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Orçamento

Governo prevê salário mínimo de R$ 1.741 em 2027, alta de 7,4%

O Orçamento de 2027 prevê piso de R$ 1.741, alta de 7,4%. O valor final só sai em dezembro, depois da inflação medida até novembro.

Parlamentares de terno conversam em pé no plenário do Congresso Nacional, em Brasília, diante da mesa diretora e da bandeira do Brasil.
Sessão do Congresso Nacional que votou o Orçamento da União de 2015, em Brasília; o Orçamento de 2027 será votado depois das eleições.Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 31 de agosto de 2026, o governo enviou ao Congresso o projeto do Orçamento de 2027. Ele prevê salário mínimo de R$ 1.741 no ano que vem. É R$ 120 a mais que os R$ 1.621 de 2026, uma alta de 7,4%.

O número ainda pode mudar. Ele depende da inflação medida até novembro, e o valor final só será definido em dezembro. Entender a conta ajuda a saber quanto o reajuste pesa no orçamento.

Como o piso é calculado

A regra está na Lei 14.663, de 2023. Ela tem duas partes. A primeira repõe a inflação, medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor, do IBGE), acumulado em 12 meses até novembro.

A segunda parte dá ganho real, isto é, aumento acima da inflação. Esse ganho segue o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de tudo o que o país produz) de dois anos antes. Se o PIB cair, o ganho é zero.

Desde o pacote de contenção de gastos de 2024, esse ganho tem teto. Pelo arcabouço fiscal, a regra que limita as despesas, o máximo é de 2,5% acima da inflação, segundo a Agência Brasil.

Salário mínimo nominal, de 2023 a 2027 Valor mensal em reais, sem correção pela inflação

Ano Valor mensal (R$) Situação
2023 1.320 Em vigor desde 1º de maio
2024 1.412 Em vigor durante 2024
2025 1.518 Fixado por decreto em dezembro de 2024
2026 1.621 Em vigor desde 1º de janeiro
2027 1.741 Previsão do projeto de Orçamento, sujeita a revisão

Fonte: Lei 14.663/2023, Portal da Indústria, Forbes Brasil e Poder360. Elaboração: redação.

De onde vem a conta de 2027

Reportagens que citam a Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Fazenda, falam em INPC projetado de 4,93%. O PIB de 2025 cresceu 2,3%, segundo o IBGE. Esse percentual fica abaixo do teto de 2,5% e entra inteiro como ganho real.

Nossa conta: R$ 1.621 × 1,0493 × 1,023 dá R$ 1.740,04. Pela lei, valores quebrados são arredondados para o inteiro seguinte, e o resultado é R$ 1.741.

Alguns textos citam PIB de 2,46%. Esse número é a projeção de crescimento do Orçamento de 2027. Ele não entra no cálculo do piso, que usa o resultado de 2025.

Quanto depende do piso

Cada real a mais no salário mínimo custa cerca de R$ 413,2 milhões à União. Os dados são de estimativa das consultorias de orçamento da Câmara e do Senado. Para os R$ 120 de aumento, a conta chega a cerca de R$ 49,6 bilhões.

Essa estimativa usa a previsão de abril, de R$ 1.717. A revisão para R$ 1.741 acrescentou cerca de R$ 9,9 bilhões. O piso serve de base para o INSS, o BPC, o abono salarial e o seguro-desemprego.

No INSS, cerca de 21,9 milhões de benefícios estavam no valor do piso em 2026. Eles são 62,5% dos 35,15 milhões do regime geral, segundo o órgão. O reajuste de 2026 foi estimado em R$ 30,7 bilhões.

O BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda, também está atrelado ao piso. O projeto de 2027 reserva R$ 145,1 bilhões ao programa, segundo a Câmara.

O que diz o Ministério da Fazenda: Em 24 de agosto, o ministro Dario Durigan afirmou que “o salário mínimo, com os reajustes previstos em lei, chega a R$1.741 no ano que vem”, segundo a InfoMoney. A declaração é anterior ao envio do projeto ao Congresso.

O que isso significa

O valor de 2027 é uma previsão. Se a inflação até novembro ficar acima da projeção, o piso sobe. Se ficar abaixo, cai. Quem recebe benefício atrelado ao piso só terá o reajuste final no fim do ano.

Cada real de aumento pesa mais de R$ 400 milhões no gasto da União. O Congresso ainda vai analisar o projeto antes da decisão final.

Como fizemos: Usamos a Lei 14.663/2023, o texto do projeto de Orçamento de 2027 descrito pela Câmara e por reportagens de 24 a 31 de agosto de 2026, além de dados do INSS publicados pelo Poder360 em janeiro de 2026, acessados em 23 de outubro de 2026. Não consultamos o projeto completo, por isso o INPC de 4,93% vem de reportagens que citam a SPE. Nossa conta usa o INPC de 4,93% e o PIB de 2025 de 2,3%, e chega a R$ 1.740,04 antes do arredondamento. Não enviamos perguntas ao ministério para esta versão; a posição vem de declarações publicadas.

Fontes