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Congresso

Projeto do SUS com foco na família tramitava há seis anos

Câmara aprovou obrigação de educação em saúde na atenção básica; proposta de 2020 segue ao Senado e ainda não altera a lei.

Fachada de um centro municipal de saúde com telhado cinza e estrutura branca e escura.
Centro Municipal de Saúde de São João do Oeste, em Santa Catarina, com equipes de Saúde da Família, em 2 de maio de 2023.Foto: Dalton Scavassa / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (5) o Projeto de Lei 565/2020, que trata de ações de educação em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta foi apresentada em 5 de março de 2020 e agora segue para o Senado.

O texto determina atuação dos profissionais da atenção básica em educação sanitária com enfoque na família. A aprovação não altera imediatamente a Lei Orgânica da Saúde. O projeto ainda precisa passar pelos senadores e pela sanção presidencial.

O que muda se o texto virar lei

A atenção básica é a porta de entrada e o primeiro nível de cuidado do SUS. Ela reúne unidades e equipes próximas à residência das pessoas. A proposta inclui na Lei 8.080/1990 a educação em saúde como atividade desses profissionais, com foco familiar.

Educação sanitária reúne orientações para prevenção e formação de hábitos saudáveis. A justificativa do projeto cita alimentação adequada e redes de apoio familiar. O objetivo declarado é deixar explícito na norma o enfoque dessas ações, não criar um novo benefício financeiro.

A proposta acrescenta o artigo 30-A à Lei Orgânica da Saúde. A justificativa também menciona prevenção do abuso de drogas e do suicídio como campos de intervenção familiar. São exemplos apresentados pela autoria, não programas específicos criados pelo texto.

Proposta levou mais de seis anos entre apresentação e aprovação Principais etapas do PL 565/2020 na Câmara dos Deputados

Data Etapa
5 de março de 2020 Apresentação pela antiga Comissão de Seguridade
20 de junho de 2023 Parecer aprovado na Comissão de Constituição e Justiça
3 e 4 de novembro de 2026 Análise adiada pelo encerramento da Ordem do Dia
5 de novembro de 2026 Aprovação no plenário e encaminhamento à redação final

Fonte: Câmara dos Deputados. Elaboração: redação.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) avaliou a constitucionalidade, a juridicidade e a técnica legislativa. O parecer foi aprovado em junho de 2023. Depois, a matéria ficou à espera de análise pelo plenário.

Uma palavra mudou o comando da regra

Na CCJ, os deputados também recomendaram substituir o verbo “promover” por “atuar”. O relator à época, Geninho Zuliani, avaliou que a administração deve coordenar as ações. Segundo ele, atribuir a cada agente a iniciativa de promover programas poderia gerar desorganização.

A emenda de redação foi aprovada com o projeto nesta quinta. O detalhe mostra que a proposta define uma atuação dentro das ações coordenadas do SUS. Não transfere a cada profissional a criação isolada de políticas de saúde.

A tramitação passou ainda por dois relatores diferentes na CCJ. O primeiro parecer é de 2021, e o segundo foi apresentado em 2023. As duas sessões de plenário anteriores nesta semana terminaram sem votar a matéria.

O que diz a Câmara: o deputado Antonio Brito, autor da justificativa como presidente da antiga Comissão de Seguridade, afirmou que as equipes de Saúde da Família já promovem educação sanitária. Ele defendeu registrar essa obrigação na Lei Orgânica e deixar claro o enfoque na família.

O que ainda falta

A Câmara encaminhou a proposta para elaboração da redação final. Essa etapa organiza o texto aprovado e as emendas antes do envio ao Senado. Não houve divulgação de placar nominal na notícia oficial sobre a aprovação.

No Senado, o projeto poderá ser distribuído a comissões antes do plenário, conforme as regras da Casa. Se os senadores modificarem o conteúdo, o texto deverá retornar à análise dos deputados. A sanção presidencial só ocorre depois da aprovação legislativa final.

Para quem usa o SUS, nenhum procedimento novo deve ser cobrado agora. A medida não cria cartão, pagamento ou cadastro. Se virar lei, seu efeito será reforçar na legislação a atividade educativa das equipes que já acompanham famílias na atenção básica.

O próximo ponto verificável será a distribuição do projeto no Senado. O leitor também poderá acompanhar se haverá mudanças no texto. A longa tramitação na Câmara não garante calendário semelhante nem aprovação automática na outra Casa.

Como fizemos: comparamos a notícia da aprovação, a ficha de tramitação e o parecer da CCJ, todos da Câmara e acessados em 5/11/2026. A tabela reconstrói as etapas sem transformar datas de comissão em aprovação final. Não atribuímos placar nem efeitos clínicos ao projeto, porque esses dados não foram divulgados.

Fontes