Agentes de saúde ganham aposentadoria especial com custo em disputa
Emenda 140 cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate às endemias, com idade mínima de 57 ou 60 anos.

Na sexta-feira (16), o Congresso promulgou a Emenda Constitucional (EC) 140. O texto cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE), que atuam contra doenças como a dengue. Os dois grupos fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS), a rede pública que atende toda a população.
A mesma sessão promulgou a EC 141, que põe fim à escala 6x1, em que o trabalhador trabalha seis dias e folga um. Na sessão, o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre, disse que o Congresso transforma “duas lutas históricas em direitos”.
O texto nasceu como Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 14/2021. A Câmara dos Deputados aprovou o texto em outubro de 2025, segundo a Agência Câmara. O Senado aprovou em julho deste ano, por 73 votos a 1, segundo a Agência Senado.
Quem entra na regra
A regra permanente exige 57 anos de idade para mulheres e 60 para homens. Também são necessários 25 anos de contribuição e de efetivo exercício, ou seja, de trabalho de fato na função. Para comparação, a idade mínima da regra geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é de 62 anos para mulheres e 65 para homens.
Quem já atua na função tem regra de transição. Até 2030, quem completar 25 anos de contribuição pode se aposentar aos 50 anos (mulheres) ou aos 52 (homens). A idade mínima sobe a partir de 2030 e chega a 57 e 60 anos em 2041, segundo a Rádio Senado.
As regras valem para o regime próprio de servidores públicos e para o regime geral do INSS. Segundo a Agência Senado, o texto também alcança agentes indígenas de saúde e de saneamento. A Rádio Senado informa que a contratação temporária ou terceirizada desses agentes fica proibida, salvo em emergências de saúde pública.
Quanto custa e quem paga
A União vai financiar um benefício complementar a quem está no INSS, segundo a Rádio Senado. A Agência Senado também cita assistência financeira da União a estados e municípios. As notas oficiais do Congresso não trazem estimativa de custo.
Reportagens trazem números diferentes. O Tempo fala em cerca de R$ 28 bilhões em dez anos aos cofres da União. A Gazeta do Povo cita R$ 27 bilhões em uma década, sendo R$ 17,6 bilhões para regimes municipais e R$ 10,3 bilhões para a União. O jornal não diz qual órgão calculou o valor, mas cita nota técnica do Ministério da Previdência. Não localizamos esse documento publicado.
A Gazeta do Povo afirma que o governo chama a medida de “pauta-bomba”, termo para propostas que pressionam as contas públicas. O Tempo registra que, na sessão, o presidente Lula disse que, se a medida é importante e justa, o país não tem alternativa senão promulgá-la.
O que diz Davi Alcolumbre, presidente do Senado e do Congresso: “Esses profissionais levam o Estado aonde ele muitas vezes não chega.” A frase está na nota oficial do Senado sobre a promulgação, publicada em 16/10/2026.
O que ainda está em aberto
Três pontos seguem em aberto. O primeiro é o custo, com estimativas que divergem e sem cálculo oficial publicado que tenhamos conferido. O segundo é a transição, cujas regras de pontuação as reportagens não detalham. O terceiro é a disputa jurídica: segundo O Tempo, a base do governo chegou a avaliar recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O texto final também não estava disponível para consulta. Estados, municípios e o Distrito Federal têm até o fim de 2028 para regularizar os vínculos dos agentes, segundo a Agência Senado.
O que isso significa
A emenda põe a aposentadoria especial dos agentes na Constituição, com idade mínima abaixo da regra geral do INSS. O custo ainda não tem número consensual: as estimativas vão de R$ 27 bilhões a R$ 28 bilhões em dez anos. Até a publicação integral no Diário Oficial, as regras de transição seguem dependendo de notas oficiais e reportagens.
Como fizemos: Usamos notas da Agência Senado, da Rádio Senado, do Senado Federal e da Agência Câmara sobre a sessão de promulgação de 16/10/2026, além de reportagens de O Tempo e da Gazeta do Povo para os valores de impacto, acessadas em 22/10/2026. Não conseguimos acessar o texto integral da EC 140 no Planalto nem no Diário Oficial da União, por isso as regras vêm de notas que as resumem. Os valores de impacto são estimativas citadas pela imprensa, não cálculos nossos, e não os verificamos de forma independente.
Fontes
- Congresso promulga o fim da escala 6x1 e aposentadoria de agentes de saúde — Agência Senado
- Congresso promulga aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde — Rádio Senado
- Davi promulga duas emendas históricas: fim da escala 6x1 e aposentadoria especial dos agentes de saúde — Senado Federal
- Congresso promulga o fim da escala 6x1 e aposentadoria especial para agentes de saúde — Agência Câmara
- Congresso promulga aposentadoria especial para agentes de saúde, tida como ‘bomba’ por gestão Lula — O Tempo
- Senado aprova pauta-bomba de agentes de saúde com impacto de R$ 27 bilhões — Gazeta do Povo



