TSE cobra da Meta igualdade entre Lula e Flávio nas plataformas
Corte eleitoral deu 24 horas para a empresa explicar anúncios, recomendações e inteligência artificial antes do segundo turno de domingo.

Na noite de terça-feira (20), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reuniu a Meta e as duas campanhas presidenciais para discutir a distribuição de conteúdo político. A empresa tinha sido intimada a explicar, em 24 horas, como garantir tratamento igual a Lula e Flávio Bolsonaro no WhatsApp, Instagram e Facebook.
A reunião foi conduzida pelo ministro substituto Marco Aurélio Bellizze. Ela ocorreu na semana do segundo turno, quando qualquer diferença de alcance pode alterar a capacidade de uma campanha falar com seus eleitores.
O que entrou na cobrança
A decisão do TSE nasceu de questionamentos sobre possíveis restrições a publicações e anúncios da campanha de Lula. O tribunal também pediu informações sobre ferramentas de inteligência artificial e mecanismos que recomendam posts, dois sistemas que não aparecem para o usuário, mas definem o que chega à tela.
A Meta negou favorecimento político e atribuiu os problemas relatados a questões técnicas. Em comunicado próprio, a empresa afirmou que concluiu as medidas exigidas pelo tribunal e que as restrições tratam de anúncios, sem afetar publicações orgânicas, aquelas feitas sem impulsionamento pago.
TSE e Meta apresentam medidas diferentes para a reta final Resumo do que foi pedido e respondido em 20 de outubro de 2026
| Ator | Medida ou posição | Situação |
|---|---|---|
| TSE | Explicações sobre distribuição e anúncios | Prazo de 24 horas |
| Meta | Negou favorecimento e citou falhas técnicas | Informações entregues |
| Campanha de Lula | Relatou restrições a posts e impulsionamento | Questionamento em análise |
| Campanha de Flávio | Participou da reunião com a Corte | Ouvida pelo ministro |
Fonte: TSE. Elaboração: redação.
O tribunal não ordenou que a plataforma escolha qual candidatura deve aparecer mais. A exigência é de isonomia, princípio que obriga a aplicação das mesmas regras a campanhas em situação equivalente. Bellizze resumiu o objetivo como “transparência e igualdade entre os candidatos”.
A diferença entre anúncio e publicação orgânica é central. Anúncios são mensagens pagas, compradas por candidatos, partidos ou coligações. Publicações orgânicas são posts comuns e continuam sujeitos às regras de conteúdo, mas não entram na trava específica descrita pela Meta.
O TSE ainda discute uma medida para suspender canais políticos de grande alcance no WhatsApp nas 48 horas anteriores à votação. A proposta alcançaria o “Exército do Lula” e a “Tropa do Flávio”, segundo a Rádio Nacional, e teria critérios iguais para todos.
O que diz a Meta: A empresa informou ao TSE que concluiu as medidas determinadas, negou interferência eleitoral e disse que problemas de alcance decorreram de questões técnicas. A declaração está na nota oficial e no comunicado enviado à Corte.
A reunião deixa uma pergunta aberta: como o tribunal poderá conferir, em tempo real, se sistemas proprietários tratam as campanhas de forma equivalente? A resposta depende dos relatórios técnicos e das decisões que o plenário ainda tomará antes de sexta-feira (23).
Como fizemos: Consultamos a notícia do TSE de 20 de outubro e o comunicado da Meta atualizado no mesmo dia. A tabela separa fatos documentados, alegações da campanha e resposta da plataforma. Não inferimos favorecimento a partir de queda de alcance, porque os dados internos de recomendação não são públicos.



