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Planalto

Enamed terá três provas; 107 cursos já tiveram nota insatisfatória

Lei sancionada por Lula vale para ingressantes desde 19 de junho; em 2025, cerca de 13 mil egressos não foram proficientes no exame.

Entrada de prédio histórico da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com duas pessoas em frente.
Entrada da biblioteca da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em registro de 22 de setembro de 2016.Foto: JVech / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta sexta-feira (6) a lei que torna o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) obrigatório. O estudante fará provas no segundo, no quarto e no sexto ano da graduação.

A exigência de proficiência para exercer a profissão vale para quem ingressou no curso a partir de 19 de junho de 2026. Quem já estava matriculado antes dessa data segue as regras anteriores, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Resultados mostram o tamanho do desafio

A lei nasceu da Medida Provisória 1.370/2026, aprovada pelo Congresso em outubro. O MEC informou ter recebido mais de 360 decisões liminares sobre abertura de cursos. A oferta anual de vagas cresceu em mais de 23 mil durante a moratória vigente entre 2018 e 2022.

A primeira edição, em 2025, teve 96,6 mil inscritos confirmados e avaliou 351 cursos. Desses, 107 receberam conceito 1 ou 2, considerados insatisfatórios. Isso representa 30,5% do total, segundo cálculo da redação.

Apenas 49 cursos obtiveram conceito 5, ou 14% do total. Cerca de 13 mil egressos não foram considerados proficientes. O Inep informou que cursos autorizados por decisões judiciais tiveram o pior desempenho, sem detalhar a diferença na notícia divulgada nesta sexta.

Quase um terço dos cursos avaliados teve conceito insatisfatório Resultados da primeira edição do Enamed, em 2025

Indicador Resultado Participação
Cursos com conceito 1 ou 2 107 30,5%
Cursos com conceito 5 49 14,0%
Total de cursos avaliados 351 100%

Fonte: Inep. Percentuais calculados pela redação.

Em 2026, o exame reuniu 152,9 mil inscritos, alta de 58,3% sobre o ano anterior. A inclusão de estudantes do quarto ano, além dos concluintes, explica parte do crescimento. O Inep ainda não apresentou, na mesma notícia, os resultados de qualidade dessa segunda edição.

Prova acompanha estudante e faculdade

A pontuação será acumulada ao longo do curso, com peso maior na última prova. O egresso que não atingir o desempenho mínimo poderá tentar novamente, mas ficará impedido de exercer a medicina até obter aprovação.

Para as instituições, resultados insatisfatórios poderão provocar supervisão do Ministério da Educação (MEC). As medidas incluem redução de vagas e suspensão temporária de ingressos. A avaliação, portanto, não termina na permissão individual para trabalhar.

A nota também poderá ser usada no Exame Nacional de Residência (Enare) e substituirá a etapa teórica do Revalida, processo de reconhecimento de diplomas médicos obtidos no exterior. O objetivo é reduzir avaliações separadas ao longo da formação.

Lula vetou o trecho que previa contrapartidas de 2% do faturamento líquido das instituições que usam a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) para estágios. Segundo o Inep, o governo alegou dificuldade para definir o valor com critérios objetivos e equânimes.

O que diz o Inep: o instituto afirma que a lei cria um padrão nacional de proficiência e permite supervisionar cursos com mau desempenho. A posição e os resultados das edições estão publicados em nota de 6 de novembro.

A aplicação conjunta caberá ao MEC, ao Inep, ao Ministério da Saúde e ao Conselho Federal de Medicina. Os próximos atos precisarão detalhar o funcionamento das três etapas e da supervisão. Para o paciente, o efeito esperado depende de a avaliação levar à correção dos cursos, não apenas à reprovação de estudantes.

Como fizemos: consultamos notas do Inep, da Agência Brasil e do Senado, acessadas em 7/11/2026. Calculamos as participações de 107 e 49 cursos sobre 351 e a alta de 96,6 mil para 152,9 mil inscritos. Não comparamos notas de 2026 porque elas não foram informadas na fonte.

Fontes