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Congresso

Projeto obriga SUS a mostrar fila de atendimento a autistas

Texto aprovado em comissão amplia informações sobre vagas, espera e medicamentos em toda a rede, não só em serviços especializados.

Pessoas aguardam do lado de fora de uma unidade básica de saúde em Porto Alegre.
Unidade Básica de Saúde Santa Cecília, em Porto Alegre, durante ação de vacinação em 9 de junho de 2021.Foto: Eugenio Hansen, OFS / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A Comissão de Saúde da Câmara aprovou nesta sexta-feira (6) o Projeto de Lei 2582/26. O texto prevê informações claras sobre o atendimento a pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) no Sistema Único de Saúde (SUS).

O texto determina a divulgação de endereços, horários, procedimentos, documentos necessários e formas de encaminhamento. Também prevê quantidade média de vagas mensais, tempo estimado de espera e posição atualizada do paciente na fila. As regras ainda dependem de outras comissões e do Senado.

Substitutivo amplia a rede alcançada

O projeto original focava estabelecimentos especializados. O substitutivo do relator, deputado Geraldo Resende (União-MS), passou a incluir toda a rede de atenção à saúde. Isso reúne atenção primária, primeiro contato do paciente, e serviços especializados.

A proposta altera a Lei 12.764/12, que trata da política nacional de proteção dos direitos da pessoa com TEA. As informações deverão ser apresentadas de forma atualizada e acessível, com protocolos clínicos, diretrizes terapêuticas e linhas de cuidado das três esferas de governo.

Texto amplia serviços e informações disponíveis Mudanças do substitutivo aprovado na Comissão de Saúde

Aspecto Projeto original Substitutivo
Rede alcançada Serviços especializados Atenção primária e especializada
Medicamentos Mais usados por pessoas com TEA Informações sobre fornecimento em geral
Filas Não detalhava posição Posição atualizada do paciente
Recursos digitais Não detalhava integração Agendamento e outras funções possíveis

Fonte: Agência Câmara e PL 2582/26. Elaboração: redação.

A integração poderá ocorrer em plataformas, aplicativos e portais oficiais já existentes. O texto também prevê agendamento eletrônico, reserva de medicamentos para retirada em prazo determinado e inclusão ou desistência em filas de espera.

Transparência não cria vagas sozinha

A consulta à posição na fila mostra ao paciente sua situação, mas não reduz automaticamente a espera. O ganho direto está na previsibilidade e na possibilidade de comparar serviços. A oferta de consultas, terapias e exames continuará dependendo da capacidade da rede.

Os critérios de prioridade também deverão ser divulgados. Isso permite entender por que uma pessoa avança ou permanece na fila. A notícia não informa prazo para implantação nem estimativa de custo dos sistemas digitais, pontos que precisarão ser definidos se o projeto virar lei.

O substitutivo retira a limitação aos medicamentos usados com mais frequência por pessoas com TEA. A informação passa a abranger o fornecimento de remédios de forma geral, sem criar uma lista exclusiva para esse público.

A proposta tramita em caráter conclusivo. Ainda será analisada pelas comissões de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e de Constituição e Justiça. Se avançar na Câmara, seguirá para o Senado. Nenhuma nova consulta digital está disponível por causa desta etapa.

O que diz o relator: Geraldo Resende afirmou que o objetivo é fazer “a informação se converter em ação”, com resultados concretos para a saúde do cidadão. A declaração foi divulgada pela Agência Câmara após a aprovação do substitutivo.

Para as famílias, a mudança central seria reunir dados que hoje podem exigir contatos separados com unidades e secretarias. O efeito prático dependerá de informações atualizadas e acessíveis. Publicar filas será útil apenas se refletir a situação real do atendimento.

Como fizemos: conferimos a notícia da Comissão de Saúde, acessada em 7/11/2026. Comparamos o projeto original e o substitutivo por rede, medicamentos, filas e serviços digitais. Não estimamos redução de espera nem custos porque os dados não foram informados.

Fontes