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Orçamento

Juro real sobe a 9,05%, e Brasil lidera ranking de 40 países

Taxa brasileira avançou 0,60 ponto desde setembro e supera sete vezes a média; juros da dívida somam R$ 1,205 trilhão em 12 meses.

Fachada de vidro e concreto da sede do Banco Central, com árvores e palmeiras ao redor.
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, em registro de 23 de fevereiro de 2015.Foto: Jonas Pereira / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O juro real do Brasil chegou a 9,05% no levantamento de novembro da consultoria MoneYou, divulgado neste sábado (7) pela Agência Brasil. A taxa lidera o ranking de 40 países e avançou 0,60 ponto percentual sobre os 8,45% de setembro.

Juro real é a taxa que desconta a inflação. O indicador brasileiro ficou 7,1 vezes acima da média de 1,27% dos países avaliados, segundo cálculo da redação. A diferença coloca o Brasil à frente de Turquia, Argentina, Rússia e Colômbia.

Distância em relação aos demais

A Turquia aparece na segunda posição, com 7,77%. O Brasil tem uma vantagem de 1,28 ponto percentual sobre o país. Em relação ao Chile, décimo colocado, a diferença chega a 7,36 pontos.

Brasil lidera com folga a comparação de juros reais Taxas dos cinco primeiros e média dos 40 países, em %, novembro de 2026

País ou grupo Juro real
Brasil 9,05%
Turquia 7,77%
Argentina 6,80%
Rússia 6,57%
Colômbia 4,05%
Média dos 40 países 1,27%

Fonte: MoneYou, com divulgação da Agência Brasil. Elaboração: redação.

O ranking mede uma comparação internacional, não o juro cobrado em cada empréstimo ao consumidor. Taxas de financiamento, cartão e crédito pessoal incluem outros custos e riscos. O dado, porém, ajuda a medir o preço do dinheiro depois de retirada a inflação.

Selic parou de cair

Na quarta-feira (4), o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic, a taxa básica de juros do país, em 13,75% ao ano. A decisão unânime interrompeu o ciclo de redução iniciado em abril.

O Banco Central justificou a pausa pelas incertezas ampliadas nas últimas semanas. Também apontou expectativas de inflação acima da meta. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em 4,62% em 12 meses, acima do teto de 4,5%.

A manutenção da Selic afeta o crédito, o investimento e a remuneração de aplicações. Seu efeito não é instantâneo nem igual para todas as famílias. Quem precisa de empréstimo sofre mais com o custo, enquanto quem tem dinheiro aplicado pode receber juros maiores.

Conta pública pressionada

Os juros nominais do setor público somaram R$ 1,205 trilhão nos 12 meses até setembro, conforme o Banco Central. O valor equivale a 8,99% do Produto Interno Bruto (PIB), a soma de bens e serviços produzidos no país.

A estatística reúne União, estados e municípios e registra juros apropriados, não apenas pagamentos em dinheiro no período. Por isso, não deve ser confundida com uma única despesa do Orçamento federal. Ainda assim, mostra o peso financeiro do endividamento.

A dívida bruta do governo geral estava em R$ 11,1 trilhões em setembro, ou 82,9% do PIB. O percentual subiu 4,3 pontos desde o início do ano. Segundo o Banco Central, os juros foram o principal fator dessa elevação.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) chamou a manutenção da Selic de “injustificável”. Para o presidente da entidade, Ricardo Alban, é possível reduzir os juros sem impor custo maior à economia. Parte dos agentes financeiros, por outro lado, cobra cortes de gastos para estabilizar a dívida.

O que diz o Banco Central: o Copom afirmou, no comunicado de 4 de novembro, que as incertezas aumentaram e que as expectativas de inflação seguem acima da meta. O colegiado manteve a Selic em 13,75% e não indicou a trajetória das próximas reuniões.

A próxima leitura da inflação e das contas públicas ajudará a medir se a pausa terá continuidade. O ranking não prevê a decisão do Copom, mas evidencia o custo brasileiro numa comparação internacional. A disputa sobre a origem desse custo continuará entre a política de juros e o ajuste fiscal.

Como fizemos: conferimos o ranking divulgado neste sábado, o comunicado do Copom e as estatísticas fiscais do Banco Central, acessados em 7/11/2026. Calculamos 9,05 dividido por 1,27 para obter 7,1 vezes e 9,05 menos 8,45 para a alta de 0,60 ponto. Os dados internacionais não medem juros de empréstimos ao consumidor.

Fontes