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Eleições

Nos EUA e no Peru, denúncias sem prova não anularam a eleição

Nos EUA e no Peru, tribunais e observadores não encontraram prova de fraude. Veja como cada caso terminou e o que ele ensina sobre contestações eleitorais.

Fachada de pedra clara de edifício monumental, com a inscrição ORGANIZATION OF AMERICAN STATES sobre três portas de ferro em arco, duas bandeiras azuis da OEA e céu nublado.
Sede da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington, nos Estados Unidos, em foto de abril de 2014.Foto: Michael Scialdone / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 19 de julho de 2021, o Jurado Nacional de Eleições (JNE), órgão que julga disputas eleitorais no Peru, proclamou Pedro Castillo presidente. A vitória veio por cerca de 44 mil votos: 50,12% contra 49,87% de Keiko Fujimori. Ela havia denunciado fraude.

Estados Unidos: mais de 60 ações perdidas

Depois da eleição de 2020, Donald Trump e aliados levaram mais de 60 ações à Justiça, segundo a NBC News. Só uma teve decisão favorável, na Pensilvânia, e afetou um número pequeno de cédulas.

O juiz Stephanos Bibas escreveu: “Acusações exigem alegações específicas e depois prova. Nós não temos nenhuma aqui” (tradução nossa). Para a PolitiFact, a falta de provas explica principalmente as derrotas.

Em 12 de novembro de 2020, um conselho ligado à Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA), do governo federal, afirmou que a eleição foi a mais segura da história do país. A nota dizia não haver “nenhuma evidência” de que algum sistema tenha apagado, perdido ou alterado votos (tradução nossa). Cinco dias depois, Trump demitiu o diretor da CISA, Chris Krebs, e chamou a nota de “altamente imprecisa” (tradução nossa).

Trump também foi alvo de processos criminais, em etapas diferentes. No caso federal sobre 2020, ele foi denunciado e virou réu. Em 25 de novembro de 2024, o procurador especial Jack Smith pediu o arquivamento, e a Justiça o determinou, sem decisão sobre o mérito.

Na Geórgia, o caso foi extinto em novembro de 2025. Em Nova York, Trump foi condenado em primeira instância, em 2024, por falsificação de registros comerciais, em caso sem relação com a eleição de 2020. Em janeiro de 2025, recebeu sentença de descarga incondicional, sem pena de prisão ou multa. Seus advogados disseram que vão recorrer.

Peru e Brasil: o mesmo teste

No Peru, Fujimori falou em “fraude em mesa”, ou seja, irregularidades nas seções de votação. Em 12 de junho de 2021, a missão de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmou não ter detectado graves irregularidades.

Fujimori disse que aceitaria o resultado “como lo manda la ley”, ou seja, “como manda a lei” (tradução nossa). Na mesma declaração, chamou a proclamação de Castillo de “ilegítima”. A frase mostra a distância entre reconhecer a regra e contestar o vencedor.

No Brasil, em novembro de 2022, o Partido Liberal (PL) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a anulação de votos do segundo turno. O presidente do tribunal, Alexandre de Moraes, rejeitou o pedido e aplicou multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé, ou seja, uso abusivo da Justiça.

Segundo a decisão, o partido “não apresentou quaisquer indícios e circunstâncias” que justificassem a verificação extraordinária. O plenário manteve a multa em 15 de dezembro de 2022.

O que dizem as normas

A Carta Democrática Interamericana, da OEA, diz que eleições livres e justas são elemento essencial da democracia representativa. A Constituição brasileira, no artigo 4º, inciso IV, prevê a não-intervenção como princípio das relações internacionais do país.

Pedir a governos estrangeiros que não reconheçam um resultado eleitoral tenta levar a disputa para fora do país. Na leitura deste texto, isso foge da via legal, que passa pela Justiça brasileira.

O que diz a OEA: A Carta Democrática Interamericana afirma que eleições livres e justas são um elemento essencial da democracia representativa, segundo o texto oficial publicado no site da organização.

Como terminaram os três casos Alegação, avaliação de tribunais e observadores, e desfecho

País Alegação O que apuraram tribunais e observadores Desfecho
EUA (2020) Fraude em estados disputados Mais de 60 ações perdidas; falta de provas Caso federal extinto em 2024; caso na Geórgia, em 2025
Peru (2021) “Fraude em mesa” OEA não detectou graves irregularidades Castillo proclamado em 19/07/2021
Brasil (2022) Anulação de votos do 2º turno TSE: pedido sem indícios; litigância de má-fé Multa de R$ 22,9 milhões mantida em 15/12/2022

Fontes: ver lista abaixo. Elaboração: redação.

O que isso significa

Nos três casos, a decisão dependeu de provas apresentadas no prazo e pelo rito certo. Quem contesta uma eleição precisa demonstrar o que alega, e a Justiça avalia essas provas.

Como fizemos: Checamos cada fato em reportagens e documentos publicados entre 2021 e 2025, com acesso em 26/10/2026: PolitiFact, NBC News, Route Fifty, Fox News, WOLA, La República, Jovem Pan, e os textos da OEA e do Planalto. Os números de votos, a multa e as datas são os das fontes citadas, sem cálculos próprios. O texto não analisa a contestação atual no Brasil, cujos fatos não foram verificados aqui.

Fontes