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Eleições

Trump repete acusação sem prova contra eleição brasileira

Em comício no Texas, presidente dos EUA voltou a insinuar fraude sem apresentar evidências; TSE confirmou vitória de Lula por 4,4 milhões de votos.

Donald Trump sentado à mesa do Salão Oval da Casa Branca enquanto fala ao telefone.
Donald Trump fala ao telefone no Salão Oval da Casa Branca em 18 de agosto de 2025.Foto: Daniel Torok / Casa Branca / Wikimedia Commons (Domínio público)

Em um comício no Texas nesta terça-feira (27), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a insinuar fraude na eleição brasileira. Ele disse que o Brasil estaria fazendo “um bom trabalho nisso” ao falar de fraudadores eleitorais. Não apresentou nenhuma evidência.

Trump repetiu que não tomou partido na disputa. Foi o segundo dia seguido de declarações sem provas sobre a votação brasileira. Na segunda-feira (26), ele já havia dito que a eleição “pareceu fraudada” e criticado a prorrogação do horário de votação.

Trump insinua fraude em dois dias, sem mostrar evidências Declarações sobre a eleição brasileira em 26 e 27 de outubro

Data Declaração Prova apresentada
Segunda, 26 A eleição brasileira “pareceu fraudada” Nenhuma
Terça, 27 O Brasil também estaria fazendo “um bom trabalho” em fraude Nenhuma

Fonte: G1 e Agência Brasil. Elaboração: redação.

O resultado confirmado pelo TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no domingo (25). Lula recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de cerca de 4,4 milhões de votos.

A prorrogação questionada por Trump foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão valeu para seções que ainda estavam em funcionamento às 17h, após relatos de problemas no transporte de eleitores.

Nesta terça, o TSE informou que 34.393 votos foram registrados depois das 17h. Desse total, 32.399 entraram na apuração até as 18h, e 1.981 entre 18h e 19h. Apenas 13 foram computados depois das 19h, por eleitores que já estavam nas seções.

Esses dados delimitam o efeito da prorrogação. Eles não sustentam a acusação genérica de fraude. Também não substituem a análise de qualquer pedido judicial específico, que precisa apresentar fatos e provas.

A resposta do governo brasileiro

O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou a fala de Trump como “totalmente equivocada”. Em entrevista à TV Vanguarda, ele afirmou que um país não deve interferir na política de outro. Também disse não haver referencial para a acusação.

O assessor internacional Celso Amorim afirmou ao G1 que Trump está mal informado. Amorim chamou a declaração de contraditória, porque o norte-americano também disse gostar de Lula e ter boa relação com ele.

O que diz o governo brasileiro: Alckmin afirmou que a posição de Trump é “totalmente equivocada” e defendeu a segurança jurídica das urnas. “Democracia você ganha eleição, você perde. É o povo que decide”, declarou o vice-presidente à TV Vanguarda, segundo a Agência Brasil.

Soberania e negociação seguem na resposta

Apesar da reação, Alckmin afirmou que o Brasil continuará negociando com os Estados Unidos. Ele citou a busca de um bom acordo econômico e a abertura de outros mercados. A resposta separa a defesa do resultado eleitoral da relação comercial entre os países.

A soberania eleitoral depende de decisões tomadas e verificadas no Brasil. O TSE proclamou o resultado e agora divulga os dados da votação. Até o fechamento desta atualização, Trump não havia apresentado documento, testemunha ou irregularidade específica para sustentar suas declarações.

Como fizemos: comparamos as declarações de segunda e terça publicadas pelo G1 e pela Agência Brasil, além dos dados divulgados pelo TSE em 27/10/2026. A tabela registra as duas falas e a ausência de evidências nas reportagens. Usamos os números do TSE para avaliar a referência à prorrogação, sem tratá-los como julgamento de outras alegações.

Fontes