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Eleições

TSE nega que fiscais do PL tenham sido retirados da sala-cofre

Flávio Bolsonaro disse que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre do TSE; a corte nega e diz que o local não recebe visitas.

Edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral em Brasília, com fachada de vidro escuro, parte superior curva e duas cúpulas brancas em primeiro plano.
Edifício-sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília.Foto: Alexandresena / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na noite de domingo (25), depois de perder o segundo turno para Lula, Flávio Bolsonaro (PL) disse que os fiscais do partido foram retirados da sala-cofre do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na madrugada seguinte, o tribunal respondeu em nota: a informação é falsa.

Este texto não decide se a fala é verdadeira. Ele explica o que é a sala-cofre, quem pode acompanhar a totalização (a soma dos votos de todas as seções) e como um partido pode conferir os números.

O que Flávio disse e o que o TSE respondeu

Segundo o SBT News, Flávio afirmou: “Os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que a decisão foi tomada.” Ele criticava a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que estendeu a votação até as 19h. Essa mudança foi pedida pela campanha de Lula, segundo o mesmo site. Flávio também disse que vai pedir a anulação da eleição, segundo o InfoMoney.

Em nota, o TSE afirmou: “A sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação.” Segundo a corte, dois fiscais do PL estiveram no tribunal no domingo. Eles acompanharam o teste de integridade das urnas e a totalização, e visitaram a Sala dos Partidos Políticos.

O que diz o TSE: Em nota, a corte afirmou que a sala-cofre não é aberta a visitas e que os fiscais do PL não foram removidos do local. Segundo o tribunal, há registros de presença nos locais visitados e filmagens da Sala de Totalização.

O que é a sala-cofre e quem pode entrar

A sala-cofre é uma área restrita do TSE. Segundo a Folha de Curitiba, ela guarda equipamentos e materiais do processo eleitoral. As reportagens consultadas não detalham quem tem permissão para entrar nela.

Fiscais são pessoas credenciadas por um partido para acompanhar a votação. Pela Lei 9.504, de 1997, só os partidos emitem essas credenciais. Cada partido pode ter até dois fiscais por seção de votação (art. 65, §§ 2º e 4º).

Na Sala de Totalização, onde se acompanha a soma dos votos, as regras são do próprio TSE. Em 2022, a corte deu acesso livre a representantes do Ministério Público (MP), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), da Polícia Federal (PF), de partidos e de observadores internacionais, a partir das 16h30 do domingo da eleição, segundo o Poder360.

Em agosto deste ano, o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente, disse que partidos e candidatos podem acompanhar as etapas. Ele afirmou: “Não é só receber e somar. Tudo é verificado.”

Como conferir os votos

Ao fim da votação, cada urna imprime um boletim de urna (BU), com os votos de cada candidato naquela seção. A lei obriga a mesa receptora, equipe que recebe os votos na seção, a entregar cópia aos partidos que pedirem, até uma hora depois da impressão. Descumprir a regra é crime (art. 68, §§ 1º e 2º).

O TSE publica os BUs no Portal de Resultados, onde se abre o boletim de cada seção. Com as cópias, um partido pode somar os votos das seções e comparar com o total divulgado pela Justiça Eleitoral.

No dia da votação, o teste de integridade compara votos impressos em cédulas com os votos registrados nas urnas. Segundo o TSE, o Tribunal de Contas da União (TCU) acompanha esses testes em 2026.

O que segue em aberto

Até agora, há duas versões. Flávio diz que os fiscais foram retirados da sala-cofre. O TSE diz que não foram removidos do local. A corte afirma ter registros de presença e imagens, mas as reportagens consultadas não mostram esse material publicado.

Se a campanha de Flávio levar o pedido de anulação ao TSE, o caso segue pela Justiça Eleitoral, com prazos e provas. Para conferir a apuração de uma seção, o caminho é o boletim publicado pela própria Justiça Eleitoral.

Fontes