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Congresso

Dia da Herança Cultural Polonesa vai à sanção presidencial

Senado conclui aprovação do PL 2.335/2025 e escolhe 11 de novembro, data em que a Polônia recuperou a independência em 1918.

Casas de madeira do memorial da imigração polonesa cercadas por árvores no Bosque do Papa, em Curitiba.
Bosque do Papa, memorial da imigração polonesa em Curitiba, em registro de 27 de março de 2016.Foto: Amanda Likes / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A Comissão de Educação e Cultura (CE) do Senado aprovou nesta sexta-feira (6) o Dia Nacional da Herança Cultural dos Poloneses no Brasil. O Projeto de Lei (PL) 2.335/2025 escolheu 11 de novembro para a celebração e segue para sanção presidencial.

A data coincide com a recuperação da independência da Polônia, em 1918. O país retomou sua soberania depois de mais de um século sob domínio dos impérios russo, prussiano e austro-húngaro. A proposta busca reconhecer a contribuição da comunidade para a cultura brasileira.

Como a proposta avançou

O autor do projeto é o deputado General Girão (PL-RN). A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara aprovou a proposta em 20 de março. O Senado concluiu a etapa legislativa nesta sexta-feira, com a decisão favorável da Comissão de Educação e Cultura.

Proposta conclui passagem pelas duas Casas Principais etapas do PL 2.335/2025

Data Etapa
26 de setembro de 2025 Apresentação do substitutivo na Câmara
20 de março de 2026 Aprovação na CCJ da Câmara
6 de novembro de 2026 Aprovação na CE do Senado
Próxima etapa Sanção presidencial

Fonte: Agência Câmara e Agência Senado. Elaboração: redação.

Um substitutivo é uma nova versão apresentada durante a análise de um projeto. Na Câmara, o texto foi analisado em caráter conclusivo pelas comissões. Isso permitiu o envio ao Senado sem necessidade de recurso ao Plenário.

A aprovação no Congresso não torna a celebração lei automaticamente. O presidente da República poderá sancionar ou vetar a proposta. Se houver sanção, o dia passará a integrar o calendário nacional, mas não será um feriado nacional.

Por que o Paraná ganhou destaque

O relator, senador Flávio Arns (PSB-PR), destacou a presença de descendentes de poloneses em seu estado, especialmente em Curitiba. A presença polonesa no Brasil remonta ao século XIX, segundo a transcrição divulgada pela Rádio Senado.

Arns citou cerca de 300 mil pessoas com sobrenome polonês em Curitiba e 1 milhão no Paraná. Para o Brasil, apresentou uma estimativa entre 1,5 milhão e 2,5 milhões de brasileiros com ascendência polonesa. A diferença entre os extremos é de 1 milhão de pessoas.

Esses números não devem ser somados. Curitiba está dentro do Paraná, que por sua vez integra o total nacional. Eles também não foram apresentados como resultados de um censo. São estimativas usadas pelo relator para justificar a relevância cultural da homenagem.

O intervalo nacional não permite afirmar um total exato. Mesmo assim, os números citados explicam a ênfase dada ao Paraná durante o debate. A concentração regional aparece em espaços culturais como o Bosque João Paulo II, conhecido como Bosque do Papa, em Curitiba.

O que diz o relator: Flávio Arns afirmou que a herança polonesa é importante para Curitiba e para o Paraná e citou as estimativas de descendentes nos dois territórios. A posição consta da transcrição da Rádio Senado após a aprovação na comissão.

O que a data representa

A homenagem não muda direitos, deveres ou regras de cidadania. Seu efeito é simbólico: reservar uma data anual para reconhecer a trajetória e as contribuições culturais dos poloneses e de seus descendentes no Brasil.

A escolha também aproxima a memória da imigração da história da soberania polonesa. A data de 11 de novembro já era usada pela Polônia para celebrar a independência recuperada em 1918. O projeto propõe associar essa referência à formação cultural brasileira.

Depois da sanção, eventuais atividades dependerão de iniciativas de instituições e comunidades. O texto aprovado trata da instituição da data. Não anuncia investimentos nem cria um programa federal de promoção cultural.

Como fizemos: conferimos as notícias e a transcrição da Agência Senado e a tramitação informada pela Câmara, acessadas em 6/11/2026. Comparamos as etapas legislativas e a diferença entre as estimativas do relator. Não tratamos esses números como dados censitários nem somamos populações de territórios sobrepostos.

Fontes