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Orçamento

Fazenda prepara medidas para buscar centro da meta fiscal

Durigan quer superávit primário de R$ 73,2 bilhões em 2027 e negociar com o Congresso uma fatia maior de despesas contingenciáveis.

Dario Durigan aparece em primeiro plano durante encontro de Lula com o presidente português António José Seguro.
Dario Durigan (à esquerda) em encontro entre Lula e António José Seguro, em Portugal, em 21 de abril de 2026.Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na terça-feira (27) que o governo apresentará medidas para buscar o centro da meta fiscal de 2027. O objetivo é obter superávit primário de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Superávit primário ocorre quando as receitas do governo superam as despesas, antes dos juros da dívida. O PIB é a soma dos bens e serviços produzidos no país. A regra também admite resultado de 0,25% do PIB, cerca de R$ 36,6 bilhões, como limite inferior de tolerância.

O centro da meta exige R$ 36,6 bilhões adicionais

A diferença entre o piso de tolerância e o centro ajuda a medir o esforço defendido por Durigan. Cumprir apenas o limite evita descumprir a regra, mas não atinge o resultado que o ministro diz perseguir.

O ministro informou que algumas medidas estão prontas, sem detalhar valores ou instrumentos. Uma das possibilidades é ampliar a parcela do Orçamento sujeita a contingenciamento. Esse mecanismo retém temporariamente despesas e depende de aprovação do Congresso Nacional.

Centro da meta representa o dobro do limite de tolerância Referências para o resultado primário do governo central em 2027

Referência Parcela do PIB Valor estimado
Limite inferior de tolerância 0,25% R$ 36,6 bilhões
Centro da meta 0,50% R$ 73,2 bilhões
Diferença 0,25 ponto percentual R$ 36,6 bilhões

Fonte: Ministério da Fazenda, conforme G1 e Agência Brasil. Elaboração: redação.

Contingenciar não é o mesmo que cancelar. O governo segura parte da autorização de gasto e pode liberá-la depois, se as condições fiscais permitirem. Ampliar a fatia sujeita a essa regra aumenta o poder do Executivo sobre a execução, mas não define sozinho quais serviços serão afetados.

Anúncios esperam a nova equipe econômica

Durigan disse que as propostas serão apresentadas após autorização de Lula. O presidente quer antes definir os integrantes da equipe econômica do próximo mandato. Até lá, o ministro descreveu o momento como um período de transição.

O novo mandato começa em 5 de janeiro de 2027. O ministro afirmou que Lula discutirá os próximos passos com a equipe atual e com os nomes ainda designados. Isso deixa o conteúdo e o calendário das medidas em aberto.

Na segunda-feira (26), Durigan também procurou representantes do setor financeiro. Segundo ele, a intenção foi acalmar o mercado após a eleição. A declaração registra uma estratégia de diálogo, mas não comprova efeito sobre juros, câmbio ou Bolsa.

O que diz Dario Durigan: o ministro declarou que o compromisso do governo é “com a responsabilidade fiscal, com a estabilidade fiscal” e que esse objetivo será buscado com diálogo. Ele afirmou que há medidas prontas e outras em estudo, mas não apresentou seus valores ou textos.

O Congresso decidirá parte do ajuste

A depender do desenho, o Executivo poderá agir por medidas administrativas ou precisará de projetos aprovados pelos parlamentares. A ampliação do contingenciamento citada por Durigan pertence ao segundo grupo. Por isso, a negociação não é apenas com o mercado.

Para o leitor, o ponto central será saber de onde virá o ajuste. Corte de despesas, aumento de receitas e mudanças na execução produzem efeitos diferentes. Sem a lista de medidas, ainda não é possível calcular quem arcará com cada parte do esforço.

A próxima etapa é a apresentação formal das propostas. Os textos devem mostrar se o centro da meta será alcançado por receitas, contenção de gastos ou uma combinação. O Congresso terá papel direto nas medidas que alterarem o Orçamento de 2027.

Como fizemos: comparamos as declarações de Durigan publicadas pela Agência Brasil e pelo G1 em 27/10/2026. Calculamos a diferença entre R$ 73,2 bilhões e R$ 36,6 bilhões e entre 0,50% e 0,25% do PIB. Não somamos medidas não detalhadas nem tratamos declarações de intenção como economia já realizada.

Fontes