Minuto e Bahia Notícias, acessados em 22/10/2026. Quando as versões divergiram, mostramos as duas. Não tivemos acesso aos documentos protocolados no TSE.

Fontes