Cada ponto da Selic pesa cerca de R$ 49 bi por ano na dívida
O Copom não se reúne em outubro. A próxima decisão sobre a Selic, hoje em 13,75%, é em 3 e 4 de novembro. Veja o peso dos juros na dívida.

Não haverá reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em outubro. A próxima decisão sobre a taxa Selic será em 3 e 4 de novembro de 2026. O calendário com as oito reuniões do ano foi publicado pelo canal Bora Investir, da B3.
O Copom define a taxa básica de juros do país, a Selic. Ele é formado pelo presidente e pelos diretores do Banco Central (BC). Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro e a economia tende a desacelerar. Isso ajuda a conter a inflação.
A meta de inflação é de 3% ao ano, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ela aceita variação de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Para 2026, a faixa vai de 1,5% a 4,5%, segundo o InfoMoney.
Selic em 13,75%, e o que o mercado espera
A Selic está em 13,75% ao ano desde 16 de setembro. Naquele dia, o Copom cortou 0,25 ponto percentual, de 14%. Foi o quinto corte seguido, segundo a Poder360. Não houve reunião desde então.
O boletim Focus, do BC, reúne projeções de instituições financeiras. Na edição de 13 de outubro, a mediana para a Selic no fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25%, segundo o DGABC. É uma expectativa, não uma decisão.
Quanto pesa cada ponto na dívida
Os títulos atrelados à Selic acompanham a taxa de juros quase na hora. Em agosto, eles somavam 52,74% da Dívida Pública Federal (DPF), o maior percentual da série iniciada em dezembro de 2000. A DPF estava em R$ 9,293 trilhões, segundo o Tesouro Nacional, via Agência Brasil.
Pela conta simples, 52,74% de R$ 9,293 trilhões dá cerca de R$ 4,9 trilhões. Cada ponto percentual de juro sobre esse valor soma cerca de R$ 49 bilhões por ano. O corte de 0,25 ponto de setembro equivale a cerca de R$ 12 bilhões por ano.
Quanto custa, por ano, cada variação da Selic Custo anual aproximado nos títulos atrelados à Selic, em R$ bilhões, com base no estoque de agosto de 2026
| Variação da Selic | Custo anual aproximado |
|---|---|
| 0,25 ponto percentual | cerca de R$ 12 bi |
| 1 ponto percentual | cerca de R$ 49 bi |
| 2 pontos percentuais | cerca de R$ 98 bi |
Fonte: Tesouro Nacional, via Agência Brasil. Elaboração: redação.
O número é uma simplificação. Os títulos atrelados à Selic reagem rápido. Os prefixados e os ligados à inflação só mudam de custo quando o governo emite novos papéis. Por isso, o efeito total demora a aparecer por inteiro.
O que diz o Banco Central: em 16 de setembro, o Copom decidiu cortar a Selic de 14% para 13,75% ao ano, segundo a Poder360. Esta matéria usa apenas decisões e dados já divulgados, por isso não houve pedido de resposta prévio ao BC.
O que isso significa
A decisão deve sair na quarta-feira (4), segundo dia da reunião. Se o Copom cortar de novo, o alívio anual nesse recorte é de cerca de R$ 12 bilhões. Se mantiver a taxa, a conta fica como está.
Em ambos os casos, o efeito sobre a dívida aparece aos poucos, à medida que a dívida é renovada.
Como fizemos: Usamos o calendário do Copom publicado pela Bora Investir (B3), a reportagem da Poder360 sobre a decisão de 16/9/2026, o boletim Focus citado pelo DGABC em 13/10/2026, a Dívida Pública Federal de agosto de 2026 divulgada pelo Tesouro Nacional e reproduzida pela Agência Brasil, e a meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), citada pelo InfoMoney. Todas as fontes foram acessadas em 27/10/2026. Não conseguimos abrir as páginas do Banco Central nesta consulta, por isso as datas e a taxa vêm dessas reportagens e devem ser conferidas no site do BC. O cálculo é nosso: 52,74% de R$ 9,293 trilhões são cerca de R$ 4,90 trilhões, e 1% desse valor são cerca de R$ 49 bilhões por ano. Supõe que a taxa fique alterada por 12 meses e que o estoque atrelado à Selic não mude. Não inclui os efeitos sobre prefixados, títulos ligados ao IPCA e novas emissões, e não é a despesa total com juros. Dados do Tesouro de setembro de 2026 não foram localizados.
Fontes
- Copom terá 8 reuniões em 2026: veja calendário e projeção para a Selic — Bora Investir (B3) (acesso em 27/10/2026)
- Copom reduz Selic para 13,75% ao ano, no 5º corte consecutivo — Poder360, 16/9/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Estimativa para a Selic no fim de 2026 passa de 13,50% para 13,25% no Focus do BC — DGABC, 13/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Dívida pública federal atinge R$ 9,29 trilhões em agosto de 2026 — Tribuna PR, reproduzindo a Agência Brasil, 28/9/2026 (acesso em 27/10/2026)
- CMN define meta de inflação em 3% para 2026 e altera regime para meta contínua a partir de 2025 — InfoMoney, 29/6/2023 (acesso em 27/10/2026)
- Imagens de Brasília: Banco Central do Brasil — Wikimedia Commons (CC BY 2.0) (acesso em 27/10/2026)



