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STF

Flávio criticou extensão da votação que a própria campanha pediu

Flávio chamou de quebra de isonomia a prorrogação decidida por Zanin, mas sua campanha havia pedido ao TSE o mesmo horário em 17 municípios.

Fachada de mármore branco do edifício do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, com colunas curvas, vidros escuros e céu azul ao fundo.
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília. O ministro Cristiano Zanin, do STF, assinou a decisão que prorrogou a votação.Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

No domingo (25), perto das 17h, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin determinou que a votação do segundo turno fosse prorrogada até as 19h. Depois da divulgação do resultado, o senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), criticou a decisão e disse que vai pedir a anulação da eleição.

Em pronunciamento, Flávio falou em “quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades e de diferentes estados”. Mas sua própria campanha tinha pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a mesma extensão, para cidades escolhidas.

O pedido da campanha de Flávio

Segundo a Exame, a campanha pediu que a votação fosse estendida até as 19h em 17 municípios. São dez em São Paulo, incluindo a capital, dois no Paraná e cinco em Santa Catarina. A campanha alegou que “chuvas, alagamentos e interdições de vias dificultaram o acesso de eleitores às seções”.

O pedido também queria que a divulgação do resultado presidencial começasse só depois do fim da votação nessas cidades. Segundo a Jovem Pan, a campanha depois incluiu Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Três pedidos e uma decisão sobre a votação de 25 de outubro Quem pediu, o que foi pedido e o motivo alegado, em 25/10/2026

Quem pediu O que foi pedido Motivo
Campanha de Flávio (PL), ao TSE Votação até as 19h em 17 municípios de SP, PR e SC Chuva, alagamentos e interdições
Coligação de Lula (PT), ao STF Votação até as 19h em municípios com falta de ônibus Falta de transporte público
Decisão de Zanin (STF) Votação até as 19h em todo o país, depois só nas seções ainda abertas “Gravidade dos fatos narrados” e urgência

Fonte: Exame, Jovem Pan, Gazeta do Povo, Rádio Senado e Migalhas. Elaboração: redação.

O que decidiu o STF

Zanin decidiu depois de pedidos das duas campanhas, segundo a Gazeta do Povo. No texto inicial, a prorrogação valia para seções de todo o país. Depois, Zanin esclareceu que valeria só onde a votação ainda não tinha terminado, segundo a Migalhas. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, seguiu o mesmo entendimento, de acordo com a Gazeta.

As reportagens consultadas não dizem qual pedido embasou a liminar. Também não informam se o TSE decidiu sobre o pedido da campanha de Flávio.

A sala-cofre

Flávio afirmou que “os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre” a partir da decisão. O TSE negou. Segundo o tribunal, a sala-cofre “não é um espaço aberto à visitação”. Dois fiscais do PL estiveram na sede para acompanhar o Teste de Integridade das Urnas, procedimento de checagem dos equipamentos, e na Sala dos Partidos Políticos, segundo a Agência Brasil.

O que diz Flávio Bolsonaro: Em pronunciamento no domingo, ele chamou a prorrogação de “quebra total de isonomia” entre eleitores de diferentes cidades e estados, e disse que vai pedir a anulação. Segundo a Gazeta do Povo, ele não mencionou o pedido da própria campanha.

O que fica em aberto

A crítica de Flávio é à extensão para o país inteiro. O pedido da campanha era para municípios escolhidos. Nos dois casos, eleitores de algumas cidades ganhariam mais tempo que os de outras. A diferença está na escala, não no princípio.

Ficam em aberto a decisão do TSE sobre o pedido da campanha e o pedido de anulação, que Flávio disse que vai levar à Justiça.

Como fizemos: Reunimos reportagens publicadas em 25 e 26/10/2026, acessadas em 26/10/2026, sobre os pedidos de prorrogação, a decisão do STF e a resposta do TSE. Não tivemos acesso à petição da campanha nem aos autos da decisão; os municípios vêm das listas publicadas pela Exame e pela Gazeta do Povo. A campanha de Flávio não se manifestou sobre o próprio pedido nas reportagens consultadas.

Fontes